Será desta, Wenger?

Quando nos encontramos numa perfumaria procuramos pela fragrância mais cheirosa. E para muitos fanáticos da bola, os princípios são os mesmos quando se trata de futebol. Qualidade de jogo. O perfume da circulação, o glamour no passe e o requinte na finalização. No Emirates, este tornou-se o prato do dia. Mas o reverso da medalha é sombrio - nada parece ser suficiente para alcançar um título de campeão que já foge há mais de uma década. Esta semana, meses e meses depois, os Gunners ocupam novamente a liderança, se bem que em igualdade pontual com o City. À vitória ao Everton num dos jogos mais agradáveis do ano, juntou-se o empate no derby de Manchester mais aborrecido de um bom tempo a esta parte. Do embate entre West Ham e Chelsea saíu outro dos grandes beneficiados da ronda. E não. Não se trata dos Blues. Antes dos pupilos de Bilic, que já só necessitam de travar o Man Utd para derrubar, de forma histórica, os cinco tubarões da Premier League numa primeira volta. A fechar a zona europeia encontra-se o Leicester, que num duelo de sensações, bateu o Palace com um golo fabricado pelos suspeitos do costumes - Mahrez e Vardy.

Cinco. Foi este o número de golos marcados pelo Tottenham em Bournemouth. A equipa da casa, continua a demonstrar claras fragilidades no capítulo defensivo e Boruc em especial, já começa a pedir o banco. Nos Spurs, o destaque vai todo para Kane versão 2014-15 que decidiu fazer uma aparição surpresa. Ainda no domingo, Klopp confirmou o pleno de empates, e este, em especial, revela-se como o mais amargo de todos. Southampton, ainda invencível fora de portas, uma vez mais muito bem montado e a aproveitar a ainda alguma monotonia dos Reds. Antes, naquela que é uma das rivalidades mais acesas do futebol mundial, o Sunderland levou de vencido o Newcastle e por números expressivos. Estreia a vencer dos Black Cats, que beneficiaram e muito da expulsão de Coloccini. Até então, os Magpies dominavam em toda a linha. Ambos, contudo, permanecem em péssimos lençóis. Pior só mesmo o Villa, o novo lanterna vermelho. Derrota caseira com o Swansea e que ditou a saída mais do que anunciada de Sherwood. Norwich e Stoke City foram outros dos visitados a passar por dissabores nesta jornada. West Brom e Watford, assim como Swans, saíram de sorriso nos lábios.

Onze Ideal da jornada 10 da Premier League: Pantilimon (Sunderland); Jones (Sunderland); Koscielny (Arsenal); Otamendi (Manchester City); Fuchs (Leicester); Dembélé (Tottenham); Sessegnon (West Brom); Ayew (Swansea); Payet (West Ham); Kane (Tottenham) e Deeney (Watford).
Melhor Jogador: Kane (Tottenham). A maior das surpresas da última época, surpreendentemente, teimava em aparecer nesta. Assim como outros, foi de forma tímida que encarou os primeiros jogos mas ao passar das jornadas vai revelando uma melhoria da sua forma. Em Bournemouth, tirou a barriga de miséria e completou um importante hat-trick. Para a sua equipa, que regressa assim aos triunfos e ameaça os adversários que se encontram no topo; e para ele, que ganha assim um embalo motivacional para o futuro.
Jogador a Seguir: Van Dijk (Southampton). O holandês já parece ter feito esquecer Alderweireld e com um arsenal já considerável de excelentes exibições, tanto defensiva como ofensivamente, parece estar a confirmar as boas indicações que tinha deixado no campeonato escocês. Em Anfield, foi crucial na obtenção de pontos por parte do Southampton.
Treinador da Jornada: Quique Flores (Watford)
Melhor Jogo: Arsenal vs Everton (2-1)
A Desilusão: Derby de Manchester. A magia da Premier League nunca esteve nos seus jogadores, treinadores, ou nos seus adeptos em particular. Antes, nos emotivos jogos como um todo, envolvendo então todos esses intervinientes. A fartura de clássicos é motivo de festa mas o duelo do último domingo, com o primeiro lugar como prémio, assemelhou-se mais ao cenário de um velório. Paupérrimo espetáculo produzido pelos grandes de Manchester, que se deram satisfeitos pelo pontinho. A antítese do que costuma ser habitual. Uma exceção à regra, acreditem.
Menção Honrosa: Irmãos, mas rivais. Não foi inédito, mas não deixa de ser sempre interessante de assistir. No último sábado, o duelo entre Aston Villa e Swansea marcou ainda o confronto entre dois irmãos - Jordan e André Ayew. Curiosamente, ambos chegaram este ano a Inglaterra, para equipas diferentes, provenientes da França e também de diferentes cubes. No embate deste sábado, levou a melhor o extremo dos galeses, mas ambos marcaram e foram mesmo as duas maiores figuras do jogo. No final, houve troca de camisolas mas o semblante do avançado dos Villans deixava patente que, apesar dos laços de família, o profissionalismo falava mais alto e a derrota nunca poderia ser sinónimo de uma tarde feliz.

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