Até Villas-Boas bateu palmas à coligação Brahimi-Corona

FC Porto 4-0 Belenenses (Corona 53', Brahimi 56', Osvaldo 80' e Marcano 87')

Apareceu o Brahimi versão Champions e tudo foi mais fácil, Rúben Neves, fruto da lesão de Maicon, assumiu a braçadeira de capitão aos 18 anos. O FC Porto, que vinha de um deslize em Moreira de Cónegos, cumpriu frente ao Belenenses (4-0) e segurou a liderança na I Liga, colocando assim pressão nos rivais. Os dragões até começaram mal o jogo, a darem a ideia que tinham voltado a instalar o chip do campeonato, mas a partir dos 35 minutos a magia de Brahimi (bem apoiado por Corona) fez a diferença. O argelino desequilibrou, teve alguns lances à Messi, assistiu, marcou e até teve direito aos aplausos de Villas-Boas, que assistiu ao jogo nas bancadas do Dragão. Num jogo em que até deu para Osvaldo (que substitui Aboubakar na 2.ª parte) se estrear a marcar pelos portistas. No Belenenses, Carlos Martins teve vários pormenores de bom nível mas o conjunto de Sá Pinto, que viu Kuca a atirar ao poste quanto estava 0-0, acusou o desgaste, da partida com a Fiorentina, na 2.ª parte.

Quanto ao jogo, o FC Porto entrou a tentar controlar os acontecimentos, mas os comandados de Sá Pinto não se remetiam à defesa e iam conquistando alguns livres perto da área portista. Num deles, surge a 1.ª oportunidade do encontro. Carlos Martins cruza com qualidade e Kuca obriga Casillas a excelente intervenção. O Porto sentia nesta altura alguns problemas para furar a defensiva contrária, mas começou a crescer com o decorrer dos minutos e a conseguir pressionar mais o último reduto do Belenenses. Aos 19 minutos o primeiro aviso, com Corona, após bela jogada (com algumas tabelas pelo meio), a rematar ao lado. Os dragões começaram a meter mais elementos no último terço do terreno, com os laterais Maxi e Layún a subirem bem pelo seu flanco. Num lançamento lateral, André André (depois de um excelente toque de cabeça de Aboubakar) dispara forte, mas à figura de Ventura. Corona (sempre muito eléctrico) e Brahimi iam conseguindo desequilibrar e a grande oportunidade de golo até à altura pertenceu mesmo ao argelino. Descaído para a esquerda, desferiu um grande remate, com a bola a bater na barra, naquele que era um golaço. Na sequência, Maicon remata por cima, quando estava em excelente posição para inaugurar o marcador. O jogo entrava numa fase louca e, aos 36 minutos, os visitantes quase chegam ao golo. Kuca ganha espaço dentro da área e dispara ao poste (a bola ainda desviou em Layún). Pouco depois, Brahimi, em nova jogada individual, tira dois adversários pelo caminho, mas remata desviado da baliza, com a bola a passar em frente à mesma. No entanto, o nulo iria manter-se até ao intervalo, com destaque para a lesão de Maicon no último lance. O 2.º tempo começou como acabou o 1.º. Os portistas entraram pressionantes e com Brahimi a destruir a defesa visitante. Aos 52 minutos, grande jogada do argelino (“dentro de uma cabine telefónica”), mas encontrou a oposição de Ventura. No entanto, o golo viria mesmo a surgir pouco depois, com o mesmo denominador. Mais uma jogada individual de Brahimi, que cruza para Corona abrir o marcador (a bola ainda bateu em Geraldes). O mago argelino estava endiabrado e aos 56 minutos conseguiu mesmo chegar ao golo. Maxi desequilibra na direita e cruza para cabeceamento do homem da noite. O segundo tento colocou uma pedra no resultado, com os dragões a baixarem o ritmo e o Belenenses, claramente desgastado, sem capacidade para reagir. Lopetegui aproveitou para poupar Aboubakar e colocou em campo Osvaldo. O melhor que os forasteiros conseguiram foi uma meia-ocasião, com Luís Leal a chegar atrasado a um cruzamento. No entanto, viria a ser o Porto a fazer balançar as redes de novo, com Osvaldo a estrear-se a marcar. Jogada de Tello pela direita, com o argentino, com um toque subtil (e com classe), a empurrar para dentro da baliza. Já perto do fim da partida, Marcano coroou uma boa exibição com um golo após um canto e estabeleceu o resultado final.

FC Porto - Os dragões aproveitam o adiamento do jogo dos encarnados para reforçar a liderança do campeonato, aumentando provisoriamente a vantagem para 5 pontos sobre o Benfica. A equipa nem entrou bem no jogo (Brahimi parecia apagado e a bola circulava de forma lenta), mas a superioridade individual é tanta que foi uma questão de tempo até a equipa se aproximar com mais frequência da baliza de Ventura. Até ao final da 1.ª parte Brahimi deu o primeiro sinal (atirou à trave), mas o Belenenses ainda conseguia surgir na frente aproveitando as transições rápidas em que os Portistas estavam algo desprotegidos (Kuca  atirou ao ferro e Luís Leal foi aparecendo em situações potencialmente perigosas). Volvidos os primeiros 45 minutos, apareceu um Porto à Champions, beneficiando de um Brahimi endiabrado (fazia o que queria de João Amorim) e um Corona fortíssimo nas diagonais interiores a causar o pânico na zona recuada dos pastéis. Ainda que o meio campo não estivesse ao nível da exibição contra o Chelsea (Rúben Neves falhou alguns passes na 1º parte, mas acabou com um passe delicioso que iria dar o 3.º golo; Imbula e André André não criaram muitos desequilíbrios), a vitória acaba por surgir de forma natural fruto da inspiração individual dos alas e do envolvimento dos laterais (Maxi fez uma assistência e Layún subiu muito, apesar de flectir sempre para o meio). Até final, destaque para a entrada de Osvaldo (que se estreou a marcar pelo Porto), para a assistência de Tello e para o 4.º golo assinado por Marcano, num jogo marcado pela lesão de Maicon e pela estreia de Rúben Neves com a braçadeira Portista.

Belenenses  - Semana negra para Sá Pinto que sofre duas goleadas frente a equipas com ambições e armas manifestamente superiores. Mérito ainda assim para a resistência da equipa na 1.ª parte (Tonel e Gonçalo Brandão estiveram atentos nos duelos) e para a forma como a equipa tentou sair para o ataque, maioritariamente por passes longos de Carlos Martins. O resultado até poderia ser outro caso o remate de Kuca ao ferro entrasse, mas a vitória dos Portistas acaba por ser incontestável em face daquilo que foi a segunda parte. Individualmente, Ventura ainda travou o que pôde, Sturgeon e Luís Leal tentaram mexer com o jogo pela velocidade, mas a equipa foi algo impotente ofensivamente, não conseguindo criar situações suficientes para contrariar a superioridade dos azuis e brancos. 

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