Sporting não aproveita; O ADN não explica tudo, este leão de Jesus tem dificuldades em criar oportunidades de golo

Ivan del Val / Global Imagens
Boavista 0-0 Sporting

Os leões por norma não aproveitam os deslizes dos rivais, e desta vez não foi diferente, mas culpar o ADN é ignorar a falta de qualidade individual e a inércia em criar oportunidades de golo do conjunto de Jesus. O Sporting empatou a 0 no Bessa e perdeu assim a hipótese de ficar isolado na liderança da Liga. Um nulo que castiga o mau futebol dos verde e brancos, que apesar de ter tido muita bola raramente desequilibrou no último terço e valoriza a coesão defensiva do Boavista que, como esperado, defendeu sempre com muitas unidades. A nível individual Slimani voltou a ser o elemento leonino mais esforçado, mas faltou capacidade para o acompanhar. Alas facilmente anulados, meio campo sem desequilibrar. Com este resultado o Sporting continua no 1.º lugar mas com os mesmos pontos do FC Porto, estando o Benfica agora mais perto, apenas a 2 pontos. Já os axadrezados chegaram aos 8 pontos.

Quanto ao jogo, as notas de destaque na 1.ª parte foram quase nulas. A excepção foram 3 lances de bola parada. O Boavista, aos 13 minutos, num livre lateral, viu Zé Manuel a cabecear um pouco ao lado quando estava em excelente posição. Tendo o Sporting respondido apenas nos últimos 5 minutos. Montero, aos 41', na sequência de um canto, teve uma boa oportunidade para finalizar, já dentro da área,  mas rematou contra um defesa do Boavista. Pouco depois foi Slimani de cabeça num livre de João Mário a ver Mika a tirar-lhe o golo. Na 2.ª parte, mais desequilíbrios, mas nenhuma oportunidade flagrante. O primeiro lance digno de registo foi aos 15 minutos com Slimani a desmarcar Gelson que assiste Teo, mas o colombiano, que tinha substituído Montero pouco antes, remata ao lado quando estava em boa posição. Mané tem um lance enquadrado na zona central, mas o remate sai mal. No entanto, a única oportunidade do Sporting, apareceu através do inconformado Slimani, que numa boa jogada entra na área, mas Mika volta a tirar o golo. Nos descontos João Pereira quando a defesa do Boavista estava algo desequilibrada ainda teve a oportunidade para visar a baliza mas o seu remate saiu muito ao lado.

Boavista - Uma equipa à imagem de Petit, ciente das suas limitações e a procurar limitar espaços ao adversário. Durante o 1.º tempo esteve quase sempre com 2 jogadores em cada lateral, 4 homens a ocupar o corredor central e os restantes ficando em contenção atrás da bola. Nesse sentido, não foi de estranhar as poucas vezes em que surgiu perto da baliza de Rui Patrício, sendo que essas ocasiões ocorreram ou por situações de bola parada (que quase dava golo para Zé Manuel) ou por saídas rápidas por intermédio de Luisinho. Virados os primeiros 45 minutos, a equipa ainda deu a sensação que viria com outra estratégia, mas rapidamente se esfumou. Até ao final da partida nem as entradas de Uchebo ou Anderson Carvalho vieram incomodar os Leões, se bem que os Axadrezados saem da jornada com a conquista de um ponto frente a um conjunto com outras ambições. A título individual, as melhores unidades do Boavista estiveram naturalmente no sector mais recuado, em particular no guardião Mika e no ex-Braga Paulo Vinícius que acumulou vários desarmes e intercepções.

Sporting - O conjunto de Jesus não foi capaz de vencer um conjunto limitado como o do Boavista e, dessa forma, assumir a liderança isolada do campeonato. Mais do que o resultado fica uma incapacidade gritante de criar situações de finalização, ainda que tenha estado grande parte do jogo em posse (consentida). Incapacidade que surge pela falta de velocidade nos homens da frente, pela inexistência de elementos que desequilibrem no último terço (Ruiz continua sem mostrar que é "reforço") e pela péssima exibição dos dois laterais (limitam-se a despejar bolas na área). Para além disso, foram notórias as deficiências de Slimani no momento em que tem baixar para ter bola, assim como de Montero e, mais tarde, Téo em apoiar os médios na criação de situações de superioridade numérica no corredor central. Individualmente, Gelson tentou mexer com o jogo, mas apenas a espaços; Adrien foi a melhor unidade, agressivo na recuperação e importante no passe; Ruiz voltou a ser uma nulidade; já os centrais não foram testados num jogo que marcou o regresso de William à competição (entrou na 2.ª parte, em mais um jogo em que Jesus não arriscou nas substituições).

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