Fazer mais com menos meios

Depois do pobre 10.º lugar na temporada passada, o Rio Ave parte para 2015-16 com o objectivo de figurar nos lugares europeus. Pedro Martins será novamente o treinador dos vilacondense e, apesar da prestação na última temporada ter ficado aquém das expectativas, a verdade é que já demonstrou no Marítimo que consegue colocar as suas equipas nos primeiros lugares da tabela classificativa. No entanto, este é um Rio Ave diferente, onde se nota menos a influência de Jorge Mendes: saíram Ederson, Diego Lopes e Del Valle, bem como de Hassan e Filipe Augusto já com a época em andamento, e apesar das entradas de Edimar ou Héldon, jogadores com provas dadas no nosso campeonato, fica a ideia que os vilacondenses estão mais limitados. O patrão da defesa, Marcelo, também continua lesionado e sem data prevista para o regresso. Deste modo, mesmo tendo em conta a qualidade do elenco, que conta com alternativas muito interessantes para lutar pela Europa, parece evidente que este ano Pedro Martins terá menos armas ao seu dispor para entrar na disputada luta pelo Top 6.

Rio Ave versão 2015-16:
Entradas: Rui Vieira (Marítimo), Aníbal Capela (Braga), Edimar (Chievo), Pedrinho (Lorient), Filip Krovinovic (NK Zagreb), João Novais (Leixões), Zé Paulo (Corinthians), Guedes (Penafiel), José Postiga (Sporting), Pedro Paulo (Atlético Paranaense), Kizito (Sp. Covilhã), Héldon (Sporting), Kayembe (FC Porto), Zé Pedro (Limianos), Yazalde (Braga)
Saídas: Ederson, Prince, Tiago Pinto, Pape Sow, Júlio Alves, Filipe Augusto, Diego Lopes, Jony Ñíguez, Ernest, Boateng, Renato Santos, Del Valle, Esmael, Jebor, Hassan
Objectivo: Europa
11 base: Cássio, Lionn, Aníbal Capela, Nélson Monte, Edimar, Wakaso, Tarantini, Bressan, Ukra, Héldon, Yazalde
Ponto forte: Extremos - Ukra manteve-se na equipa e chegaram opções muito válidas como Héldon, um reforço de peso e Kayembe, jogador emprestado pelo FC Porto e que deu nas vistas em Arouca, sendo que Yazalde e Zeegelaar também podem desempenhar estas funções. Deste modo, Pedro Martins tem razões para sorrir, pois manteve um dos seus habituais marcadores das bolas paradas, um ala muito forte do drible e no cruzamento e, além disso, recebeu dois reforços irreverentes que a este nível conseguem fazer a diferença, tendo Héldon a faculdade de acrescentar sentido de baliza ao ataque vilacondense.
Ponto fraco: Eixo defensivo - Marcelo continua a recuperar da lesão grave ao joelho direito e, sendo ele o único central acima da média do plantel, essa ausência acaba por debilitar muito um sector que também perdeu Prince e Pape Sow que podia fazer o lugar. Deste modo, o Rio Ave fez chegar Aníbal Capela, um central que tem tido desempenhos muito irregulares nos últimos anos, e está a apostar forte no jovem Nélson Monte, ficando André Villas-Boas e Roderick como alternativas. Observando estas quatro opções, parece evidente que o treinador tem razões para ficar preocupado, pois nenhum oferece totais garantias.
Jogador chave: Ukra - Dada como certa a sua saída durante todo o defeso, a verdade é que acabou por continuar em Vila do Conde e deixar os adeptos satisfeitos. Um dos habituais executantes das bolas paradas, muito forte no drible, cruzamento e no último passe (10 assistências na Liga na última temporada), Ukra será certamente uma das unidades mais desequilibradoras da equipa e mais capaz de oferecer pontos à formação de Pedro Martins.
Jogador a seguir: Wakaso - Um dos melhores jogadores dos vilacondenses neste início de época, nomeadamente no desafio frente ao Braga. Antes de Pedro Martins era um habitual suplente, mas com o antigo treinador do Marítimo ganhou outra vida no clube. O ganês acrescenta capacidade física, roubo de bola e meia distância, tendo formado uma parelha muito forte com o capitão Tarantini. Aos 23 anos parece estar perfeitamente apto para se afirmar definitivamente na 1ª Liga e captar a atenção de clubes com outras ambições.
Previsão: 9.º lugar - O objectivo voltará a ser chegar à Europa, mas, em face da oposição e das saídas essa tarefa poderá ser complicada de atingir. Não parecem existir dúvidas que o Rio Ave lutará pelos lugares europeus até ao fim, uma vez que existe qualidade no plantel e este ano não haverá uma participação nas competições europeias, algo que, apesar de permitir uma maior visibilidade ao clube e aos jogadores e ser um factor de motivação, acaba igualmente por acarretar um grande desgaste no plantel e que inegavelmente se reflecte no desempenho interno, mas a irregularidade da equipa, a falta de um goleador e os problemas no eixo defensivo poderão ser obstáculos bastante significativos.

Rodrigo Ferreira

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