Goleada contra a crise; Entrada caricata do Tondela (falha de Jones e golo na própria baliza) ajudou; Rui Vitória "queimou" Almeida e Eliseu e deu a titularidade a Clésio na posição de lateral; Jonas esteve nos 3 golos; Guedes sossegou com uma grande finalização; Sanches jogou os últimos 17 minutos, Carcela foi o único destaque da 2.ª parte

Tondela 0-4 Benfica (Jonas 4', Berger 10' p.b., Guedes 42' e Carcela 82')

Não se assistiu a um bom jogo no Municipal de Aveiro, que esteve muito longe de estar lotado, mas o Benfica conseguiu suavizar a crise com uma goleada frente ao Tondela, naquela que foi a 1.ª vitória fora para a Liga esta época. Partida que começou de feição para o conjunto de Rui Vitória, que marcou logo aos 4 minutos num lance em que Matt Jones fica mal na fotografia, tendo Berger aos 10 ajudado ainda mais com um auto-golo caricato. Apesar desse balão inicial os encarnados estiveram muito longe de convencer - futebol lento, apático, com muitos passes errados - mas fizeram o suficiente para controlar um opositor sem grandes argumentos, numa partida em que o técnico das águias deu a titularidade a Clésio na posição de lateral direito, tendo dado sequência às críticas depois do Clássico ao colocar Eliseu na bancada e André Almeida no banco, e promoveu a estreia do médio Renato Sanches que, tal como Carcela (o marroquino aproveitou o tempo que teve e ainda marcou), entrou nos últimos 20 minutos. Jonas, mesmo sem deslumbrar, fez o 1-0, cruzou para o 2.º e assistiu no 3.º, já Guedes teve o mérito de sentenciar a partida com uma grande finalização, no período em que o Tondela parecia estar melhor.

Quanto ao encontro, não podia ter começado melhor para o Benfica, que logo aos 4 minutos chega ao 1-0, com Jonas, de cabeça, a responder da melhor maneira a um cruzamento de Gaitán, num lance em que Matt Jones fica muito mal na fotografia (a bola, que até ia lenta, entrou em chapéu quase ao meio da baliza). Passado 6 minutos o 2-0, num lance caricato. Jonas cruza para a zona de ninguém e com Jones a controlar o lance Berger tenta aliviar e coloca a bola na própria baliza. O jogo entrou numa fase mais monótona e nessa fase o destaque foi a lesão de Matt Jones, que deu o lugar a Ramos, até que, numa sequência de uma jogada na direita, Samaris intercepta a bola para a própria baliza mas Júlio César evita o golo. Na resposta, Guedes, isolado, por Jonas, dribla o guardião Cláudio Ramos e dispara uma bomba ao ângulo, terminando assim com a reacção do Tondela. E se o 1.º tempo já tinha tido, à excepção dos golos, poucos motivos de interesse, o 2.º ainda conseguiu ser pior. Nos primeiros 30 minutos assistiu-se a um acumular de erros dos 2 lados, onde os únicos destaques foram as substituições de Rui Vitória. Almeida substitui o lesionado Clésio, Carcela entrou para o lugar de Gaitán e o jovem Renato Sanches estreou-se pela equipa principal ao substituir Jonas. Alterações que permitiram animar um pouco a partida. Carcela numa iniciativa individual esteve perto de marcar de pé esquerdo, o remate saiu um pouco ao lado. Depois participou numa jogada em que Jimenez e Talisca podiam ter feito melhor e a seguir marcou mesmo. Num lance na direita, utilizou o pé esquerdo para rematar para o canto da baliza de Cláudio Ramos e fazer o resultado.

Tondela - Saiu Paneira, mas Rui Bento não faz melhor, sendo certo que hoje a entrada caricata não ajudou. A equipa ainda não venceu e hoje mostrou uma incapacidade gritante para fazer face a um Benfica nitidamente abalado. As ausências de Menga, Baldé, Murillo e Luís Alberto não ajudaram, muito menos os primeiros minutos de erros individuais de Jones e Berger que deram aos encarnados uma vantagem confortável. Para além disso, a exibição dos Beirões ficou marcada pela inexistência no momento ofensivo e pela incapacidade para segurar a bola, mesmo tendo pela frente um adversário apático e que imprimia pouca velocidade na circulação.

Benfica - Depois da humilhante derrota frente ao eterno rival, Rui Vitória operou algumas mudanças no 11, tendo lançado o extremo Clésio (que nem na equipa B é titular) a lateral direito e Talisca (substituiu André Almeida) no meio campo, naquela que tem sido a posição mais instável esta época. Num jogo que esteve longe de ser brilhante, a vitória surge mais por demérito do Tondela do que por mérito dos encarnados, já que a equipa raramente acertou na circulação de bola, tendo perdido imensas vezes a posse em situações facilitadas (os centrais falharam vários passes durante a primeira parte) e mostrado dificuldades em reagir de forma convincente às adversidades. A primeira parte valeu pelas arrancas de Gaitán, sempre o mesmo a desequilibrar e a colocar os colegas em situações de finalização, pelo enorme jogo de Samaris (o Grego continua a ser intocável pese embora estas surpreendentes mudanças) e pelo excelente golo de Gonçalo Guedes (execução difícil depois de fintar Cláudio Ramos). Nos segundos 45 minutos, o jogo continuou na mesma toada, especialmente até ao momento das substituições, já que após a entrada de Carcela - que aproveitou para somar pontos na luta pela titularidade, com um golo e várias acções individuais interessantes - o Benfica passou a ser mais decisivo no último terço. Depois do jogo fica a sensação que este Benfica ainda está longe da perfeição e que o jogo do Sporting não foi um mero percalço de época. Nota ainda para a competente exibição de Clésio (dentro daquilo que era esperado), para a insegurança que a dupla de centrais continua a transmitir e para um jogo pouco conseguido de Jiménez, que teve pouco em jogo e quando participou foi quase sempre trapalhão.

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