2016 pode ser de Ouro. Mas atenção aos "braços cruzados"

Em 2016, o foco das atenções portuguesas não estará só no Europeu de França, em que a selecção de Fernando Santos deverá tentar limpar a má imagem deixada no Mundial do Brasil. Com o apuramento garantido, o seleccionador nacional tem tempo de sobra para preparar a competição. Mas o mesmo não se pode dizer de Rui Jorge, o timoneiro da equipa de sub-23 que irá representar Portugal nos Jogos Olímpicos do Rio. Com a base de qualidade que temos à disposição, seria lógico podermos sonhar com a possibilidade de quebrar o jejum em competições internacionais, mas a inexistência de condições para a preparação podem hipotecar as nossas chances.

É certo que os sub-23 não são um escalão de grande importância para a FPF, até porque não há competições oficiais. Mas, a apenas um ano dos Jogos Olímpicos, faria sentido que existisse um esforço adicional para ajudar Rui Jorge a fazer a triagem e, sobretudo, a criar rotinas numa equipa que irá representar Portugal na maior competição desportiva, algo que outros países têm feito (o Brasil ainda ontem venceu a República Dominicana por 6-0). Ignorando a preparação, vamos ter de confiar que a base dos sub-21 que conseguiu o apuramento - e que agora, no período de transição, não tem feito qualquer jogo como selecção - vai manter a forma que apresentou no Europeu e só assim poderemos sonhar com uma medalha.

À excepção de André Gomes, Bernardo Silva, João Mário e Raphäel Guerreiro (para além de William que, por ser de 92, nem sequer tem a presença nos JO garantida), os jogadores que têm feito parte das opções de Fernando Santos, a maior parte dos elementos que irá ao Brasil não vai ter a possibilidade de dar continuidade àquilo que fizeram ao serviço da selecção de sub-21 no último Europeu. Do 11 titular, José Sá, Paulo Oliveira, Sérgio Oliveira (ambos na mesma situação de William), Ilori, Esgaio ou Cavaleiro (é internacional AA, mas neste momento está fora das contas) estão na fase de passagem do escalão anterior para a selecção principal, sendo que, com a preparação para o Europeu de França, dificilmente merecerão oportunidades de Fernando Santos nos próximos tempos. Assim sendo, tendo em conta que também já não podem jogar pelos sub-21, farão a preparação para o Rio "em casa". Será justo pedir medalhas a uma equipa que simplesmente não jogou junta no período de 1 ano (a prova realiza-se em Agosto), mesmo que haja qualidade individual de sobra? É de esperar que, com o aproximar da competição, a FPF abra os olhos para esta situação, mas, com a presença de alguns jogadores no Euro, será impossível para Rui Jorge ter todos os jogadores à disposição para preparar convenientemente a participação portuguesa.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): T. Cunha

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