O Rei da Europa

A Espanha é a nova campeã europeia de basquetebol após uma vitória por 80-63 frente à Lituânia, em Lille. Pau Gasol foi o dono e senhor de um torneio que contou com os outros melhores europeus de sempre: Tony Parker e Dirk Nowitzki.

Finaliza-se assim o EuroBasket, a máxima competição a nível europeu de seleções que percorreu cinco cidades nesta edição – Berlim, Montpellier, Riga, Zagreb e culminando em Lille com as rondas a eliminar no belo Pierre Mauroy Stadium que foi transformado numa arena de basquetebol para receber cerca de 27,000 pessoas em todos os jogos disputados (recorde de uma competição FIBA).

Montpellier foi a casa do Grupo A que engloba as seleções da França, Israel, Polónia, Finlândia, Rússia e Bósnia Herzegovina num grupo que, quer no papel, quer em campo foi dominando pela seleção da casa vencendo todos os jogos apesar do susto na estreia que os levou ao prolongamento frente a uma seleção em tremenda ascensão como é a Finlândia.  Uma das desilusões da prova, a Rússia (apesar das ausências notórias) ficou pelo caminho sucumbida em vários jogos nos momentos finais onde estiveram carentes de um líder dentro do campo.

O grupo B era o denominado “grupo da morte” desta competição, e estava sediado em Berlim. Espanha e Sérvia eram os cabeças de cartaz, com Itália, Alemanha e Turquia formando uma perseguição feroz onde a estreante Islândia apenas tomou bem conta de si em vários dos jogos. A Sérvia fez uma qualificação “limpa” apurando-se em primeiro com a eterna favorita Espanha a ter de sofrer para vencer alguns dos jogos e só se apurando na última oportunidade. A Alemanha que viu-se afastada da fase depois de um momento de infortúnio do jovem Dennis Schroder e disse assim adeus à sua lenda viva Dirk Nowitzki que protagonizou um dos melhores momentos da competição com o público alemão a aplaudi-lo de pé.

Os gregos foram os vencedores confortáveis do grupo C que também só viu as suas posições decididas na última jornada em Zagreb. A Croácia viu-se privada durante alguns jogos da sua estrela Bojan Bogdanovic depois de uma queda aparatosa mas mesmo assim o facto casa foi crucial para a qualificação a que se juntaram Eslovénia e Geórgia.

Por último em Riga, o Grupo D foi de emoção até ao fim. De salientar a quantidade de jogos decididos nos últimos instantes, incluindo cestos no último segundo para vitória entre outros grandes momentos. E desta grupo saíram duas das seleções que considero as maiores surpresa da competição, na Lituânia e na República Checa a que se juntaram a Letónia e a Bélgica.

Já acolhidos em Lille na Ronda de 16, praticamente todos os favoritos venceram à exceção da Croácia que foi afastada da fase seguinte pelos checos liderados por dois dos jogadores revelação do torneio em Tomas Satoransky e Jan Vesely, jogadores do Barcelona Lassa e do Fenerbahce Ulker, respetivamente. A Lituânia também teve que sofrer para bater a Geórgia, enquanto que uma Eslovénia carente da sua estrela Goran Dragic também ficou pelo caminho frente aos atiradores letões.

Assim chegamos aos Quartos de Final onde França e Sérvia continuaram com as boas exibições eliminando a Letónia e a República Checa com relativa facilidade. A Espanha acabou com o percurso da Grécia com um período final de grande nível defensivo que lhes deu uma vitória por 73-71 enquanto que para o último jogo do dia o Lituânia-Itália ofereceu-nos um dos melhores jogos do torneio,apenas decidido no prolongamento, onde o coração e a entrega de Jonas Maciulis veio ao de cima fazendo a performance de uma carreira com 34 pontos e jogadas cruciais nos dois lados do campo findando o jogo com uma vitória 95-85.

Devido a existirem 2 vagas diretas para os Jogos Olímpicos (Lituânia e Espanha) e 5 vagas para a fase da qualificação, jogos para descobrir as equipas do 5.º ao 8.º lugar foram assim disputados onde Itália (depois de um enorme europeu dos NBA Marco Belinelli e Danilo Gallinari), República Checa e Grécia garantiram as vagas disponíveis. Momento também de grande emoção para os gregos que após garantir o seu posto viram o seu líder histórico Vassilis Spanoulis anunciar a sua retirada pela seleção em direto para a televisão grega.

As meias finais revelaram o momento alto da competição com Pau Gasol a fazer-se “enorme” e a calar a maioria dos 27,000 fãs presentes em Lille com uma prestação lendária de 40 pontos e uma vitória no prolongamento frente à França por 80-75 num jogo que os espanhóis consideraram a vingança da derrota averbada em Madrid no Mundial em 2014.

Na outra meia final, a Lituânia voltou a mostrar o porquê de ser uma das seleções mais apreciadas pelos fãs de basquetebol e deram um recital defensivo (67-64) parando assim Teodosic e a Sérvia de tentarem um lugar na final num jogo nem sempre bem disputado, mas de muita luta.

A medalha de bronze ficou entregue aos “Les Bleus” e ao seu magnífico público após uma vitória por 81-68 frente a Sérvia onde a entrada do 3.º período foi crucial no resultado final muito por culpa de mais uma magnífica exibição do jogador francês mais consistente durante toda a competição, Nando de Colo.

No jogo mais esperado, os lituanos nas bancadas fizeram-se ouvir desde a bola ao ar porém uma entrada imperial a nível ofensivo da Espanha que catapultou o conjunto para uma exibição sólida, sempre controlada, frente a uma equipa lituana sem muitas soluções concluindo assim o campeonato com uma vitória por 80-63. Mais um recital de Pau Gasol com 25 pontos e 11 ressaltos, e uma ovação merecidissima a 18 segundos do fim.

5 ideal da competição:
Sergio Rodriguez - Espanha
Nando de Colo – França
Jonas Maciulis – Lituânia 
Jonas Valanciunas – Lituânia 
Pau Gasol – Espanha (MVP da competição)

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Tiago Magalhães

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