11: Rir para não Chorar

O Inverno está a chegar. Casacos, gorros, cachecóis, entre outros. Para todos os gostos e feitios, são vastas as propostas de agasalhos para se proteger do frio. Do frio e das tempestades. Sim, porque a mãe Natureza não se faz de rogada e responde ao Aquecimento Global das mais ríspidas formas imagináveis. Furacões sucedem-se. Alguns, atingem cidades ainda no verão. Londres, mais precisamente Stamford Bridge, assiste à derrocada de um dos melhores e mais carismáticos treinadores de sempre. É português e chama-se José Mourinho. Desde de Agosto, que o cenário está para lá de cinzento. Não se nota motivação por parte dos jogadores, os princípios de jogo e organização recusam-se a saír do esconderijo em que se enfiaram, os resultados teimam em aparecer e as fases de futebol positivo são tão fugazes quanto raras. Jogadores, árbitros e até o staff médico já foram visados, mas está na hora do técnico fazer uma introspeção. Por enquanto, vai afirmando que está tranquilo, dá gargalhadas de escárnio e entrevistas à base de catchphrases. Mas a coisa pode ficar muito negra e começa-se a especular que se não houver uma mudança, Mourinho dificilmente conquistará lugar novamente num clube de top. Todo este caos, beneficiou o Liverpool desta vez. Fantástico Coutinho, que apesar de se esconder invariavelmente, quando aparece fá-lo sempre com brilhantismo. Mais fantásticos do que os seus golos só a comemoração dos mesmos por parte do seu treinador. Contagiante Klopp, que somou assim a primeira vitória ao serviço dos Reds, num jogo em que a chave esteve no aproveitar da queda emocional do Chelsea após os tentos sofridos.

Lá em cima, tudo na mesma. Pelo menos os dois primeiros, City e Arsenal, venceram e continuam na liderança. Convenceu o conjunto de Wenger, que reforça a ideia de este ano ser um verdadeiro candidato. O terceiro posto, por sua vez, já é ocupado pelo Leicester. Impressionante percurso dos Foxes. Ranieri começa a pedir uma estátua, de preferência construída por todos os seus críticos. Mahrez e Vardy certamente dar-se-iam por satisfeitos com um salto competitivo que vão fazendo por merecer. Marcar três golos no Hawthorns não é para todos. Nem saír vivo do reduto de Palace e Watford. Se o Manchester United ainda se pode dar por agradecido ao não ter sido batido depois de minutos finais sufocantes por parte dos Eagles, o West Ham, num resultado que não foge à regra do que tem sido a sua época, não conseguiu escapar à fúria de Ighalo – outra das grandes revelações até ao momento. Num lote em que também podemos incluir Koné. O avançado do Everton juntou-se à já gorda lista de hat-trickers deste campeonato e ajudou assim a sua equipa a não perder uma carruagem apanhada também por Southampton e Tottenham. Vitórias tranquilas na receção a dois aflitos. Terminamos viagem em St. James Park, onde o maior destaque do nulo entre Newcastle e Stoke vai para mais uma fantástica performance do guarda-redes dos Potters.

Onze Ideal da Jornada 11 da Premier League: Butland (Stoke); Coleman (Everton); Koscielny (Arsenal); Otamendi (Manchester City); Bertrand (Southampton); Alli (Tottenham); Coutinho (Liverpool); Özil (Arsenal); Mahrez (Leicester); Koné (Everton) e Ighalo (Watford).
MVP: Koné (Everton). O "menino bonito" de Martínez finalmente começa a demonstrar toda a sua utilidade. A localização de Lukaku numa zona mais central permite-lhe explorar melhorar os espaços e encontrando-se inspirado quando chega a posições frontais, torna-se ainda mais forte a dor de cabeça dos defesas adversários. Três golos de elevada nota artística na goleada do Everton "versão temível" fazem do costa-marfinense a grande figura da ronda.
Jogador a Seguir: Butland (Stoke City). Quem disse que fazer esquecer Begović era missão impossível? Pois bem, Jack Butland, 22 anos, está a provar que afinal pode ser ele o ídolo na cidade. Se a progressão ao longo dos últimos anos valeu-lhe a titularidade nesta altura, as exibições vêm monstrando que as oportunidades oferecidas foram justas. Grandes defesas em pouco mais de uma dezena de jogos. Seja no ar ou pelo chão. Um homem que transmite confiança a uma equipa que até não tem estado bem em termos defensivos e que até já abre petições para ser titular da Inglaterra no Europeu. Esta jornada então, foi em todos os níveis favoráveis a si - Hart conseguiu superar os "frangos" de Ospina e Boruc.
Treinador da Jornada: Claudio Ranieri (Leicester)
Melhor Jogo: West Brom 2 vs Leicester 3
A Desilusão: Mourinho, uma vez mais. Já se abordou, da mais extensiva à mais intensiva forma, toda a anarquia tática que reina atualmente no Chelsea. No entanto, há ainda um outro fator importante a reter. Talvez estejamos a falar daquele que era o maior trunfo do técnico português a até bem pouco tempo. Nomeadamente, o incutir de motivação nos seus jogadores. A forma como a equipa sofre o primeiro golo bem perto do descanso ou como vai abaixo após sofrer o segundo, numa partida que até foi relativamente equilibrada, revela bem o estado anímico de muitos dos jogadores. O grupo parece estar menos unido do que nunca fruto das várias declarações proferidas pelo treinador e quando assim é, torna-se difícil chegar aos jogadores. Eis a questão que se coloca: terá Mourinho perdido também o controlo sobre aquilo que é a parte emocional do jogo?
Menção Honrosa: A Selva de Shelhurst Park. Mais conhecido como estádio do Crystal Palace. Aquele, em que não ocorrem maus encontros. Pois é certo que, na eventualidade de as duas equipas se encontrarem desinspiradas, haverá sempre espetáculo vindo das bancadas. Apesar de não serem os milhares e milhares que outros clubes conseguem levar ao estádio (a lotação é inferior a 30.000), dificilmente são superados, tanto em termos nacionais como internacionais, no que toca a paixão pelo clube e apoio vindo das bancadas. Os últimos minutos do Palace vs United, com os visitados a caír em cima dos pupilos de Van Gaal e a serem completamente empurrados pelos seus adeptos é um hino ao futebol. O golo não surgiu. Mas como é habitual, houve festa. Assim como em Stamford Bridge na temporada transata, em que na partida cujo desfecho ditou a conquista da Liga para os Blues, por largos minutos, só se fizeram ouvir adeptos das "águias de Londres". Pegando nas palavras de Hélder Conduto, "o futebol assim é muito bonito. Parabéns a estes adeptos!".

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