Postura

Tem-se perdido, nos últimos tempos, da alta-roda do futebol, entre outros, figuras como Pirlo, Xavi, Gerrard ou Del Piero. Para lá caminham também Di Natale, Buffon, Totti ou até Iniesta. Uns para uma merecida reforma. Outros para campeonatos menos “batidos”, para desfrutarem os últimos anos da sua carreira. Deixam-nos, aos poucos e poucos, jogadores que marcaram o futebol pela sua classe, pelo seu amor à camisola e ao jogo, e sobretudo pelo grande exemplo que deram. 

É cada vez mais raro fugir (ou resistir) à cara do futebol atual. Criada pelos escândalos de corrupção? Claro que sim! Criada pelos fracos comportamentos de alguns adeptos por esse mundo fora? Sem dúvida. Serão esses os grandes problemas do futebol atual? Creio que não! Creio que o grande problema do futebol começa, infelizmente, naqueles que são os maiores intervenientes do espetáculo.

Falamos, e todos gostamos de falar, da formação do jovem jogador. Mas paremos para nos perguntar, até que ponto conseguiremos formar jovens craques, e sobretudo homens, com base nestes exemplos? Conseguiremos formar grandes jogadores, grandes “futuros exemplos”, sem ter como base grandes exemplos atuais? Conseguiremos formar um novo Di Natale com base num Diego Costa? Conseguiremos formar um jovem Totti com base num Mario Balotelli? 

Os “senhores da bola” estão continuamente a desaparecer, sendo substituídos por jogadores, que até podem ter maior qualidade técnico-tática, fruto do investimento cada vez maior na formação do jovem jogador, mas que nunca serão o que foram alguns dos citados, ou seja, exemplos e ídolos, dentro e fora do campo. 

Rui Vitória tem sido, ultimamente, extremamente criticado pela “calma” e “ingenuidade” do seu discurso. Por deixar Jesus sem respostas “à altura”. Por não entrar nos “mind-games”. Por não ter “discurso de clube grande”. E agora pergunto novamente. Que exemplos queremos para o nosso futebol? Não poderá ser o futebol um “desporto de cavalheiros praticado por cavalheiros”?  

Não é com base no ódio, na discussão e na crítica que devemos formar o jovem jogador/homem, mas sim com base no “nível”, na educação. É para os “Rui Vitória's” que quero que um dia os meus filhos olhem um dia.

Com que argumentos podemos nós falar de uma “crise de valores” quando chamamos ingénuo a Rui Vitória? Acredito que a “formação” começa no homem. Acredito, talvez utopicamente, que um dia teremos um futebol limpo, puro, praticado por cavalheiros. Acredito num futebol que sirva de exemplo aos mais novos. E acredito sobretudo que isso começa com os Rui Vitória's deste mundo. 

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Orlando Fernandes

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