Campeão antes do apito inicial

Tão depressa começou como acabou. Num ápice a corrida pelo título de campeão da Bundesliga ficou praticamente sentenciada e se dúvidas houvesse de que o Bayern de Munique é a maior potência do futebol germânico, este fim-de-semana foram dissipadas.

A hegemonia dos bávaros dentro de portas, inaugurada ainda durante o mandato de Jupp Heynckes e perpetuada por Pep Guardiola, é de tal forma incontestável que o epíteto de Gigante da Baviera começa a ser liliputiano para retratar fidedignamente o poderio deste Bayern de Munique. A Bundesliga tornou-se num passeio de 34 jornadas para a equipa da Baviera e os restantes 17 concorrentes mais não podem fazer do que resignar-se, na melhor das hipóteses, com o segundo lugar do pódio. Mas será esta a Bundesliga que os alemães desejam? Melhor ainda, será esta a Bundesliga que o mundo deseja?

À priori, a Bundesliga reúne todas as condições para ser uma das competições mais excitantes do planeta: as equipas dispõem de boas condições económico-financeiras, os estádios estão, semana após semana, quase lotados, os jogadores de qualidade abundam… No entanto, como é que a liga vai cativar o interesse do público, nacional e estrangeiro, quando a 8 meses do final da competição já todos sabem quem será coroado campeão?! Como é que uma competição vai cativar o interesse do público quando carece, ironicamente, de competitividade?!

Podemos, legitimamente, defender que tal supremacia obrigará os demais clubes a progredir qualitativamente, pois, só se melhora defrontando os melhores, todavia, esta tese cai por terra quando o clube dominador tem, como Arsène Wenger lembrou, capacidade para destruir qualquer clube que ameace a sua hegemonia: “De momento, o Bayern faz o que quer na Alemanha. Há o Bayern e depois todos os outros (…) eles são O CLUBE e se um clube cresce ao ponto de os ameaçar, eles podem destruí-lo”. Que o digam o Bayer Leverkusen, que, após alcançar a final da Champions League na época 2001/2002, perdeu os seus três jogadores mais influentes para o conjunto bávaro – Michael Ballack, Zé Roberto e Lúcio – e o Borussia Dortmund, que recentemente viu Mario Götze e Robert Lewandowski assinarem pelo seu maior rival.

O mais preocupante neste cenário é que esta tendência irá, ao que tudo indica, agudizar-se: na época 2012/2013, o Bayern Munique venceu o campeonato com 25 pontos de vantagem face ao segundo classificado; em 2013/2014, a diferença ficou-se pelos 19 pontos; na época transata, os bávaros haviam conquistado o título quando ainda faltavam disputar 6 jornadas do campeonato; este ano, levam já 7 pontos de vantagem ao cabo de, apenas, 8 jornadas.

É indubitável que qualquer liga que conte com o concurso de um colosso como o Bayern de Munique se pode auto-proclamar de privilegiada, no entanto, a verdade é que este Bayern está a implodir uma liga que na última década vinha a ombrear com as mais mediáticas competições do planeta, a Premier League e a La Liga.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Pedro Pateira

PS - As melhores equipas por Arsène Wenger: Bayern de Munique (vídeo)

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