O melhor guarda-redes, o melhor defesa, o melhor avançado e o melhor jogador contra o plantel que dá para tudo

Cada detalhe conta. Cada cada passo, cada passe. Cada segundo que batem os ponteiros é um momento, um evento, um ensejo que aquele que o tome poderá mudar o jogo inteiro. Falo, como não, do grande Clássico do futebol português, FC Porto — Benfica, o jogo que ninguém quer perder entre os dois últimos campeões nacionais.

Apresenta-se este ano um duelo particularmente interessante, tanto a nível individual como colectivo. Desde logo, pensa-se nos treinadores. Rui Vitória nunca ganhou um jogo frente ao FC Porto em 90 minutos, já Lopetegui nunca venceu o Benfica.

O treinador encarnado chega numa posição algo confusa. Foi contestado no início da época (nomeadamente após a derrota contra o Sporting do seu antecessor Jorge Jesus) mas vem de uma boa sequência, sendo que se sair vitorioso no Dragão terá a liderança à condição e o óbvio mérito de ter ganho num forte azul-e-branco. Por outro lado, até agora o Benfica de Vitória só fez um jogo plenamente satisfatório (a goleada ao Belenenses) e uma derrota frente ao FC Porto significará que perdeu os dois encontros frente aos outros dois grandes, um registo negativo que o ex-técnico vitoriano quererá decerto evitar.

Já o treinador portista está numa posição delicada. A última época foi vácua de troféus e perdeu contra os dois grandes rivais no Dragão, com o Sporting para a Taça e com os encarnados para a Liga. Ainda para mais, um desaire significará a perda de terreno na (ainda em fase precoce) corrida do título e o prolongamento da sequia contra as águias. Por outro lado, após a supracitada derrota com o Benfica no Dragão no ano passado (bis de Lima), novo resultado pouco positivo já não seria um choque tão grande — mas ao mesmo tempo, seria um agravar de um registo já de si negativo.

Contudo, a partir do momento em que o árbitro apita, muito dependerá dos 22 rapazes em campo que não chutam apenas uma bola, mas sim o sonho de milhões e milhões em sonhos. O Benfica parte à partida com os melhores em cada sector, mas o Porto conta com um plantel recheado de soluções que permite ao seu treinador montar dois onzes completos com qualidade semelhante.

Rui Vitória tem à sua disposição, salvaguardando opiniões pessoais, o melhor guarda-redes (Júlio César), o melhor defesa (Luisão), o melhor avançado (Jonas) e o melhor jogador do campeonato (Gaitán) mas outras posições não estão tão bem apetrechadas. Por seu lado, Julen Lopetegui tem os melhores laterais, o teoricamente melhor médio (Imbula, que tem tardado em demonstrar toda a sua qualidade) e todo um plantel muito bem apetrechado. Além disso, não se olvide o nível de elementos como Casillas, Jardel, Samaris, Brahimi, e Aboubakar, entre outros.

A experiência também conta. Embora seja verdade que já é o segundo ano de Lopetegui na Invicta, não menos o é que perdeu inúmeros titulares importantes no defeso, entre eles o melhor jogador e melhores laterais do campeonato de então. Já Rui Vitória vive o seu ano de estreia na Luz mas herdou um plantel experiente que perdeu “apenas” dois titulares, bicampeão e rotinado.

Por falar em perda de titulares, é impossível esquecer uma das novelas mais “quentes” do Verão: Maxi Pereira. O uruguaio, vice-capitão e há oito anos no Benfica, deixou a Luz para rumar ao Dragão e decerto atrairá sobre si as atenções, ainda para mais tendo pela frente nada mais nada menos que Nico Gaitán — um duelo que promete.

E por que não falar de Casillas, que tem a oportunidade de viver o seu primeiro Clássico luso. Veremos se a sua prestação se mostra ao nível do seu estatuto ou se dá razão aos críticos.

Tudo visto e com o Sporting a espreitar uma possível fuga, estão reunidos os ingredientes para um Clássico notável. Os plantéis são muito igualados (um tem os melhores, o outro a diversidade), os treinadores não podem perder crédito, o Porto quer manter a liderança e evitar a segunda derrota seguida em casa contra o grande rival no Dragão e o Benfica pretende recuperar terreno e voltar a dar um “golpe de estado” no reduto portista. Só a vitória interessa.

Visão da Leitora (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Inês Sampaio

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