Teve de ser Gaitán a resolver; Mitroglou também voltou a marcar mas Benfica não descansou para o Clássico; Jonas esteve apagado; Meio campo foi passivo; Eliseu deu muito espaço

Benfica 2-0 Astana (Gaitán 51' e Mitroglou 62')

Neste Benfica só custa o primeiro. A exibição encarnada ia sendo medíocre até chegar à vantagem frente ao Astana, mas o golo de Gaitán, após uma arrancada ao seu estilo, permitiu aos encarnados serenar e conquistar os primeiros 3 pontos na Liga dos Campeões. Frente a um adversário com limitações claras, o argentino foi, mais uma vez, o grande destaque da equipa de Rui Vitória (em estreia na competição), assumindo as despesas de todo o ataque num jogo em que Talisca não correspondeu no meio campo. A preparação para o clássico não foi tão "descansada" como se previa. 

A primeira parte do Benfica não foi o que se esperava depois da goleada ao Belenenses. Na verdade os únicos lances perigosos dos encarnados resultaram através de iniciativas individuais de Jonas, ambas travadas pelo guardião contrário, já que a ligação do meio campo com o ataque não funcionou. Talisca esteve mal no capítulo do passe, Guedes, que voltou a ser aposta, esteve muito preso ao flanco direito, e só Gaitán mostrou qualidade no ataque do conjunto de Rui Vitória. Os cazaques iam-se fechando bastante bem, embora não tenham constituído uma ameaça séria para Júlio César. Na segunda parte, aí sim, o guarda-redes brasileiro apanhou um calafrio, com o recém-entrado Shetkin a atirar ao poste. Mas o génio de Gaitán continuava à solta e foi suficiente para as águias passarem para a frente do marcador; arrancada espectacular do argentino, que fuzilou Eric de pé esquerdo. Nos minutos seguintes finalmente se viu um pouco da qualidade que o Benfica tinha mostrado frente ao Belenenses. Mitroglou avisou de cabeça e à segunda oportunidade fez o 2-0, encostando um cruzamento de Eliseu. Até final, apesar de uma tímida reacção do Astana, foi Jiménez a ficar à beira do golo num lance em que Gaitán ficou deitado no chão. Tudo não passou de um susto. 

Destaques:

Benfica - Os encarnados tornaram difícil o que parecia fácil à partida. Foi uma exibição pouco convincente da equipa de Rui Vitória antes da deslocação ao Dragão e o jogo nem serviu para gerir esforços. O adversário não dava a maior motivação possível, mas num jogo de Liga dos Campeões, em casa, o nível apresentado durante a primeira parte pode ser fatal. O Benfica é, nesta altura, uma equipa altamente dependente da qualidade de Gaitán, e isso voltou a comprovar-se, com o argentino a fazer uma exibição de luxo. Com Jonas menos participativo do que é habitual, apesar de ter tido alguns lances em que acrescentou classe, o extremo teve de inventar praticamente tudo o que aconteceu no ataque do Benfica, fruto da exibição apagada de Talisca, incapaz de fazer a diferença no transporte e no passe. O mesmo não se pode dizer de Samaris, que apresentou qualidade na saída de bola e revelou inteligência posicional durante grande parte do encontro. Defensivamente, o adversário não criou grandes problemas, mas Eliseu ainda teve dificuldades no primeiro tempo perante a oposição de Dzholchiev. O lateral-esquerdo acabou por sair por cima e na etapa complementar compensou com uma grande participação ofensiva, tal como Nélson Semedo do outro lado. Nota ainda para Guedes, que voltou a merecer a confiança de Rui Vitória. Fez uma exibição discreta.

Astana - A equipa até esteve bastante bem organizada na primeira parte, mas o golo do Benfica desmontou a estratégia preparada (que sofreu um rude golpe com a lesão de Kabananga, o farol ofensivo para o jogo directo) e aí perceberam-se as limitações dos estreantes na prova milionária. Quando os encarnados resolveram acelerar, os cazaques sofreram bastante, sobretudo o lateral Ilic, que vai ter pesadelos com Gaitán. Maksmimovic e Cañas são uma dupla de meio campo interessante (especialmente o sérvio, campeão do mundo de sub-20), mas estiveram quase totalmente concentrados em tarefas defensivas e deixaram o ataque entregue às iniciativas de Dzholchiev, extremo com alguma qualidade (talvez o melhor da equipa). Destaque também para o guarda-redes Eric, que venceu o duelo particular com Jonas e não teve culpas na derrota. 

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