Bilhete reservado

Algumas equipas da NBA não são propriamente candidatas ao título, mas a sua ausência dos playoffs seria uma surpresa. Estes conjuntos, normalmente andam algures a meio entre os oito primeiros, e quando chega a altura decisiva, podem criar problemas aos mais conceituados, mas raramente chegam a uma final. Por outro lado, são equipas enigmáticas no que ao mercado diz respeito, pois a meio da temporada podem fazer negócios que lhes permita subir o nível para o tal patamar de excelência em que ainda não estão, ou então efectuar manobras que as obrigue a descer na hierarquia, de maneira a que num futuro próximo possam aspirar a serem ainda mais fortes.

Na conferência de Este, os Toronto Raptors não devem falhar os oito finais. O ano passado acabaram por desiludir na segunda metade da temporada, muito por culpa dos problemas físicos de Kyle Lowry. A grande aquisição foi o ex-Atlanta DeMarre Carroll, de modo a intensificar a capacidade defensiva da equipa. Aliás, tanto no mercado como no draft, a filosofia foi encontrar jogadores que trouxessem mais agressividade à defesa, um dos problemas dos canadianos que, embora vencendo a sua divisão, saíram da fase final logo à primeira. Lowry e DeRozan continuam a ser os motores de uma equipa que perdeu algum poder de fogo com as saídas de Lou Williams e Amir Johnson, e cujos reforços não têm à partida a mesma capacidade concretizadora. O lituano Valanciunas, que tem evoluído favoravelmente de ano para ano, é a outra estrela de uma equipa que não deve ter problemas em assegurar presença para lá da fase regular, mas que pouco mais deve fazer que isso.

Os finalistas vencidos do ano passado, os Atlanta Hawks também não devem ter problemas em chegar à fase a eliminar. O ano passado beneficiaram de um quadro clínico favorável (Horford costuma ficar inactivo durante algum tempo) e de um sistema colectivo sólido para bater a concorrência, mas quando foi a doer, notou-se a falta de qualidade individual necessária para bater uma equipa como Cleveland. Com excepção de Carroll (seria ele ou Millsap a sair), o elenco é o mesmo, pelo que os resultados devem manter-se também eles idênticos. Desde que o seu núcleo duro se mantenha em campo, o seu lugar nos playoffs é mais que garantido. As dúvidas serão quem vai substituir Carroll (Sefolosha, ou Justin Holiday), qual o papel de Splitter (que desiludiu em San Antonio, mas tem físico e talento) e como vai evoluir o jovem Schroder.

Washington está praticamente igual ao 2014/15. John Wall e Bradley Beal são as estrelas da companhia, e enquanto Nene estiver em campo ao lado de Gortat, possuem uma dupla interior de respeito. Prevê-se que Beal possa explodir este ano, bem como o jovem Otto Porter. A saída de Paul Pierce pode ter impacto ao nível de balneário e liderança, mas mesmo com a sua presença os resultados não seriam muito melhores do que são actualmente. E o facto é que isso pouco importa, pois um dos objectivos dos Wizards passa não por vencer no campo mas fora dele, pois colocam-se como um dos principais candidatos à aquisição de Kevin Durant. Todo o mercado foi gerido de maneira a poderem atacar KD, mantiveram o nível salarial com folga, construíram uma equipa recheada de juventude e talento, à qual falta apenas a tal peça... que pode vir de Oklahoma.

De regresso a estas lides deverão estar os Miami Heat. O mercado não foi pródigo em reforços, mas Josh McRoberts e Chris Bosh são regressos de peso. Esta é uma equipa com um cinco inicial muito forte, mas também susceptível a problemas físicos. Wade deve ter doses de descanso regulares, de maneira a minimizar o desgaste e Bosh vem de um problema complicado. Ainda assim, a qualidade global chega e sobra para navegar com calma numa conferência nivelada por baixo. Goran Dragic vai marcar o ritmo de uma equipa envelhecida, mas a história a seguir é certamente a de Hassan Whiteside, uma verdadeira Cinderela. O poste tem de mostrar que o brilhantismo demonstrado não foi obra do acaso, num conjunto em que a profundidade do plantel não é tanta como isso. Os rookies também devem ter tempo e espaço para se mostrar, até porque de reforços como Gerald Green ou Stoudemire pouco se pode esperar.

No Oeste não há muitas vagas disponíveis, mas uma delas ficará de certeza em Memphis. Os Grizzlies voltam a apostar na continuidade, renovaram com Gasol, e trazem mais do mesmo: colectivo e defesa. Não houve mexidas, e o reforço mais "sonante" foi Matt Barnes, que dá um aspecto mais assustador a uma defesa já de si intimidante. Memphis mantém-se como uma das poucas equipas que não opta por um modelo baseado em velocidade e jogadores mais baixos, mantendo o jogo interior como a principal força, o que os torna sempre complicados quando chegam as eliminatórias. Jeff Green pode ser o factor determinante no grau de sucesso, pois é em teoria o mais explosivo de todos os Grizzlies, embora nunca tenha alcançado o potencial que lhe previam. De qualquer modo, Memphis irá, tal como em anos anteriores, alcançar a marca das 50 vitórias com relativa facilidade.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno R.

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