À conquista do Oeste

O Oeste é de longe a mais competitiva das conferências da NBA, e não poucas vezes franchises com saldo positivo ficam fora dos playoffs. Assim, algumas equipas competitivas terão sérias dificuldades em obter o passaporte para a fase a eliminar.

Os New Orleans Pelicans conseguiram-no o ano passado, muito por obra de uma enorme temporada de Anthony Davis. E se o monocelha continuar a mostrar os mesmos predicados, a história deve repetir-se. O plantel é praticamente o mesmo, mas o banco é reforçado com Alvin Gentry, ex-adjunto de Golden State. A tarefa mais premente é melhorar uma defesa que, mesmo tendo dois especialistas no meio (Davis e Asik), é das mais permeáveis da Liga. Os problemas físicos são um eterno problema, sendo que Davis já teve as suas mazelas, Eric Gordon também é cliente da enfermaria, e há sérias dúvidas quanto à real capacidade de Jrue Holiday. De qualquer modo, a evolução (ou regressão) dos Pelicans será tão grande quanto a de Davis.

Os Dallas Mavericks partem igualmente com aspirações, mas as interrogações são mais que as exclamações de força. Dirk não caminha para novo, Deron Williams é uma sombra do que foi, e Matthews e Parsons regressam de cirurgias recentes. A aposta em Rondo foi um desastre, e o debacle DeAndre Jordan não ajudou em nada a causa de Mark Cuban em montar uma equipa de nível em redor do astro alemão. Dallas mais uma vez teve de optar por planos de recurso (os postes serão Pachulia, Dalembert e McGee) e apostas quase de fé, e a não ser que tudo corra na perfeição, ou seja, sem lesões e com os jogadores a actuarem à altura do seu potencial, será ultrapassado por oponentes em ascensão.

E uma dessas equipas é dos Utah Jazz. Utah não fez grandes ondas no mercado, optando por manter um núcleo que deu boa conta de si após a troca de Enes Kanter. O plano já levou um rombo com a lesão de Exum, que vai falhar a temporada, mas as grandes aspirações centram-se na dupla Favors-Gobert, esperando os Jazz que o francês se mostre uma das referências defensivas da competição. Aliás, o sucesso da equipa vai depender quase na totalidade da sua eficácia defensiva, visto que as opções ofensivas deixam algo a desejar. Não existe um marcador de pontos por excelência, nem especialistas no tiro longo. A equipa é jovem e atlética, e invulgarmente alta para os parâmetros actuais, o que pode criar alguns problemas. Se a defesa se mantiver em bom nível, e jogadores como Hayward e Burks conseguirem ser fiáveis no ataque, este pode ser o regresso de Utah aos playoffs.

Phoenix surpreendeu tudo e todos há dois anos, mas pareceu regredir um pouco o ano passado. As grandes jogadas de mercado passaram pela aquisição de Tyson Chandler e pela renovação de Brandon Knight, o que indica confiança na dupla Knight-Bledsoe. A receita continua a mesma, visto que os Suns não possuem grandes estrelas, e devem valer pelo colectivo e sustentar-se na evolução dos seus jovens jogadores. TJ Warren e Alex Len terão de mostrar mais, e a própria aquisição de Chandler pode ser entendida no plano de funcionar como mentor dos mais jovens. Uma das novelas correrá à volta de Markieff Morris, que não ficou muito agradado com a saída do seu irmão. Os Suns têm bastantes armas no ataque, e com Chandler (e talvez Len), a sua defesa ficará menos permeável perto do cesto. Dúvidas há quanto à eficácia da dupla de bases (é bom que funcione, pois ambos são caros), e à capacidade de Chandler em manter-se livre de lesões, ele que também está na curva descendente da carreira. Se tudo correr bem, Phoenix pode bem fechar o 8.º posto, caso contrário, candidatos não faltam ao lugar.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno R.

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