Jesus "papa tudo"; Sporting verga rival em noite de recordes: Benfica não perdia em casa há 56 jogos, Leões não venciam na Luz desde 2006; Conjunto de Rui Vitória esteve desastrado na defesa, perdeu no meio campo e pouco se fez notar no ataque; Clube leonino juntou à eficácia o controlo do jogo; João Mário esteve em grande, Téo e Ruiz também fizeram a diferença na posse, sector defensivo (à excepção de um lance de Naldo) praticamente não cometeu erros; Jonas esteve desastrado

Benfica 0-3 Sporting (Teo 9', Slimani 21, Bryan Ruiz 36')

Um Sporting superior, sem ser demolidor, venceu na Luz por uns claros 3-0 e consolidou assim a liderança no campeonato. Num duelo sem grandes destaques individuais acabou por ser Jesus o principal protagonista, pela maneira como o clube leonino controlou perante um adversário sempre demasiado apático e sem soluções para contrariar o rumo jogo, ainda para mais num contexto tradicionalmente complicado para o leão, que não vencia na Luz há 9 anos, e conseguiu-o numa fase em que o Benfica vinha de 56 jogos sem perder em casa para a Liga. Teo, Slimani e Ruiz marcaram numa 1.ª parte em que os verde e brancos foram altamente eficazes, já as águias, à excepção de um lance de Jiménez (que aproveitou uma falha infantil de Naldo) praticamente não tiveram uma oportunidade de golo, e ainda juntaram à falta de inspiração na frente (Jonas esteve desastrado), muitas fragilidades defensivas e uma incapacidade de controlar o meio campo, tanto sem bola como com bola. Com este triunfo, um dos melhores na história do Sporting no terreno do rival, os leões vincam a candidatura ao título e pressionam ainda mais Rui Vitória (que continua a somar desaires: duas derrotas em dérbis, e outra no Dragão).

Quanto à partida, os 2 treinadores não surpreenderam. Rui Vitória repetiu a equipa que iniciou o encontro frente ao Galatasaray, enquanto que Jesus lançou o mesmo 11 da Supertaça, a excepção foi William no lugar de Carrillo. Aos 6' surge o primeiro remate, com Jonas a cabecear muito ao lado. Mas passado 3 minutos, no 1.º ataque do Sporting, num lance algo confuso, Téo inaugura o marcador. O colombiano é isolado por Adrien mas Júlio César antecipa no entanto defende contra os pés do ex-River tendo a bola no ressalto seguido para a baliza. O Benfica tentou responder e num lance de bola parada, Jonas em boa posição volta a executar mal depois de um bom cruzamento de Guedes. O Sporting, no entanto, estava eficaz, e no 2.º ataque que fez juntou mais um golo ao marcador. Belo cruzamento de Jefferson e Slimani, de cabeça, sem tirar os pés do chão, atira para o fundo da baliza de Júlio César. Jonas de pé esquerdo, com a bola a passar perto da barra, tentou responder, mas o Sporting não perdoava e numa transição Slimani faz quase meio campo, remata para defesa de Júlio César e na recarga Bryan Ruiz faz o 3-0 Pouco depois numa jogada colectiva, Adrien recebe à entrada da área mas remata para defesa de Júlio César. No 2.º tempo o jogo foi diferente, o Benfica demonstrou logo uma incapacidade para tentar uma recuperação, enquanto que os leões estavam satisfeitos com o 3-0. Gaitán logo a abrir ainda testou de pé esquerdo, mas a bola passou ao lado e nesta fase a única oportunidade clara até pertenceu ao Sporting, com Jefferson isolado por Brian Ruiz em excelente posição a atirar um pouco ao lado. E sem ser a lesão de Fesja aos 22 minutos, que tinha entrado para o lugar de Eliseu, e um lance em que Jiménez desperdiça o 1-3, depois de uma falha enorme de Naldo, que tentou ganhar um pontapé de baliza e permitiu o corte ao mexicano, que no entanto, com muitos metros sozinho não conseguiu bater Patrício, na 2.ª parte o maior destaque foi o apoio dos adeptos benfiquistas, que estiveram durante vários minutos a aplaudir a equipa apesar do 0-3. O jogo ainda acaba com mais uma oportunidade do Sporting, mas fruto de um erro que Luisão que atrasa para a zona da baliza quando Júlio César estava à entrada da área, mas o guardião do Benfica recupera e corta a bola perto da linha.

Benfica - O tri complicou-se. Ainda falta muito campeonato mas os encarnados, além da distância pontual: 5 + 3 pontos da frente, não demonstram, pelo menos nesta fase, argumentos técnicos e tácticos para recuperar. A equipa parece que desaprendeu a defender, o meio campo no momento com bola tem dificuldades na ligação, e na frente se Gaitán não aparece é notória a falta de ideias. Hoje Rui Vitória também perdeu a dobrar, além do resultado o seu plano para o jogo com a colocação de Gaitán no corredor direito também se revelou um erro. A nível individual, sem ser Júlio César também não houve destaques positivos. Jonas esteve muito quezilento mas deu-se pouco ao jogo e quando apareceu definiu mal; Guedes só se mostrou nos primeiros 20 minutos, Gaitán foi, juntamente com Samaris, o mais inconformado, mas também esteve pouco inspirado; Já a defesa foi um desastre, demasiada dificuldade em responder à movimentação dos avançados leoninos, Luisão neste capítulo demonstrou estar a anos luz do que fez em 2014-15.

Jorge Jesus - Dois jogos contra o rival duas vitórias. Os leões passaram, num ápice, de uma inércia de contrariar o Benfica para um estado em que o fazem com superioridade. Mérito total de Jesus, que hoje juntou à vitória vários recordes, o que ainda valoriza mais este feito.

Sporting - Exibição competente e personalizada em que o colectivo fez a diferença. Os leões nunca se desorganizaram, estiveram sempre em superioridade no momento defensivo, organizados, controlaram o jogo e principalmente Gaitán e depois a eficácia fez a diferença. Na defesa, só notas positivas, João Pereira e Jefferson lidaram bem com os alas encarnados e não se inibiram de dar largura, Naldo e Oliveira ganharam todos os duelos individuais, sendo que o brasileiro só pecou por um erro infantil; Slimani fez o trabalho de desgaste habitual, enquanto que o meio campo foi sempre mais agressivo e intenso, apesar de Adrien, em termos técnicos, e William, ao nível do passe, nem terem estado particularmente eficazes com bola, neste capítulo quem fez a diferença foi João Mário, que definiu sempre com classe, sendo igualmente útil no momento defensivo. Teo, elemento com muita técnica individual, também foi importante na fase em que era necessário fazer posse, tal como Ruiz, sendo que nesta fase é quando se nota mais as limitações de Slimani.

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