Que saudades deste Brahimi; Que bem jogam Rúben Neves, Imbula e Aboubakar; Que mal se dá Mourinho no Dragão

FC Porto 2-1 Chelsea (André André 39' e Maicon 52'; Willian 45' +2)

Exibição de gala do FC Porto premiada com uma vitória frente ao campeão inglês, por 2-1. Um triunfo justo que, além do efeito directo de agravar o histórico negativo de Mourinho no Dragão (nenhuma vitória como treinador visitante), deixa os azuis e brancos muito perto da próxima fase da Champions - à partida não será complicado fazer 6 pontos contra o Maccabi Tel-Aviv. André André e Maicon voltaram a marcar, mas a noite foi de Brahimi, Neves, Aboubakar, Casillas, Imbula e Lopetegui. O argelino fartou-se de espalhar técnica, tendo humilhado Ivanovic várias vezes; Neves e Imbula encheram o campo, Aboubakar criou muitas dificuldades à defensiva londrina, Casillas assumiu o estatuto de jogador com mais partidas na história da Champions (152) e fez duas grandes defesas ainda com 0-0, enquanto que Lopetegui, que voltou a rodar a equipa (apostou em Indi na esquerda e novamente em 4 médios), teve o mérito de ganhar ao Chelsea com bola e certamente irá voltar a ganhar alguma da cotação que perdeu com a 2.ª mão frente ao Bayern.

Quanto à partida, Lopetegui voltou a repetir a receita de Kiev, ao apostar em num meio-campo com Danilo, Rúben Neves e Imbula, fazendo ainda alinhar André André (bem como Martins Indi como defesa-esquerdo), ao passo que Mourinho deixou Hazard e Matic no banco. O primeiro lance de destaque surgiu logo aos 6 minutos, num excelente lance de Diego Costa, que ganhou muitos metros numa cavalgada pela esquerda, conseguindo depois passar Maicon e entregar para Cesc Fàbregas, que dispara para boa defesa de Iker Casillas. Pouco depois, aos 13 minutos, William descobre o espaço nas costas da linha média do FC Porto, servindo Pedro que, isolado, não consegue bater Casillas, de novo em bom plano. As equipas procuravam sempre ser rigorosas no posicionamento, com os Dragões a sentirem algumas dificuldades para criar perigo junto da baliza de Begovic, ao passo que os Ingleses procuravam sobretudo a profundidade oferecida por Diego Costa. Com o passar dos minutos, o Chelsea foi tendo menos capacidade para se aproximar de Casillas, tendo Aboubakar, de longe, assustado Begovic, até que aos 39 minutos a equipa de Lopetegui abriu mesmo o marcador: arrancada de Brahimi pela esquerda, com o argelino a passar por Ivanovic (fintado pela enésima vez esta época) e a rematar para defesa de Begovic, chegando a bola a André André que, na recarga, não desperdiça e faz o golo. Mas pouco depois, em cima do intervalo, os Blues empataram, com William a bater um livre que deixou Casillas (que se queixou de não ver a bola partir) preso ao solo, apesar da bola ir para o lado da baliza que, em teoria, é o seu. As equipas foram assim para o descanso empatadas, numa primeira parte com poucas situações de golo (a única clara que foi desperdiçada foi a de Pedro frente a Casillas). A segunda parte iniciou-se praticamente com a equipa Portuguesa a voltar à vantagem, quando Maicon aparece ao primeiro poste para desviar com um excelente gesto técnico um canto de Ruben Neves desde a esquerda. Logo dois minutos depois, Diego Costa remata cruzado fora do alcance de Casillas, mas a bola bate com estrondo na barra. Aos 64', já com Hazard em campo (que entrou por Obi Mikel, numa tentativa de Mourinho em dar a volta aos acontecimentos), o Belga passa por Maicon e, com pouco ângulo, remata às malhas laterais da baliza do FC Porto. Aos 71', os Dragões estão por várias vezes perto do terceiro: após recuperação de André André, a bola chega a Imbula, que dispara para defesa de Begovic, chegando depois a bola a Aboubakar que não consegue rematar, acabando por ser Danilo a voltar a visar a baliza mas a bola sai desviado. Na sequência do canto, Brahimi volta a abrir uma clareira na retaguarda Londrina e vê o golo ser negado por Begovic, culminando instantes de enorme pressão Lusitana. Imediatamente a seguir, Casillas falha a saída num canto de William e Ivanovic fica muito perto do empate. O jogo estava numa fase em que havia diversas situações junto das balizas, e aos 81' o FC Porto voltou a desperdiçar a chance de fazer o 3-1, com Danilo a cabecear ao poste. Nos instantes finais, o Chelsea apostou sobretudo num futebol mais directo, indo o destaque para uma grande penalidade cometida por Marcano (mão na bola) que o árbitro não viu, bem como para um lance mesmo no final em que Diego Costa e Kennedy poderiam ter chegado ao empate, mas a vitória foi mesmo para o Futebol Clube do Porto.

