Sporting sem nota artística mas eficaz

Rio Ave 1-2 Sporting (Yazalde 69'; Adrien 10' g.p. e Slimani 38')

Este Sporting (ainda) não encanta mas continua a somar e com a vitória em Vila do Conde voltou a juntar-se ao FC Porto na liderança da I Liga. Um resultado (2-1) que valoriza a eficácia dos leões (os primeiros 2 remates resultaram em 2 golos, quando o conjunto de Pedro Martins já tinha rematado por 6 vezes) frente a um Rio Ave que teve melhores oportunidades até aos 85 minutos e que foi superior durante uma boa parte do encontro. Jesus surpreendeu ao dar a titularidade a Esgaio e Aquilani, sentando João Pereira e João Mário, mas sem ser Slimani as notas positivas foram quase nulas. Ruiz muito apagado, Carrillo menos influente, e a defesa, com Esgaio, Jefferson e Oliveira, em destaque, a cometer muitos erros; Do lado dos vilacondenses, a velocidade e técnica dos elementos do ataque fez a diferença, mas faltou traduzir as oportunidades em golos. Adrien, na 4.ª penalidade do Sporting em 4 jogos, voltou a dizer presente; Kayembe desequilibrou na 2.ª parte.

Quanto à partida, o Sporting começou logo a tomar conta do jogo e aos 10 minutos depois de uma mão despropositada de Wakaso chegou ao 1-0, com Adrien a converter a grande penalidade. Em desvantagem o Rio Ave cresceu e começou a colocar várias bolas na área do Sporting. Marvin Zeegelaar, numa fase em que o Rio Ave estava melhor, brinca com Paulo Oliveira e em boa posição atira ao poste. Mas, contra a corrente do jogo, o Sporting chega ao 2-0, no 2.º remate que faz à baliza dos vilacondenses (o Rio Ave nesta fase já tinha 6). Jefferson cruza, Cássio sai mal, Capela também tem uma má abordagem e sem ninguém na baliza Slimani só teve de encostar. Os vilacondenses não baixaram os braços, Marvin ia desequilibrando Esgaio e em mais uma iniciativa do ex-Ajax a bola sobra para Wakaso que em boa posição remata contra Aquilani. A 2.ª parte começa com mais uma boa oportunidade para o Rio Ave com Pedro Moreira a cabecear mal depois de um grande cruzamento de Lionn. O Sporting respondeu numa transição com Slimani num belo trabalho individual a ganhar espaço mas depois rematou para defesa fácil de Cássio. Numa fase em que o jogo estava mais partido, Kayembe encontra Yazalde já dentro da área o avançado ser Marvin mas o holandês define mal. Em 2 cantos os leões também criaram perigo, primeiro por Slimani e depois num remate de Aquilani. Mas o Sporting ia cometendo erros defensivos e num lance em que João Mário, que tinha substituido o apagado Ruiz, e Jefferson ficam a ver jogar, Kayembe aproveita para assistir Yazalde para o 1-2. Apesar de Kayembe continuar a desequilibrar Jefferson, na fase final da partida só deu Sporting, que aproveitou o adiantamento do Rio Ave para criar perigo nas transições. Slimani numa das melhores jogadas do Sporting em todo o encontro já com pouco ângulo remata à malha lateral. Depois foi João Mário, numa transição, isolado por Carrillo, na cara de Cássio a desperdiçar o 3-1, na melhor oportunidade do Sporting em todo o jogo. E já nos descontos João Pereira testou Cássio mas o resultado não se alterou.

Rio Ave - Jogo ingrato para Pedro Martins. A equipa, salvo os primeiros e últimos 15 minutos, foi superior ao Sporting, ia acumulando várias oportunidades de golo e acabou por ser traída por 2 lances infelizes. Wakaso e Cássio foram infantis nas suas abordagens, hipotecando, por isso, a possibilidade de um melhor resultado. A verdade é que, mesmo sem Tarantini, a equipa não abdicou de assumir o jogo e depois da entrada de Kayembe reforçou essa tendência.  Nos segundos 45 minutos entraram Nélson Monte (pelo lesionado Villas Boas), Kayembe e Zé Pedro, mas os destaques continuaram a ser, para além de Kayembe, Zeegelaar (autêntico quebra cabeças) e Yazalde pelo trabalho que foi dando à dupla de centrais do Sporting.  Depois deste jogo fica a certeza de que, salvo algum sobressalto, há condições para uma temporada tranquila, mesmo depois da saída de Hassan.

Sporting - Jesus, em vésperas de confronto europeu, operou duas surpresas no onze ao dar continuidade a Esgaio em detrimento de João Pereira e, principalmente, ao relegar João Mário para o banco por vez de Aquilani (mais surpreendente ainda tendo em conta o facto de o internacional Português não ter jogado na Albânia e não poder dar contributo frente ao Lokomotiv). Menos surpreendente foi a entrada a todo o gás dos Leões em que não deixaram o Rio Ave ter bola, mostrando vontade em resolver o encontro desde cedo. O primeiro golo surgiu por intermédio de um erro de Wakaso e, desde aí, a equipa baixou o ritmo e a pressão inicial. O meio campo dos leões era incapaz de segurar as investidas dos Vilacondenses e a verdade é que nos dois remates à baliza no primeiro tempo, a equipa de Jesus fez dois golos. Até ao momento do 2.º tento de Slimani ficaram patentes as dificuldades defensivas da equipa, nomeadamente nos momentos em que Ukra e Zeegelaar (boa iniciativa em que atira ao poste depois de ultrapassar Paulo Oliveira) tinham situações de igualdade numérica contra a última linha do Sporting. No 2.º tempo, mais do mesmo. As oportunidades flagrantes iam sendo do Rio Ave e o Sporting limitava-se a explorar o contra-ataque (Slimani e Carrillo eram o reflexo disso). Nesse sentido, o golo de Yazalde surgiu com alguma naturalidade - uma rosca de Paulo Oliveira que sobrou para Kayembe -, mas, desde então, o Sporting ficou mais desperto e não permitiu tantas veleidades, tendo ainda desperdiçado uma oportunidade clara por João Mário (continua com dificuldades na finalização). Em suma, uma vitória importante dos leões, num campo tradicionalmente dificil para o clube e para o próprio Jorge Jesus, mas que a nível individual não deixou boas indicações (a defesa erra em demasia, Jefferson foi uma auto-estrada, Esgaio também teve nota negativa; Ruiz ainda não fez uma exibição convincente), e que a nível colectivo dá sequência às prestações pouco positivas no campeonato.

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