Da saída anunciada a melhor da Europa

Não é novidade que no futebol os cenários mudam muito rapidamente, sendo a efemeridade uma constante em tudo aquilo que rodeia o desporto-rei. A velha frase que estipula que "no futebol o que hoje é verdade amanhã é mentira" parece até ser leve, pois muitas vezes o que sucede é que o que neste minuto é um dado adquirido, no seguinte já não o é. Um minuto...Foi, precisamente, por sessenta segundos que uma das novelas do Verão não deu lugar a casamento. Isto porque, quando tudo estava acordado entre Manchester United e Real Madrid para uma troca de David De Gea por Keylor Navas, a documentação de que os Merengues necessitavam para inscrever o guardião Espanhol chegou um minuto após o fecho do mercado, num episódio que fez correr muita tinta e que levou a que os donos das balizas do Santiago Bernabéu e de Old Trafford permanecessem os mesmos.

Desta forma, um ano após a sua chegada à Capital, coroando uma época sensacional no Levante e uma grande Mundial, Keylor Navas tinha assim as portas da titularidade de um dos colossos mundiais escancaradas. Sem Casillas, a chegada da De Gea deveria colocar o Costa-riquenho na porta de saída, mas o tal minuto fez com que o "Portero de Cristo" (assim chamado devido à sua elevada religiosidade) se visse perante a grande oportunidade da sua vida. E não a desperdiçou. Pouco a pouco, foi acumulando jogos com a baliza a zero (sofreu apenas 3 golos em 12 partidas disputadas), com atuações brutais, tendo já dado inúmeros pontos aos Blancos. São casos disso  as vitórias ante o Athletic de Bilbau, o Celta de Vigo ou o Granada, ou o empate contra o Atlético no Calderón, no qual defendeu um penalti de Griezmann. Com características físicas extraordinárias (muito ágil e com uma potência muscular tremenda), Keylor tem o Bernabéu aos seus pés, vindo mesmo de Espanha notícias que dão conta da vontade da direcção em aumentar o seu salário e prolongar a extensão do contrato.

Depois de um Verão atribulado, sempre à espera do momento da chegada de De Gea para dizer adeus ao Real, Keylor conseguiu lidar com o estigma de não ter sido o "preferido" da cúpula Madridista, agarrando-se com "unhas e dentes" à oportunidade que se lhe apresentou pela frente, invertendo por completo o cenário existente (com ele nesta forma será difícil aos Madridistas justificarem um chorudo investimento em De Gea em 2016). Graças à excelência das suas prestações, Keylor Navas passou de uma saída anunciada para ser o guarda-redes em melhor forma na Europa.

Pedro Barata

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