9: Póquer e Manita

O passe sai torto, o remate desenquadrado e o drible só serve para ludibriar a si mesmo. Desmarcar-se torna-se sinónimo de caír em fora de jogo e o carinho confunde-se com uma entrada ríspida. Quando as coisas estão mal, corre mesmo tudo mal. Todavia, a qualidade, essa, não se evapora. Encontra-se no lugar de sempre e apenas a pedir um clique. A pedir um grande momento. A partir daí, funciona a "lei do ketchup" e que nem um golpe de magia, os atributos vêm ao de cima uma vez mais. É tudo uma questão de motivação, e para Sterling e Wijnaldum, dois talentosos jogadores dos quais se esperava mais neste início de temporada, um golo revelou-se fundamental para escapar ao momento mais adverso. O holandês marcou 4 ao Norwich, enquanto que o inglês com o seu hattrick contribuiu para a "manita" do City frente ao Bournemouth, resultado que permitiu aos Citizens (que vem numa sequência de 11 golos em 2 jogos) segurar a liderança da Premier League. Foram as duas (improváveis) figuras de uma jornada que viu os quatro mais fortes candidatos ao título vencer em simultâneo e por margens consideráveis. Algo inédito esta época. Se no Ethiad houve Sterling, em Stamford Bridge apareceu Diego Costa. Se em Watford reinou a paciência, em Goodisson Park não faltou pragmatismo. Demonstrações de força que apenas vêm apimentar uma Liga que vê o West Ham cimentar o estatuto de outsider. A equipa dos jogos difíceis sobreviveu à selva do Selhurst Park e já nos minutos finais alcançou mais três pontos.

Num mundo à parte, a estreia de Klopp. Normal, como o próprio se intitulou. O treinador que deixou tão entusiasmados adeptos de Reds como adversários pelo simples ingresso na Premier League, ou não fosse um dos mais competentes e carismáticos técnicos da Era Moderna, já deixou algumas marcas suas. Alguns jogadores mostraram-se mais, notou-se maior solidez e domínio territorial em várias fases da partida, embora o nulo tenha-se tornado numa inevitabilidade. Há que dar tempo ao tempo. E o mesmo pedirá Sam Allardyce, que na estreia pelo Sunderland viu a sua nova equipa ser superior no primeiro tempo mas traída por um tento, no mínimo duvidoso, no segundo. Mais um de Berahino. E mais dois de Vardy em Saint Marrys. O desfecho marcou um empate mas também o primeiro golo português da Liga. Já em St. James Park, houve festa do golo e Wijnaldum foi rei. No desfecho da ronda, o Swansea confirmou a tendência e não sabe vencer dese que derrubou os Red Devils, contrastando com o Stoke que soma a sempre notável marca dos três triunfos seguidos.

Onze Ideal da jornada 9 da Premier League: De Gea (Manchester United); Brunt (West Brom); Sakho (Liverpool); Smalling (Manchester United); Bellerín (Arsenal); Sissoko (Newcastle); Wijnaldum (Newcastle); Lanzini (West Ham); Sterling (Manchester City); Vardy (Leicester) e Diego Costa (Chelsea)
MVP: Wijnaldum (Newcastle). Poucos são os médios no mundo a se incorporar tão bem no ataque e a demonstrar uma finalização tão apurada como a do internacional holandês. Na ressaca da não-qualificação para o Europeu e de um começo de ano que não estava a corresponder às expetativas, foi no momento menos esperado que o médio ofensivo dos Magpies puxou dos galões e marcou quatro importantes golos naquela que foi a primeira vitória da sua equipa para o campeonato.
Jogador a Seguir: Berahino (West Bromwich). O mercado é por norma conturbado para muitas personalidades mas para o jovem britânico foi especialmente difícil. No desejo de ser contratado por um clube de maiores aspirações, o mesmo chegou a afirmar que não jogaria mais pelos Baggies caso não fosse transferido. Não se sucedeu nem uma coisa nem outra. Os milhões oferecidos pelo Tottenham revelaram-se insuficientes e o atrito existente entre jogador e clube parece ultrapassado. Concentrado no que mais sabe fazer, que é jogar à bola, Berahino revelou-se uma vez mais fundamental na obtenção dos três pontos. Um avançado completo, com facilidade em fazer qualquer uma das posições mais adiantadas do terreno e denotando elevado oportunismo. Pantilimon que o diga.
Treinador da Jornada: Louis Van Gaal (Manchester United)
Melhor Jogo: Crystal Palace vs West Ham (1-3)
A Desilusão: Everton. A partida que sentenciou a derrota neste fim-de-semana frente ao Man Utd (0-3) foi menos desequilibrada do que aquilo que o resultado pode levar a pensar, mas perder desta forma, e em casa, é inadmissível. Exige-se maior audácia no ataque e na defesa não se pode conceder tantas facilidades. A atitude demonstrada na receção ao Chelsea não deve se ficar por aí ou então resultados como este podem perfeitamente se repetir. Roberto Martinez tem nesta equipa um conjunto mais equilibrado do que o do transato ano, mas ainda distante daquilo que foi o Everton aquando da sua estreia ao comando dos Toffees.
Menção Honrosa: Vardy. Estamos a falar de um "rapaz" de 28 anos, que teve uma adolescência complicada e chegou mesmo a ter problemas com a polícia. Estamos a falar de um homem apaixonado por futebol que fez uso dessas más experiências para ganhar maturidade. Sempre com uma bola junto a si, viu o Leicester abrir-lhe as portas do estrelato. A estreia na Premier League, no entanto, não lhe reservou mais do que uma mão cheia de golos. Mas hoje, falamos do melhor marcador da "mãe" dos campeonatos em Inglaterra. O 9 do Leicester, tem tantos golos marcados como encontros disputados. Nove, também. Lidera de forma destacada a tabela de melhores marcadores e até já se encontra na pole position para ganhar um lugar para o Europeu de França. Realce para o seu sentido de desmarcação. Em suma, uma sensação na verdadeira aceção da palavra.

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