Os legítimos candidatos

Está à porta mais uma temporada da NBA, as equipas já fazem os jogos de preparação, os adeptos colocam as pipocas no microondas, e o VM faz a sua antevisão das 30 equipas. Nada de novo portanto, pelo que de imediato se avança para a análise dos mais fortes candidatos ao anel de campeão. Será certamente uma época longa, com altos e baixos, lesões, trocas explosivas, surpresas e desilusões, mas não obstante a enorme competitividade que é norma nesta prova, o facto é que o vencedor final raramente foge a um dos presentes no lote de candidatos iniciais. E este ano não vai fugir à regra.

E quem são os mais fortes à partida? Campeão é campeão, e portanto os Golden State Warriors partem na frente. Os vencedores de de 2014/15 mantiveram toda a sua estrutura, conseguindo inclusivamente manter nos seus quadros Draymond Green, pelo que podem perfeitamente repetir a receita. A perda de David Lee, por motivos puramente financeiros, não é relevante, pois o extremo não teve papel activo na conquista do título, e a sua fraca defesa nem encaixava no paradigma imposto por Steve Kerr. E porque das qualidades e virtudes dos Warriors todos são conhecedores, o que pode então correr mal? Em primeiro lugar, GS vai passar o ano com um alvo bem redondo desenhado na camisola, pois são o alvo a abater. Hoje, a maior parte das equipas desenha o seu plantel para combater o small-ball, à imagem do que faziam quando se tentavam adaptar aos Lakers de Shaq O'Neal, pelo que o efeito surpresa já não existe. Por outro lado, o ano passado foi anormal em termos de lesões, pois clientes habituais, como Bogut, passaram incólumes. Os joelhos do poste australiano, os tornozelos de Curry, são constante fonte de preocupação. Por outro lado, há a curiosidade em saber se Green teve ou não um "contract year". Mas se tudo correr bem, os Warriors são uma força, isto porque Curry é o MVP, e pode continuar a exibir-se como tal, Klay Thompson e Harrison Barnes só podem melhorar, e a defesa agressiva, imagem de marca, costuma ganhar títulos. No entanto, há sempre...

Os San Antonio Spurs! É verdade, os velhos Spurs estão de volta, depois de uma eliminação precoce às mãos dos Clippers. O mercado foi proveitoso para os texanos, que renovaram com Leonard e Green, conseguiram um FA de elite (Aldridge), e ainda um bónus, na figura de David West. Isto depois de convencerem Popovich e Duncan a fazerem mais um ano de competição. As adições do ex-Portland e do ex-Indiana vai permitir uma melhor gestão do tempo de jogo de Duncan, que pela amostra do ano transacto, teima em não definhar. As grandes interrogações passam pela integração de Aldridge no sistema, e pela gestão física, não só evitando lesões mas acima de tudo controlando os minutos de jogo ao longo da temporada. Ainda assim, não obstante os reforços adquiridos no defeso, San Antonio irá tão longe quanto Tony Parker permitir. O francês foi a grande baixa de 2014/15, pois nunca esteve a um nível aceitável do ponto de vista físico, assolado que foi por problemas no tornozelo. O Euro deixou boas indicações, e sabe-se que Parker está sujeito a um programa físico e nutricional semelhante ao de Duncan, pelo que é notório que os Spurs têm noção das debilidades físicas do jogador, bem como da sua importância. Com toda a gente a 100%, San Antonio é um claro candidato ao título, resta saber como vão encarar a fase regular, a todo o gás, ou apenas gerindo uma posição no top8.

No Este, os Cleveland Cavaliers partem como favoritos a toda a linha. A equipa de James não terá as dores de crescimento que mostrou no início da temporada passada, e faz regressar praticamente todo o plantel, incluindo os reforços que foi adquirindo durante o ano. Cleveland tem tudo para ser campeão: o melhor jogador (James), armas ofensivas (Irving, Smith, Love), defesa (Shumpert, James, Varejão, Mozgov) e uma conferência fraca que permite um relaxamento maior durante a fase regular. O talento está lá, a química só pode melhorar (caso contrário não teriam trazido Love de volta), o treinador tem agora um ano de experiência, tudo parece encaixar. Há sempre aquela possibilidade dos egos saírem da jaula e correrem à solta, e claro, a falta de capacidade de Varejão (um habitual), Irving e Love passarem um ano inteiro sem irem parar à enfermaria. Mesmo assim, o factor James deve ser mais que suficiente para bater a concorrência a Este, e depois numa final, naturalmente que todos colocarão de lado as suas divergências e remarão para o mesmo lado.

A única equipa capaz de fazer frente a Cleveland, a Este, parece ser Chicago. As coisas não começaram bem, pois Rose já se encontra de fora, por lesão. As boas notícias, é que foi apenas uma fractura na órbita. Os Bulls não fizeram grande upgrade no seu plantel, mas trocaram de treinador, o que pode representar um acréscimo de qualidade no seu jogo. Thibodeau sempre mostrou muita dificuldade em gerir tempos de jogo (aliás, a primeira lesão de Rose ocorreu num jogo já decidido), e em explorar alguns jogadores com potencial, como Mirotic (que só foi lançado em última instância) e McDermott. Fred Hoiberg tem como função melhorar o ataque, explorando a dupla Rose-Butler, bem como Pau Gasol, que como mostrou no último Euro, tem qualidade de sobra para fazer estragos em qualquer defesa, ao mesmo tempo que mantém a fasquia elevada no que respeita ao processo defensivo. O treinador terá ainda de definir o papel de Noah no ataque, pois o poste francês foi nos últimos tempos mais um problema do que uma solução. Claro que, por melhores intenções que haja, Chicago só é candidato enquanto Rose estiver em campo. Por outro lado, o base não é o único atreito a lesões, pois Dunleavy, Noah e Gasol também são clientes frequentes da baixa médica. Fazendo futurologia optimista, Chicago tem talento para bater Cleveland numa final, e quem lhe aparecer pela frente vindo do Oeste. Isto, sendo optimista.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno Ranito

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