Fazer mais e melhor com um plantel 96,7% português

Desde os tempos de Jorge Jesus que não víamos o Belenenses num período tão positivo. Os azuis do Restelo conseguiram um inédito apuramento europeu depois de uma época excepcional com Lito Vidigal (saiu após divergências com a direcção) e Jorge Simão e este ano certamente quererão repetir a proeza da temporada anterior, mas as dificuldades serão acrescidas. É sabido que, normalmente, os clubes portugueses com poucas presenças nas competições europeias sofrem muito com a gestão do plantel (dois jogos por semana implica o dobro do desgaste) e, por isso, é fundamental definir prioridades. Sá Pinto, o novo timoneiro dos lisboetas, tem a complicada missão de provar que consegue apostar em duas frentes sem hipotecar os objectivos do clube. O técnico tem um dos melhores elencos "extra-grandes" do campeonato, que acaba por ser uma lufada de ar fresco no panorama actual. O Belém tem apenas um estrangeiro no plantel (Kuca, cabo-verdiano, já que Luís Leal, apesar de jogar por S.Tomé, nasceu em Portugal) de 30 jogadores e mesclou a experiência de nomes como Carlos Martins e Tonel com a irreverência de nomes como Sturgeon ou Tiago Silva. Destaque também para os reforços vindos da segunda liga, como André Sousa, João Amorim ou Traquina. Em condições normais, a equipa às ordens de Sá Pinto teria capacidade suficiente de repetir um lugar europeu, mas será preciso perceber até que ponto a presença na Liga Europa não vai trazer mais consequências negativas do que positivas. 

Belenenses versão 2015-16:
Entradas: Ricardo Ribeiro (Olhanense), Rafael Floro (Sheffield Wednesday), João Amorim (Ac. Viseu), Tonel (Feirense), André Geraldes (Sporting), Gonçalo Silva (Braga), Rúben Pinto (Benfica), André Sousa (Ac Viseu), João Vilela (Gil Vicente), Traquina (Sp. Covilhã), Kuca (Karabukspor), Luís Leal (APOEL), Betinho (Sporting)
Saídas: Matt Jones, Rafael Veloso, João Meira, Nélson, Tikito, Serginho, André Teixeira, Daniel Martins, Bruno China, Pelé, Rodrigo Dantas, Diogo Ribeiro, Adilson, Rui Fonte, Deyverson
Objectivo: Europa
11 base: Ventura, João Amorim, Palmeira, Gonçalo Brandão, André Geraldes, Rúben Pinto, André Sousa, Carlos Martins, Kuca, Sturgeon, Luís Leal
Ponto forte: Ataque - As chegadas de Luís Leal e Kuca não deixam dúvidas sobre qual é o sector mais forte da equipa. O extremo ia sendo um dos melhores da liga antes de se mudar para a Turquia, e o avançado tem uma dimensão que Tiago Caeiro nunca poderia oferecer. Juntando a irreverência de Sturgeon, a qualidade técnica de Tiago Silva e as perigosas diagonais de Miguel Rosa, Sá Pinto tem muitas opções para criar uma máquina ofensiva temível. 
Ponto fraco: Laterais - Não são particularmente estáveis a defender e nem sequer dão muita profundidade ao ataque. A saída de Nélson deixou um vazio na lateral-direita, que João Amorim terá de preencher. Por enquanto, o jovem de 23 anos ainda não oferece o mesmo que o internacional português, mas tem margem de progressão e vai aumentar o nível. Do outro lado, Geraldes, depois de uma experiência falhada no Sporting, volta a um clube onde foi feliz, sendo que vai jogar do lado onde se sente menos confortável e isso vai-lhe trazer dificuldades. 
Jogador chave: Carlos Martins - Não podia haver melhor clube para o português nesta altura. Sem a pressão de um grande mas na luta por objectivos ambiciosos, o médio tem sido a grande referência da equipa (a sua experiência vai fazendo a diferença), demonstrando as qualidades que sempre o caracterizaram: muita qualidade no passe e uma facilidade incrível de aparecer em zonas de finalização, onde aplica o seu potente remate a qualquer altura. 
Jogador a seguir: André Sousa - Tem sido uma das boas revelações deste início de época. O médio de 25 anos chegou do Académico de Viseu e pegou de estaca na equipa do Restelo. Com uma visão de jogo muito acima da média e uma capacidade de passe notável com o pé esquerdo, já é a referência da equipa na construção de jogo (jogando no duplo pivot) e tem brilhado também na marcação de bolas paradas. 
Previsão: 5º lugar - Melhorar a prestação da última época não é fácil, mas está perfeitamente ao alcance de um plantel que tem mais qualidade do que o do ano passado e que só fica a perder para os três grandes e o Braga. As entradas de Kuca e Luís Leal são uma demonstração de ambição por parte dos dirigentes azuis, que, sabendo da necessidade de compor um plantel capaz de lutar em duas frentes, não pouparam esforços para dar qualidade em quantidade a Sá Pinto. O técnico português tem boas opções para a maioria das posições, podendo fazer uma gestão equilibrada para atacar o campeonato e a Liga Europa. 

Etiquetas: