FC Porto controla na Ucrânia, mas sofre em cima dos 90; Aboubakar faz esquecer Jackson; André André cada vez mais indiscutível; Layún já desequilibra ofensivamente; Lopetegui encheu o meio campo; D. Kiev sentiu a falta de Yarmolenko

Dynamo Kiev 2-2 FC Porto (Gusev 20' e Buyalskiy 89'; Aboubakar 23' e 81')

O FC Porto esteve perto de garantir os 3 pontos mas iniciou esta campanha europeia "apenas" com um empate na Ucrânia. Um resultado positivo (o D. Kiev é o principal rival na luta pelo 2.º lugar) mas, considerando as incidências do jogo, acabou por saber a pouco: os azuis e brancos dominaram na 2.ª parte e estiveram perto de dar um passo de gigante rumo aos oitavos-de-final da Champions, quando perto do fim chegaram ao 2-1. Aboubakar, que não pára de marcar (já leva 6 golos esta época), foi a grande figura de um jogo em que Lopetegui surpreendeu ao sentar Corona e apostar num meio campo muito povoado com Danilo, Neves, André e Herrera. Já o campeão ucraniano acabou por acrescentar pouco ofensivamente, acusando claramente a ausência da principal estrela, o extremo Yarmolenko.

Quanto à partida, teve uns primeiros minutos algo mornos, com os Dragões a não conseguirem chegar ao último terço dos Ucranianos, que também só assustaram quando Casillas quase comprometeu num canto. Mas, praticamente no primeiro remate de ambas as equipas, surgiram os golos: aos 20 minutos, numa rápida iniciativa do Dinamo, os azuis e brancos foram apanhados descompensados e Gusev respondeu da melhor forma ao cruzamento de Garmash. 3 minutos depois, surgiu o empate, com Maicon a solicitar Layún, que ultrapassa um adversário e cruza bem para Aboubakar cabecear com mestria. Depois destes minutos de agitação, o jogo voltou a uma toada confusa, com muitas perdas de bola por parte de ambas as equipas, com o FC Porto a ter sempre um flanco algo "coxo" pela presença conjunta de Danilo, André André, Rúben Neves e Herrera na equipa. Ainda assim, a equipa Portuguesa parecia melhor no jogo, conseguindo controlar os acontecimentos, mas sem criar perigo. A única excepção a esta tendência de um futebol longe das balizas ocorreu em cima do intervalo, quando Garmash remata para uma enorme defesa de Iker Casillas. Na segunda parte, a equipa de Lopetegui apresentou-se a melhor nível, com controlo do jogo, recuperando bem a bola e tendo mais capacidade de circulação (Aboubakar baixava bem para jogar,  André André estava em bom plano na pressão, recuperação e circulação e Maxi também estava em destaque), mas, à excepção de uma situação em que André André demora muito a rematar e um ou outro remate de longe, pouco assustou Rybka. Um enorme susto levou Casillas aos 75', quando um remate de longe de Garmash bate em Maicon e quase trai o Espanhol. Já com Corona em campo, Rubén Neves faz um grande passe para o Mexicano, que remata para grande defesa de Rybka. Na sequência do canto, Maxi cruza, o guardião Ucraniano sai mal à bola, que chega aos pés de Aboubakar que não falha, carimbando a reviravolta portuguesa. Logo a seguir, o Dynamo está quase a empatar, mas Garmash cabeceou ao lado. Empate que chegaria mesmo aos 89, quando Rybalbka bate um livre contra a barreira, faz a recarga, mas o remate sai-lhe algo enrolado e a defesa do FC Porto fica estática, aproveitando Buyalskiy, em jogo, para marcar (Kravets estava fora-de-jogo e gerou alguma confusão). Mesmo no fim, Kravets ainda atirou às malhas laterais, mas o resultado estava feito.

Destaques:

FC Porto - Lopetegui surpreendeu, ao colocar 4 médios (Danilo, Rúben Neves, Herrera e André André), deixando de fora Imbula, e a verdade é que isso resultou em muitos períodos de forte consistência e segurança ao nível do preenchimento de espaços, no entanto, em posse, a equipa ficava muitas vezes com um flanco desocupado. Ainda assim, os Dragões foram quase sempre superiores, sobretudo no segundo tempo, deixando escapar uma enorme chance de dar um passo importante para a qualificação. Individualmente, Casillas teve uma exibição com altos e baixos, estando quase a comprometer logo no início, quando largou a bola após um canto, fazendo depois uma enorme intervenção em cima do intervalo e terminando a sofrer um golo estranho (dá a ideia de que podia ter sido mais rápido a reagir), enquanto que Maxi voltou a estar a um nível alto, quer a defender quer a atacar. A dupla Maicon-Indi não fica bem na fotografia do primeiro golo, mas de resto esteve segura, sendo que Layún teve uma contribuição decisiva para o primeiro golo, com um excelente cruzamento. No meio-campo, André André foi o melhor (dinâmico, intenso, aparecendo em todo o campo e com critério) e Herrera o pior (muito escondido do jogo), sendo que Aboubakar voltou a responder da melhor forma, marcando nas duas ocasiões de que dispôs.

Dynamo Kiev - Os Ucranianos foram quase sempre inferiores, pelo que este empate, conquistado à beira do fim, até tem bom sabor. A equipa sentiu muito a falta de Yarmolenko para criar desequilíbrios, sentindo muitos dificuldades para ser perigosa. Individualmente, Dragovich tirou um golo feito a Aboubakar, sendo que Miguel Veloso não conseguiu impor a sua qualidade no passe e na circulação. Garmash foi dos melhores em campo, assistindo para o primeiro golo e chegando bem à área rival, sendo que Gusev, enquanto teve gás, criou alguns problemas à defesa Portistas. Já Derlis esteve apagado e Buyalskiy entrou para marcar o empate.

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