Jesus tem utilizado um jogador em final de contrato... e não é Carrillo

O regresso de Andre Carrillo ao onze do Sporting parece ser cada vez mais uma miragem. Por mais eufemismos que se utilizem, o jogador está afastado da equipa, e é inclusivamente duvidoso que o próprio processo de renovação seja retomado. Perde o jogador, perde o treinador, perde o clube, mais uma vez a braços com uma quezília que, embora não seja virgem (que o digam Feher ou Maniche), não é abonatória para a sua imagem. No que a resultados ou exibições diz respeito, é injusto dizer que a ausência de Carrillo motivou a derrota perante o Lokomotiv, ou que o mau futebol apresentado é consequência do seu afastamento. No entanto, é inegável que o Sporting fica mais fraco sem o seu contributo, do mesmo modo que fica menos forte sem a presença de William ou Ewerton.

Claro que a esta altura do campeonato, todas as partes envolvidas fazem a sua parte, disparando informação conforme lhe seja mais conveniente. Presidentes ditadores, jogadores mercenários, empresários manhosos, agentes gananciosos, correias de transmissão, propagandistas e moços de recados, tudo serve para apelidar os intervenientes. Não se sabe ao certo se Carrillo está de má-fé nas negociações, se terá voltado com a palavra atrás no processo de renovação, se fugiu do restaurante e deixou Jesus sozinho com a dolorosa depois do almoço. O que se sabe é que é um activo do clube, que tem contrato até ao fim da actual temporada. A Direcção do clube tem todo o direito de gerir os seus activos como bem entender, mas deve tomar as suas decisões tendo em mente o que é melhor para esse mesmo clube. E olhando para a situação do ponto de vista desportivo, os interesses do Sporting estão longe de serem acautelados em todo o processo. Carrillo entrou na temporada no último ano de contrato, portanto colocavam-se três cenários: o jogador renovava e dava seguimento à sua carreira em Alvalade; o jogador renovava com a sólida expectativa de sair no fim do ano; ou então, o jogador não renovava e terminava contrato em Junho. Naturalmente, qualquer um destes desfechos estaria na mente de Presidente e Treinador. Ora o que se passou durante o defeso? Jorge Jesus mostrou contar com o extremo, e o Bruno de Carvalho acedeu ao pedido (caso contrário o jogador seria encostado de imediato, até que as negociações chegassem ao fim), mesmo perante a possibilidade do contrato não ser renovado. Ainda mais, não foi acautelado o afastamento do atleta através da contratação de um jogador com as mesmas características e com um traquejo superior ao de Gelson Martins, que parece ser o sucessor natural. Perante estes factos, das duas uma: ou o treinador assumiu que contaria com o jogador acontecesse o que acontecesse, ou então entrou na época com a convicção de que poderia perder um dos seus principais elementos. No discurso, Jesus parece estar com os seus superiores (que remédio), mas nenhum treinador gosta de perder elementos a meio da competição, seja por lesão ou venda em Janeiro, e muito menos por questões disciplinares que lhe sejam alheias.

Objectivamente, Andre Carrillo é jogador do Sporting. É útil à equipa, isto enquanto for profissional e mostrar rendimento dentro de campo. Logo, o resultado natural seria permitir que o jogador ajudasse a entidade que lhe paga o salário a obter resultados. A realidade prova o contrário. O jogador ficou privado de jogar, o treinador ficou privado de uma solução. Mesmo com Porto, Benfica, Barcelona ou Riopele na jogada, até ao momento nada há a apontar ao comportamento do extremo dentro de campo, sendo que também não há queixas disciplinares acerca da sua atitude no trabalho semanal. Assim sendo, pouco há a apontar ao jogador, visto que este não é obrigado a estender o seu vínculo, tal como o clube não era obrigado a rever-lhe o contrato porque o seu rendimento subiu entretanto.  Aliás, o afastamento do jogador pouco terá a ver com o seu comprometimento, rendimento ou comportamento, sendo antes uma manobra de pressão negocial. A prová-lo está André Martins, também ele em fim de contrato, também ele sem renovação prevista, mas que ao contrário do peruano, entra nas contas do treinador.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno R.

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