Destaques:

FC Porto - FC Porto - Grande exibição dos azuis e brancos (claramente a equipa Portuguesa que melhor reage neste contexto internacional) a vergar, durante vários momentos do jogo, um conjunto candidato à vitória na competição. Lopetegui apostou num esquema semelhante ao de Kiev (conjugou 4 médios no 11) e a verdade é que a reacção foi a melhor, estando esses homens na origem de grande parte dos lances de ataque dos Portistas. Imbula fez o que quis do meio campo adversário, sempre em alta rotação, a distribuir nos flancos, a acelerar deixando Mikel, Fabregas e Ramires para trás e a aparecer no momento do remate; Danilo, o mais apagado dos 4, foi importante na recuperação; André André continua em estado de graça, fazendo um golo e dificultando a vida a Azpilicueta e Rúben Neves soltou-se mais do que o habitual, arriscando mesmo no remate e drible em zonas mais avançadas, para além da habitual classe no momento do passe (é profundamente anormal que um elemento da sua idade jogue ao mais alto nível desta forma). Nota também para Brahimi (parece outro nos jogos de Champions) que foi um tormento para Ivanovic, mostrando um amplo reportório técnico (tanto vai por dentro como por fora), mas também para Aboubakar que fez um jogo de esforço. Mais atrás, Martins Indi também apareceu de forma surpreendente no onze em detrimento de Layun e acabou por corresponder à aposta (muito forte fisicamente e nos duelos individuais), mantendo também Maicon o estatuto de líder da defesa, somando golos (o 2.º seguido) a uma agressividade típica dos centrais dos dragões. Deste modo, fica a ideia de que o Porto tem o apuramento na mão e quem sabe a luta pelo primeiro lugar não seja tão irreal como parecia no momento do sorteio.

Chelsea - Mourinho chegou ao Dragão num mau momento e faz a viagem de regresso com uma derrota na bagagem. Montou um 11 sem duas das referências da equipa (Matic e Hazard) e mostrou sempre uma equipa incapaz de segurar o meio-campo dos Portistas, com várias dificuldades em lidar com André André numa ala e, acima de tudo, com as incursões de Imbula. A verdade é que, no final da 1.ª parte, acabou por chegar ao golo por intermédio dum livre directo, quando parecia que a tendência do jogo estava para o avolumar da vantagem dos Dragões. Durante o 2º tempo, ficaram patentes as deficiências nas abordagens às bolas paradas (golo de Maicon e bola ao poste de Danilo), mais pela forma de defender (Homen a Homem) do que pelos problemas individuais dos jogadores. Individualmente, Diego Costa foi sempre dos mais inconformados, chegando mesmo a atirar ao poste, e até à entrada de Hazard foram raras as jogadas construídas desde trás pela equipa do Chelsea, sendo evidente as dificuldades no momento ofensivo da equipa. Para além do Hispano-Brasileiro, foram poucas as notas de destaque na equipa Inglesa (Ramires, Mikel e Fabregas foram sugados pelo meio campo Portista).

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