A esperança do Vesúvio e da Squadra Azzurra

Se no imaginário futebolístico colectivo há um país que é, historicamente, visto como altar de glorificação de um futebol dito como defensivo, duro, cauteloso e excessivamente “táctico” (com a errada ideia que muitas pessoas têm do que é a táctica, associando-a somente a comportamentos defensivos, quando, como diz Carlos Daniel, “tudo é táctica” - mas isso seria matéria para outro texto) esse país é, sem lugar a dúvidas, Itália. No entanto, entre carregadores de Piano como Gattuso e lendas defensivas como Maldini, no Calcio sempre houve um lugar para os artistas. Os “Trequartistas”, como por lá são conhecidos. A verdade é que por cada Cannavaro sempre houve um Del Piero, por cada Baresi sempre houve um Baggio, por cada Nesta sempre houve um Totti. Talvez porque, sendo o futebol tão preocupado com aspectos físicos, de controlo do jogo e tão cauteloso, para que um elemento criativo tivesse lugar nas equipas esse elemento tinha de ser mesmo bom, tinha de ter um talento superior que justificasse a presença de uma peça "fora do guião" no onze.

Mas hoje, com a perda de competitividade do futebol Transalpino, esse talento desapareceu. A Squadra Azzura tem nas suas maiores figuras futebolistas com bem mais de 30 anos (como Pirlo e Buffon) e, entre os mais novos, só Verratti parece ter o talento à altura dos homens do passado. Na frente, elementos como Gabbiadini, Éder, Immobille, entre outros, sendo, indiscutivelmente, futebolistas de valia, não são craques, jogadores para fazer constantemente a diferença. No entanto, há um nome a quem, desde cedo, se identificou anormal qualidade mas que por, diversas razões, foi tardando a sua plena afirmação: Lorenzo Insigne.

No entanto, o  baixinho do Nápoles está agora num momento brutal,  parecendo ser desta que a sua "explosão" sucederá. Insigne tem-se assumindo como um diabo à solta nos campos, juntado desequilíbrio, influência na manobra colectiva, competência nas bolas paradas e capacidade goleadora. O seu baixo centro de gravidade, a sua agilidade, técnica e velocidade fazem-no impossível de acompanhar por muitos rivais, tendo ainda a grande virtude de saber atacar muito bem o corredor central, seja em condução seja em desmarcação.  Ainda no passado Domingo encheu o mítico San Siro, com a sua sociedade com Higuaín a dar frutos. O Sistema de Sarri parece benefeciá-lo mais que o de Benítez (o próprio já o disse), pelo que, não só em Nápoles mas em toda a Itália, espera-se que este momento se prolongue. Não que Insigne seja Baggio, Del Piero ou Totti, mas sim por apresenta uma dose extra de talento que tanto tem faltado ao jogador Italiano e à Nazionale. Insigne é a esperança do Vesúvio (para uma grande época ) e da Squadra Azzurra (para acrescentar a magia que tem faltado).

Pedro Barata

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