Tinha de ser André André; FC Porto de Lopetegui quebra jejum contra o Benfica e foge ao rival; Encarnados foram melhores no 1.º tempo mas na 2.ª parte pouco incomodaram; Entrada de Varela desequilibrou o Clássico; Aboubakar voltou a estar em destaque; Casillas disse presente na 1.ª parte; Jovens Guedes e Semedo deram uma boa resposta, mas a equipa foi-se encolhendo

FC Porto 1-0 Benfica (André André 85')

Num Clássico com duas caras, que acabou por premiar a equipa que mais tentou no 2.º tempo, apesar de Lopetegui ao tirar Aboubakar até ter dado a ideia que não ia arriscar, o FC Porto quebrou o jejum frente ao Benfica e deixou as águias a 4 pontos da liderança. André André já perto do fim deu sequência à sua grande exibição e marcou o único golo do encontro. Duelo intenso, com as picardias habituais, que apresentou um Benfica superior no 1.º tempo, fase em que Casillas respondeu com duas grandes intervenções, e um FC Porto frenético na 2.ª parte que, principalmente com a entrada de Varela, foi criando oportunidades, teve um Aboubakar versão locomotiva, e que acabou por converter esse ascendente num golo. Vitória voltou a dar a titularidade a Gonçalo Guedes e o extremo, tal como Semedo, deu uma excelente resposta (foi dos elementos da frente o único a reagir na 2.ª parte), já Lopetegui apostou num trio Neves-Imbula-André, mas os portugueses estiveram melhor que o Sr. 20 milhões.

Quanto ao encontro, o FC Porto começou a tentar mandar mas foi o Benfica a criar as primeiras e únicas oportunidades na 1.ª parte. Ambas por Mitroglou, na sequência de cantos, mas nas duas Casillas disse presente. O Benfica com esses 2 lances cresceu, sempre com as linhas subidas ia dificultando a saída de bola do FC Porto e tendo o domínio do jogo, até ao nível mental, já que durante 20 minutos foi visível a ansiedade e falta de ideias do conjunto de Lopetegui. No entanto, também não conseguiu converter esse ascendente, só tendo uma semi-oportunidade quando Mitroglou chega atrasado a um cruzamento de Guedes. Em cima do intervalo, duas situações, na 1.º Marcano fica na cara de JC, com o guardião a responder com uma grande defesa apesar do lance ter sido anulado por fora de jogo, na 2.º, em cima do apito, Maicon quase acerta com o pé na cabeça de Jonas, tento provocado com isso um tumulto que se previa complicado, mas que acabou por ser sanado. No 2.º tempo, o jogo foi diferente. Logo a abrir, numa boa jogada entre Corona e André André, o português com um grande cruzamento coloca nas costas de Luisão mas Aboubakar de cabeça acerta no poste. Pouco depois, Aboubakar, isolado pelo inevitável André, ganha na corrida a Jardel, isola-se mas Julio César defende, no entanto, a bola ainda fica viva, sem ninguém na baliza, mas Aboubakar escorrega e perde tempo e quando se tenta equilibrar remata mal. Lopetegui senta o apagado Corona e lança Varela e depois de uma fase de bola cá bola lá, mas sem grandes oportunidades, e já sem Guedes em campo, que tinha estado nos 2 melhores lances do Benfica nesta fase: 1.º testou Casillas depois colocou na cabeça de Mitroglou, mas a bola passou um pouco por cima da baliza portista; o FC Porto volta a crescer, acelera muito o jogo, primeiro vai testando pelo irregular Brahimi e, já depois de Lopetegui ter sido assobiado por ter tirado Aboubakar para colocar Osvaldo, numa jogada que começa num ressalto trapalhão de Pizzi no meio campo, Brahimi toca para Varela que com um toque subtil de calcanhar isola André, tendo o português, na cara de Júlio César, feito o 1-0. Ainda faltavam jogar 5 minutos (mais 3) mas o resultado não se alterou.

