Novos Ares Sopram à Direita

Pedro Pereira é o jogador mais jovem da Série A e o único de 17 anos nas 5 principais Ligas da Europa a somar quatro jogos a titular e uma assistência.

Quando a 26 de junho de 2014 se confirmou o prematuro afastamento de Portugal do Campeonato do Mundo do Brasil, muito se criticou a seleção nacional e, principalmente, o seu timoneiro, Paulo Bento. Críticas fundadas não só nas más exibições e resultados da equipa de “todos nós” (num grupo com Gana e Estados Unidos, pedia-se bem mais ao ex-treinador do Sporting), mas também pela parca aposta na juventude, constatando-se uma insistente aposta em jogadores em clara quebra de rendimento e longe do que haviam demonstrado em anos anteriores. Fenómeno esse transversal a todas as posições de campo, mas com destaque na defesa e, particularmente, na ala direita, onde elementos como João Pereira e Ricardo Costa eram soluções regulares. Mesmo com a saída de Bento, os problemas mantiveram-se, não se perfilando muitas alternativas para a lateral direita. Até agora.

Repentinamente, uma nova geração de belíssimos defesas direitos portugueses surgem no panorama internacional. João Cancelo (21 anos) assume destemidamente a titularidade no quarto classificado da derradeira La Liga; Nélson Semedo (21 anos) vai fazendo esquecer Maxi Pereira no Benfica; Cédric (24 anos) está a conseguir segurar o lugar no Southampton, uma das surpresas da última Premier League. Na sombra destes, praticamente ignorado pelos adeptos portugueses, um jovem de 17 anos vai causando furor. Na Sampdoria, Pedro Pereira vai fazendo o impossível, superando o seu estatuto de júnior para se impor como titular num emblema acostumado a bons resultados.

Formado no Benfica, Pedro Pereira é um dos vários casos de futebolistas que abandonaram a Luz para rumar a Itália (como Danilo Pereira e Mário Rui, também este a dar cartas neste país). Porém, ao invés destes nomes, o lateral luso não teve de esperar muito por um “lugar ao sol”, ultrapassando, inclusivamente, o experiente Mattia Cassani na luta pela titularidade. Dotado de características invulgares para a idade (acerto no posicionamento, boa capacidade de leitura do jogo, eficiência no processo ofensivo, oferecendo ainda segurança defensiva), incluindo uma compleição física assinalável (1,82 metros, importante no lateral moderno), o blucerchiati vai triunfando numa competição tradicionalmente exigente a nível defensivo, e na qual um elemento de 17 anos raramente se mantém na titularidade durante quatro jogos consecutivos, como é o caso desta promessa.

Em circunstâncias normais, o lesionado Lorenzo De Silvestri, titular absoluto da lateral direita da Sampdoria no ano passado, recuperará a posição quando regressar. Contudo, até lá, Pedro Pereira, vai-se surpreendentemente assumindo como opção credível, não sendo de descartar, inclusivamente, a possibilidade de continuar a ser regularmente utilizado, mesmo com o regresso do italiano. O futuro é sempre imprevisível, e os que hoje prometem muito amanhã poderão desiludir, mas se se concentrar devidamente e tomar decisões corretas, a nova coqueluche da Samp tem condições suficientes para, paulitadamente, assumir posição de relevo no mundo do futebol e, apesar de, para já, não ter a imprensa de um Nélson Semedo ou João Cancelo, perfila-se como nome a ter em conta num futuro próximo para a seleção nacional.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): António Hess

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