Wild, wild East

A luta pelas últimas vagas dos playoffs promete ser dura na Conferência de Este da NBA. A fraca qualidade de boa parte dos conjuntos permite a equipa medianas, ou mesmo medíocres, sonhar com a passagem à fase a eliminar. Nos últimos anos, nem tem sido necessário alcançar 42 vitórias para ficar entre os oito primeiros, e esta temporada deve manter a mesma bitola.

Os Milwaukee Bucks surpreenderam o ano passado, e este ano prometem dar um salto qualitativo. Equipa jovem e a crescer, conta agora com Greg Monroe e com o regressado Jabari Parker, que impressionou na época transacta até se lesionar. Jason Kidd colocou a sua equipa a defender bem e a usar o natural atleticismo dos seus jogadores, sendo que com os reforços e natural evolução de homens como Antetokounmpo ou Carter-Williams (que foi muito mais eficaz com os Bucks do que fora em Philadelphia), o caminho só pode ser o do sucesso. Os Bucks têm talento e armas mais que suficientes para carimbarem o bilhete para os playoffs.

A descer parecem estar os Brooklyn Nets. Longe vão os tempos em que o milionário russo montou uma equipa capaz de chegar ao anel, e agora tudo o que sobra é Joe Johnson (e o seu salário). Os Nyets despacharam Deron Williams, mas mostraram confiança em Brook Lopez, oferecendo-lhe um longo e dispendioso contrato. O poste, dos mais eficientes a nível ofensivo, é um jogador de grande qualidade, mas montar uma equipa em redor de um elemento que passa bastante tempo lesionado é um risco demasiado elevado. Jarret Jack foi promovido a base, Thaddeus Young é, a par de JJ, a estrela da equipa, o que diz bem da qualidade do plantel. Alguns X-factors como Bogdanovich ou Thomas Robinson podem eventualmente dar o salto que permita subir a fasquia, mas o resultado final está quase que totalmente dependente da produção de Lopez.

A Boston saiu a lotaria de 2015, com apenas 40 vitórias, o que faz tudo quanto é equipa frágil acreditar que é possível. Plantel demasiado jovem para grandes andanças, o reforço David Lee é o mais experiente do grupo. O extremo seria um enorme reforço (foi homem de 20-10 não há muito tempo atrás), mas os anos pesam e as lesões são mais frequentes e longas. Há muita gente para algumas posições, e o treinador vai ter de optar entre dar minutos a todos ou encostar alguns jovens, limitando-lhes o desenvolvimento. Muito do sucesso vai depender da capacidade de Avery Bradley, e do modo como encaixam Isaiah Thomas e Marcus Smart. Boston está longe de poder competir por títulos, mas pode fazer ondas.

Após uma temporada desastrosa, Indiana apresenta-se de cara lavada. As saídas de Hibbert e West são a certidão de óbito de um dos últimos resistentes ao small-ball. Agora, é a equipa de Paul George (que pode variar entre as posições 3 e 4), que tem livre trânsito. Monta Ellis vai ser opção ofensiva n.º 2, depois do bom trabalho feito em Dallas. Indiana promete ser uma equipa mais rápida e fluida, mas menos intimidante na defesa. Os jogadores interiores não têm cartel, e tanto podem cumprir como desapontar. Pese a capacidade de Ellis em criar tiros e fazer pontos, tudo vai cair em cima de Paul George, que terá de demonstrar que a sua chocante lesão não lhe tirou qualidades.

Os Detroit Pistons pareciam bem encaminhados até à lesão de Brandon Jennings. As expectativas são baixas, quando uma equipa está tão dependente de alguém como Jennings (cujo regresso não está próximo). Ano novo, vida nova, uma torre saiu, agora o centro está entregue a Drummond, e Stan Van Gundy trouxe Ilyasova para aproveitar o espaço deixado livre pelo seu poste, que deverá ter um perfil dominante perto do cesto. Reggie Jackson vai tentar ser o líder de uma equipa a quem falta um líder claro, sendo que o sucesso de Detroit está dependente do que Drummond produzirá e do colectivo ser maior que a soma das individualidades. Os jovens Stanley Johnson e Caldwell-Pope também terão de se mostrar.

Charlotte tem uma equipa decente no papel: Kemba Walker é um base interessante, Batum um reforço que traz tiro e experiência, e dentro possui um dos mais refinados jogadores, Al Jefferson. Spencer Hawes é um bom reforço, que permite a Big Al jogar na sua posição de PF. Depois, há esperança em Zeller, Kaminsky e Lamb. Problemas? Kidd-Gilchrist tem sido o melhor, ou talvez único, defensor da equipa, e o problema é que se lesionou e não deve regressar esta época. Walker tem a tendência para se atrapalhar ao querer resolver tudo sozinho, Batum vem de uma época péssima e parece estar em queda, Jefferson é um zero na defesa (tal como Hawes) e tem coleccionado problemas físicos. E os jovens são todos eles incógnitas. Ou seja, se tudo correr bem, há equipa para alcançar acima de 40 vitórias, se algo (nem é preciso tudo) correr mal...

E Orlando? Os Magic ainda estão a recuperar dos efeitos do furacão Howard. Scott Skiles tem a tarefa árdua de transformar um grupo de jogadores numa equipa. Orlando tem optado por reconstruir via draft, e isso demora tempo, pois tudo depende de como os jogadores evoluem. Elfrid Payton, Victor Oladipo, Aaron Gordon, Tobias Harris, e Nikola Vucevic formam um bom núcleo, mas falta gente mais rodada que possa dar outro tipo de enquadramento. Existe uma base para uma defesa eficaz, mas continua ausente uma referência no ataque. Muito também depende de Vucevic, que tem talento, e vem de uma época que deixa "água na boca", mas que passa demasiado tempo de fora.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno R.

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