FC Porto - Primeira vitória de Lopetegui sobre o Benfica, a qual deixa os Dragões na liderança do campeonato e dá um ascendente emocional sobre o rival que na época passada foi, em grande parte, perdido justamente no clássico da primeira volta. A exibição esteve longe de ser perfeita, aliás, no primeiro tempo o FC Porto foi inferior ao Benfica, já que a equipa tinha muitas dificuldades em circular a bola, caindo demasiadas vezes no erro de jogar com excessiva velocidade e vertigem, não conseguindo definir bem as suas acções. Contudo, a partir da parte final do primeiro tempo e, sobretudo, na segunda parte, o conjunto de Lopetegui melhorou, passou a conseguir jogar mais no campo dos Encarnados, empurrando-os para trás e, já depois de ter desperdiçado duas excelentes oportunidades, marcou mesmo o golo do triunfo, selando uma segunda parte em que foi claramente superior. Individualmente, Iker Casillas disse presente, evitando que a equipa sofresse golos logo no início com duas excelentes defesas, ao passo que Maxi tentou não dar espaço a Gaitán, mas esteve algo discreto no ataque. Rubén Neves não dispôs de tanto protagonismo na circulação como é habitual, mas ainda assim esteve sempre preciso no passe, enquanto Imbula exagerou no transporte, não soltando a bola quando era a melhor opção (aspecto que melhorou na segunda parte). Já André André é o homem do jogo: muito activo, sempre disponível na recuperação, com critério no passe, sabendo descobrir os espaços para entrar no jogo, o ex-Vitória de Guimarães deu duas bolas de golo a Aboubakar e, mesmo no fim, apareceu bem na cara de Júlio César e não tremeu na finalização. Na frente, Corona jogou muito tempo na faixa central, mas teve pouco impacto na partida e Brahimi esteve intermitente, travando demasiado o jogo quando recebia a bola, procurando o drible, não passando quando era preciso e tomando más decisões, mas na parte final agitou e está na génese do lance do golo. Finalmente, Aboubakar voltou a dar uma bela resposta (muito bem a cair nas alas e a ligar-se com o resto da equipa, fazendo valer a sua força para criar estragos), mas falhou na finalização e Varela entrou bem no jogo, coroando essa boa entrada com a assitência para o golo da vitória.

Benfica - Derrota que deixa sabor amargo, porque a equipa fez um bom primeiro tempo mas que penaliza o encolher dos Encarnados ao longo da partida, que na segunda parte quase não circularam a bola no meio-campo rival. Rui Vitória perde o segundo clássico da temporada e vê o FC Porto (e o Sporting, se vencer amanhã) a 4 pontos. A equipa entrou muito bem no jogo, com personalidade, condicionando muito bem a circulação do adversário e, em posse, tendo a virtude de não se precipitar, jogando de forma apoiada e com critério. Nesta fase, o golo só não surgiu por mérito de Casillas. No entanto, houve alguma incapacidade para reagir ao crescimento do FC Porto, passando as Águias a jogar cada vez mais recuadas, sem capacidade de sair para o ataque, acabando mesmo por sofrer o golo perto do fim. Individualmente, Júlio César esteve bem quando foi testado, ganhando um duelo a Aboubakar e sem ter culpas no golo, e, na defesa, Semedo leva igualmente nota bem positiva, já que se apresentou muito concentrado e forte no um contra um. A dupla Luisão - Jardel esteve confortável na primeira parte, mas na segunda sofreu com Aboubakar (no lance que termina no poste o capitão perde a marcação do camaronês e na jogada em que JC defende é Jardel quem se deixa ultrapassar). André Almeida esteve certinho, justificando a aposta, e Samaris foi dos melhores do Benfica (sempre bem posicionado e contribuindo para a boa circulação de bola no melhor período do colectivo), ao passo que Gonçalo Guedes não acusou a responsabilidade, aliás, o jovem não só foi sempre solidário a defender como, no ataque, foi a unidade que mais fugiu da inércia do segundo tempo, passando os melhores momentos pelos seus pés. Gaitán, desta feita, não fez a diferença, tal como Jonas, que foi massacrado com faltas. Já Mitroglou esteve muito activo e mexido, não só a finalizar (3 momentos de perigo) como ainda com boa qualidade quando baixava um pouco.


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