Os candidatos não tão legítimos

Todos os anos há um conjunto de equipas que, teoricamente, são montadas para atacar o título. No entanto, por uma razão ou outra, acabam por ser colocadas num patamar inferior em relação aos maiores candidatos. No Oeste, San Antonio e Golden State partem como teóricos favoritos, mas vão ter competição à altura, pois existe mais um punhado de equipas com aspirações, enquanto que no Este, dificilmente sairá um campeão que não venha de Cleveland ou Chicago. Qualquer outro emblema que se pusesse em frente do campeão do Oeste seria atropelado... Falemos então de alguns candidatos ao título, embora não tão legítimos quanto isso.

Os LA Clippers aparecem ainda mais fortes do que o ano passado. A sua defesa, mas principalmente atitude, acabaram por ser fatais no momento da decisão. O banco também não esteve à altura dos acontecimentos, daí que a outra equipa de LA se tenha esmerado em arranjar mais soluções alternativas ao seu cinco inicial. A começar por Josh Smith, vindo de um excelente ano em Houston, que para além de defesa, pode ser a solução para o Hack-a-Jordan, jogando ao lado de Griffin, que deslizaria para a posição cinco. O outro reforço de peso é Lance Stephenson, vindo de Charlotte. Os Clippers abdicaram do seu jogador mais agressivo (em todos os sentidos), Matt Barnes, para obter um jogador que foi uma das desilusões da temporada passada. Stephenson, cuja atitude é questionada, pode ser um enorme reforço (pois é muito melhor defensor que Crawfors ou Reddick), ou pode dar continuidade ao que fez nos Hornets. E depois, Paul Pierce... o SF que já foi campeão por Boston pouco traz em termos de produtividade, mas continua a ter presença e a mostrar qualidade em jogos apertados, sendo que a sua capacidade de decisão pode ter influência positiva num conjunto habituado a derrocar nos momentos cruciais. Agora, os segredos para fazer de LA uma equipa vencedora passam por uma defesa mais agressiva, por um banco à altura, mas acima de tudo, por uma atitude colectiva mais forte. DeAndre Jordan, uma das divas da equipa, decidiu regressar, depois de se comprometer com Dallas, o que pode indicar uma mudança de comportamento. Ainda assim, parece faltar algo...

À espreita estão também os Houston Rockets. A equipa de James Harden chegou à final de conferência, não obstante um enorme conjunto de lesões (e com Howard a jogar inferiorizado). É verdade que Houston perdeu Josh Smith, mas foi buscar Ty Lawson, um jogador perigoso no ataque. O problema será saber qual a posição do ex-Denver, a de titular ou sexto jogador, e como é que o seu estilo de jogo, com muita bola na mão, se encaixa com James Harden. Deste modo, os texanos ganham mais uma alternativa a Harden, que em certas alturas foi quase que um solista no que respeita a meter a bola no cesto. É claro que, para chegar longe, Houston precisa de um Barbas ao nível do ano passado, mas dificilmente fará melhor caso Howard não esteja totalmente recuperado. Terrence Jones e Motiejunas estiveram em bom plano, mas o poste não tem alternativa no que respeita a domínio das tabelas e protecção do cesto, e uma dupla Lawson-Harden vai de certeza obrigar os restantes elementos a trabalhos redobrados na defesa. Os Rockets vão ganhar bastantes jogos à custa de Harden, e muitos mais caso Howard também esteja a um bom nível. Há bastante talento, embora as opções sejam mais reduzidas que em outras paragens, e este grupo não esteja particularmente habituado a ganhar. Mas com toda a gente a 100%, e Harden em modo MVP, a surpresa pode acontecer.

E por falar em MVP... Kevin Durant está de volta, o que significa que Oklahoma é imediatamente candidato ao título. Desta vez, Durant nem se pode queixar de falta de ajuda no ataque, pois para além de Westbrook, tem a seu lado Enes Kanter, Dion Waiters e Kyle Singler, entre outros. Ao contrário de anos anteriores, existe muita gente capaz de usar o espaço ganho por Durant e Westbrook para meter a bola no cesto, e Kanter é muito mais forte no jogo interior que Ibaka e Perkins alguma vez foram. Claro que o turco será um a menos na defesa, mas certamente que OKC vai ser uma daquelas equipas que ganha marcando mais pontos, e não sofrendo menos, embora tenha nos seus quadros alguns especialistas defensivos. Com uma nova equipa técnica e mais opções, com um Durant recuperado, este tem tudo para ser finalmente o ano de Oklahoma. Mas... há um mas. Westbrook, na ausência de KD, levou a equipa às cavalitas, e agora terá mais uma vez de partilhar o estrelato. Por outro lado, Durant está em final de contrato, pelo que será um longo, longo ano, em termos de rumores, e se as coisas por acaso não correrem pelo melhor, a Direcção da equipa pode perfeitamente realizar uma troca de modo a obter algo que se veja por aquele que é o seu melhor jogador, mas que ainda não concretizou se regressa ou não para a temporada que se avizinha. As movimentações fora de campo podem prejudicar o rendimento dentro de campo, pois as distracções serão muitas. De qualquer modo, enquanto a dupla estiver a jogar, Oklahoma tem tudo para ficar dentro dos quatro primeiros da conferência.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno Ranito

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