10 craques a seguir no Mundial sub-17

A 16.ª edição do Campeonato do Mundo sub-17 vai disputar-se no Chile entre 17 de Outubro e 8 de Novembro. A prova destina-se a atletas nascidos a partir de 1 Janeiro de 1998 (Júniores de 1.º ano), sendo na sua grande maioria preenchida por jogadores nascidos nessa geração, havendo ainda espaço para algumas excepções de 1999.

Apesar de ser a 1.ª montra internacional de escalões jovens, tem sido uma competição com uma "taxa de sucesso" mais reduzida que, por exemplo, os europeus sub-19 ou mundiais sub-20, algo compreensível e expectável dada a precocidade com que muitas promessas chegam a esta competição (é completamente diferente traçar o potencial de um atleta aos 16 anos do que aos 18, 19 ou 20). Ainda assim, é uma prova que recebeu, há 6 anos, nomes como Isco, Morata, Gotze, Neymar, Joel Campbell ou Mustafi ou, mais recentemente, na última edição, a de 2013, elementos como Boschilia, Nathan, Iheanacho, Alen Halilovic ou o portista Raúl Gudinõ. Outra particularidade da competição é a ausência de domínio de selecções europeias, é até frequente ver grandes potências do futebol de formação fora desta fase final. Nas 15 vezes em que o mundial foi disputado, apenas em 3 ocasiões foi conquistado por nações do velho continente, sendo de realçar o domínio das selecções Africanas (Nigéria é tretacampeã mundial e tem 3 finais perdidas, o Gana é bicampeão e soma mais 2 vice-campeonatos ) e, obviamente, a natural predominância de selecções do outro lado do Atlântico (México e o habitual Brasil). Mesmo tendo em conta todos estes factores, indicamos 10 nomes que podem dar nas vistas no país mais estreito do mundo:

