Irrelevantes

Porque são precisas 30 equipas para haver campeonato, haverá sempre aquelas que por lá andam apenas para fazer número. Na NBA o Este está tão nivelado por baixo, que o lote de candidatos aos playoffs é extenso (veja-se como Boston conseguiu a proeza de lá chegar o ano passado, mesmo com apenas 40 vitórias), mas ainda assim alguns nomes saltam à vista no mar de mediocridade. Já no Oeste, o fosso entre as equipas de playoff (luta que deve envolver por volta de 10 equipas) e as restantes será maior.

Philadelphia bem tem tentado ficar com o pior registo, mas até esse objectivo tem falhado. Não há problema, pode sempre consegui-lo este ano. Os Sixers voltam a apostar forte no draft do Verão seguinte, com um elenco demasiado mau para ser levado a sério. Como nem tudo é negro, curiosidade para ver em acção a dupla Noel-Okafor, o segundo um claro candidato a ROY. Outro filme será a recuperação de Embiid, de fora pelo segundo ano consecutivo, e perigosamente perto de se tornar um segundo Oden.

A acompanhá-los no fundo da tabela estarão os New York Knicks. Aquela ideia de formar uma grande equipa via free agency vai demorar algum tempo, e o pessoal que o Zen Master contratou para ajudar Carmelo não traz propriamente entuasiasmo à Big Apple. O Rookie Porzingis é uma esperança, mas pouco acreditam que tenha impacto imediato. De resto, uma dupla Calderon-Afflalo não intimida muita gente, e Robin Lopez está longe de ser o FA de referência que Phil Jackson prometera contratar. Carmelo vai ganhar uns jogos, pode fazer números absurdos, mas simplesmente a qualidade global da equipa é demasiado baixa. Existem alguns jogadores interessantes, como O'Quinn, mas basicamente todos os elementos cujo apelido não é "Anthony", são os chamados "role players". Muito pouco para quem quer passar da fase regular, mesmo no Este.

Do outro lado da fronteira, destaque negativo para Portland. Os Blazers tinham um excelente cinco inicial, mas desse grupo perderam quatro jogadores. Ficou Lillard, que tem a equipa só para si, e pode passar o ano a analisar potenciais colegas no draft de 2016. Claro que há muita juventude, Ed Davis, Aminu e Mason Plumlee têm qualidade, mas dificilmente teremos uma história semelhante à de Phoenix de há dois anos, pese o facto de Lillard ser uma estrela em ascensão.

Outra equipa cheia de juventude é a de Minnesota. Wiggins é a estrela da companhia, que conta com o avôzinho Garnett para tomar conta dos meninos. Nikola Pekovic é uma boa moeda de troca (nem faz sentido tapar Dieng), e a (in)capacidade física de Rubio deve marcar o sucesso, pouco ou algum, dos Timberwolves. Destaque ainda para Towns e Bjelica, que devem ser treinados por KG. Uma equipa divertida, mas inofensiva.

Por falar em jovens inofensivos, eis os Denver Nuggets. Depois de Carmelo, a estratégia de "adição por subtracção" é de novo colocada em prática com Ty Lawson. Entra em campo Emmanuel Mudiay, outro candidato a estreante do ano, ficam Kenneth Faried e Danilo Gallinari (bom Euro, a ver se não se lesiona muito), o jovem Nurkic, e um grupo que deixa muito a desejar. O poder de tiro é reduzido, não há quem resolva individualmente, a responsabilidade fica nos ombros de jovens com muito a provar, e a profundidade do plantel é pequena.

Depois há Sacramento. Sim, Cousins é um dos melhores postes da Liga, até se tem portado bem, há Rudy Gay e entrou Rajon Rondo, o playmaker que faltava. Por outro lado, Cousins é motivo de rumores de trocas desde o primeiro ao último jogo, Gay joga quando lhe apetece, e Rondo foi um fiasco em Dallas. As adições de Caron Butler e Belinelli trazem opções de tiro, sendo que o italiano não tem medo de bolas difíceis em momentos cruciais. Willie Cauley-Stein e Ben McLemore são dois jovens interessantes, existe capacidade ofensiva, um banco com opções, mas a defesa deixa algo a desejar, sendo que os reforços não trazem muito de novo nessa área.

Por fim, os Lakers. Desenganem-se aqueles que acham que este ano vai marcar o regresso da equipa de LA aos tempos áureos, bem pelo contrário. Para já, há dúvidas se Kobe ainda é Kobe. São 37 anos de idade, muita quilometragem, e longas lesões a considerar na equação. O facto dele ainda não ter definido se esta é ou não a sua última temporada é também um factor de perturbação. São depositadas grandes esperanças em D'Angelo Russell, o tal base líder em falta desde que Nash desapareceu, bem como em Julius Randle, que o ano passado cedo se lesionou. Roy Hibbert tem que trazer a defesa que tem faltado em LA, Lou Williams e Nick Young, quando engatam, são enormes marcadores de pontos, mas a qualidade global não é suficiente para fazer mossa no Oeste. Do outro lado, talvez pudessem fazer uma gracinha, mas a equipa não é competitiva o suficiente. O que significa um Kobe descontente, pois este não gosta de perder (nem gosta de quem não se esforça o suficiente, o que quer dizer que Hibbert tem de entrar na linha e manter a boca fechada), nem de correr para nada. Ou seja, os Lakers vão acabar o ano com mais tweets que vitórias.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno R.

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