O jogador "à Porto" que provavelmente nem Lopetegui queria

Se isto não fosse a realidade acontecendo nos nossos relvados, todos diriam que era um conto de Hans Christian Andersen. André André, de sangue azul-e-branco correndo nas veias, é a encarnação perfeita do cisne enjeitado do autor dinamarquês.

Um caso deveras curioso: quando foi adquirido ao Vitória de Guimarães — esteve até para ir para o Málaga — ninguém esperava que estivesse na posição em que agora está, completando grandes exibições de forma frequente e assinando um heróico golo frente ao grande rival portista, o Benfica. Na teoria, ia ser das últimas opções no meio-campo (talvez a 7.ª?), depois de Imbula, Neves, Herrera, Danilo, Evandro, Sérgio Oliveira e o ‘10’ que nunca veio (Lucas Lima?). Muitos não lhe viam qualidade para assumir as rédeas como o tem feito recentemente.

Não admira, já que era produto doméstico, vindo de um clube inferior e sem o selo de “qualidade” de um sul-americano, além de não ter protagonizado um negócio dispendioso. Ainda para mais, muitos lhe apontavam incompatibilidade com o estilo de jogo de Lopetegui.

Contudo, o médio português conseguiu, após algum tempo, pegar de estaca no onze portista e é, agora, o melhor elemento em campo jogo após jogo, tendo esse surpreendente ascendente culminado no golo da vitória aos encarnados.

Até pode acabar por se revelar produto do ‘hype’ momentâneo, caindo no esquecimento como outros antes de si, entre eles Licá, Josué e Carlos Eduardo. No entanto, por agora está a justificar. Como referido, tem sido quase sempre o melhor dragão e transporta para dentro de campo uma garra e intensidade que os adeptos apreciam.

André André é o típico jogador “à Porto”, espécie rara e que conquista a admiração dos fãs, aquele tipo de jogador que deixa a pele em campo e o nome nos lábios do público. Tudo isto quando tão poucos lhe auguravam destino sorridente. Aconteça o que acontecer, já ninguém tira ao príncipe de berço azul-e-branco o percurso de conto de fadas desde patinho feio até cisne imperial.

Visão da Leitora (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Inês Sampaio

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