Jay DaSilva (Inglaterra) - Na ausência de Reece Oxford (estreou-se na Premier League com 16 anos), o lateral esquerdo do Chelsea é, provavelmente, o jogador mais cotado desta geração Inglesa. Considerado por Ian Wright (ex-jogador do Arsenal) melhor que qualquer lateral da Premier League, o então juvenil de 2.º ano foi um dos grandes destaques da vitória dos Ingleses na Youth League 2014/2015, mostrando ter todas as características para vingar no futuro: Forte no momento ofensivo, procurando tanto movimentos pela lateral como pelo centro do terreno e muito compenetrado defensivamente. Uma época depois é titular na equipa de reservas dos Londrinos, baixando em jogos europeus dos Júniores onde até tem actuado como médio-ala, algo que parece estar a baixar o seu rendimento. Esta selecção dos três Leões, que até parece inferior a de 97, tem ainda nomes como Marcus Edwards ou Chris Willock que deixaram excelentes indicações no passado europeu da categoria.
Wout Faes (Bélgica) - Basta ver um minuto de Faes e rapidamente se entendem as constantes comparações a David Luiz. Começando no peculiar penteado e passando pela forma como tenta sair a jogar, o capitão dos sub-17 Belgas procura imitar o seu ídolo em tudo o que faz. Para além da facilidade que revela com bola, o "David Luiz Belga" mostra grande aptidão na disputa de lances pelo ar, assim como na capacidade de antecipação. Quem também merece destaque na geração de 98 dos Diabos Vermelhos são Ismail Azzaoui (um dos mais desequilibradores do último europeu) e Alper Ademoglu (número 8 que mostra muito critério com bola, apesar de ser pouco agressivo a atacar o espaço).
Odsonne Edouard (França) - O avançado do PSG saiu da Bulgária com o título de melhor jogador e marcador do europeu, chegando, por isso, ao mundial da categoria como a principal figura da selecção Gaulesa. Os seus 8 golos em apenas 5 jogos (alguns de belo efeito e com recurso a lances acrobáticos) foram decisivos na caminhada até ao título. A seu lado tem nomes como Luca Zidane (guarda-redes que tem sido mal batido nos últimos jogos da selecção), Timothé Cognat (capitão de equipa), Nanitamo Ikone (colega de equipa de Edouard e um dos extremos titulares) ou Upamecano (um central na linha da última fornada dos Les Bleus, rápido, agressivo e difícil de bater nos duelos individuais).
Felix Passlack (Alemanha) - O versátil jogador do Borussia Dortmund é, a par de Frommann e Niklas Schmidt, a grande referência da geração de 98 da Mannschaft. Ainda que já tenha sido apresentado neste espaço, vale a pena relembrar as virtudes do defesa/extremo direito que promete ser aposta de Tuchel a curto prazo. Da já conhecida versatilidade sobra um estilo tipicamente germânico em que não há muito espaço para o virtuosismo, mas antes para acções conduzidas a grande velocidade e eficiência, aproveitando também a aptidão no momento em frente à baliza.(foi o 2.º melhor marcador da competição continental apenas atrás de Edouard).
Tomás Conechny (Argentina) - Nem começou o Sudamericano sub-17 a titular, mas em boa hora agarrou o lugar na equipa, já que viria a acabar como o jogador mais preponderante da Albiceleste. O avançado do San Lorenzo é a maior esperança da Argentina para conquistar o título que lhe falta e, apesar de uma campanha algo abaixo das expectativas na fase de qualificação, chega ao Chile como uma das principais candidatas. Certo é que o jovem esquerdino pela sua qualidade técnica e velocidade de execução parece estar no trilho dos grandes nomes do futebol Argentino.
Sergio Diaz (Paraguai) - Aos 16 anos já era figura no Cerro Porteno e o caso não era para menos. As comparações a Kun Aguero chegaram cedo, tanto que ficou com a alcunha de "El Kun", e apesar de parecer algo exagerado, o avançado móvel Paraguaio tem algumas semelhanças no estilo de jogo: Forte a sair do centro do terreno e a cair nas alas, inteligente a procurar os apoios frontais e, obviamente, com um toque de bola acima da média. Tudo leva a crer que pode ser um dos maiores destaques da prova e aumentar ainda mais a sua cotação no mercado (já foi associado à Roma e continua a ser negociado por vários clubes).
Pablo López (México) - Grande parte das esperanças Mexicanas estão depositadas no médio ofensivo do Pachuca que foi absolutamente instrumental na caminhada até ao mundial. E, este ano, no Chile, um cenário melhor que 2013 passa pela conquista do título mundial perdido para a então Nigéria. A herança é pesada, mas López terá o papel de seguir as pisadas de outros craques Mexicanos que costumam brilhar neste escalão, tais como Giovani dos Santos, Carlos Vela ou Héctor Moreno.
Lee Seung-Woo (Coreia do Sul) - O nome do Coreano veio à baila pelas más razões (proibição de transferência de jogadores por parte do Barcelona), mas nesta ocasião terá a oportunidade para provar a razão do alarido à sua volta e a rotulagem de "Messi da Coreia". Pelo seu papel no Campeonato Asiático sub16 (5 golos e 4 assistências), vale a pena acompanhar as pisadas do extremo/avançado formado em La Masia.
Lincoln (Brasil) - Aos 16 anos impressionou Scolari ao ponto de ficar chocado com a sua tenra idade e agora já integra a equipa principal do Grémio. Várias vezes utilizado no campeonato Gaúcho e Brasileirão, o craque Brasileiro caracteriza-se pela rapidez de movimentos e pelo 1vs1 pelo centro do terreno. Num Brasil que procura referências a curto prazo, Lincoln, Leandrinho (outra peça chave da Canarinha que se juntará à Udinese quando fizer 18 anos) e Evander Ferreira prometem fazer estragos no último terço.
Nikola Moro (Croácia) - Numa selecção cujo 11 habitual é constituído apenas por jogadores do Dínamo Zagreb, o capitão de equipa é Moro. Número 10 num 4-2-3-1 é uma das figuras do elenco que mostrou mais futebol no anterior europeu sub-17 (responsável pelo afastamento da selecção nacional no apuramento e apenas caiu nas grandes penalidades) e, ao lado de nomes como Brekalo, Lovren (irmão do central do Liverpool) ou Sosa promete ser um dos grandes destaques do torneio, ainda que a fase de grupos pareça ser um duro obstáculo (enfrenta a equipa da casa, a sempre temível Nigéria e os Estados Unidos da América).

VM Scouting: João Magalhães e Rui Valente

Quadro do Mundial: Grupo A: Chile, Croácia, Nigéria e EUA
Grupo B: Brasil (campeão sul-americano), Inglaterra, Guiné e Coreia do Sul
Grupo C: Austrália, Alemanha, México (campeão da Concacaf) e Argentina
Grupo D: Bélgica, Mali (campeão africano), Honduras e Equador
Grupo E: Costa Rica, Coreia do Norte (campeão asiático), Rússia e África do Sul
Grupo F: Nova Zelândia (campeão da Oceânia), Síria, França e Paraguai

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