Estabilizar na 1ª Liga

Depois do inferno vivido com a exclusão dos campeonatos profissionais, o Boavista regressou na temporada passada ao radar do futebol português e logo pela porta da I Liga. Processo controverso, que implicou inclusivamente um alargamento do número de equipas presentes no campeonato, mas que trouxe de volta um dos clubes históricos do nosso futebol e que foi campeão neste século. Petit, um homem da casa, manteve-se no comando técnico dos axadrezados e, apesar de ter de trabalhar com um plantel totalmente novo e com inúmeras nacionalidades, contrariou as previsões que davam como certa a descida do Boavista à 2ª Liga e carimbou a manutenção com um honroso 13º lugar no campeonato. Este ano, o objectivo será o mesmo, de modo a consolidar a estadia no principal escalão da modalidade em Portugal. O treinador mantêm-se e o plantel não sofreu grandes alterações, tendo recebido dois nomes de peso como Paulo Vinícius, antigo central do Braga com enorme experiência na 1ª Liga, e Samuel Inkoom, outrora apontado como o futuro melhor lateral direito do mundo. Destacar ainda o grande poder físico de vários jogadores da turma de Petit, algo que torna esta equipa perigosa no jogo aéreo e, consequentemente, nas bolas paradas. Por fim, outro factor que acaba por ser determinante nos Panteras Negras é o seu estádio, o mítico Bessa dos grandes tempos do “Boavistão”, onde o clube nortenho amealhou a maioria dos seus pontos no ano transacto. Esta época o cenário não deverá ser diferente e, mesmo sem o relvado sintético, qualquer adversário sentirá dificuldades quando se deslocar ao estádio do Bessa. Deste modo, estão reunidas as condições para formar um grupo coeso e competitivo e garantir um lugar acima da linha de água no final da temporada.

Boavista versão 2015-16:
Entradas: Gideão (Náutico), Samuel Inkoom (DC United), Emmanuel Hackman (Vila Real), Paulo Vinícius (Operário-MT), Tiago Mesquita (Freamunde), Henrique (Feirense), Alex Júnior (Vila Real), André Bukia (Vila Real), Luisinho (Ac. Viseu), Ibrahima Faye (Oliveirense), Uche (Lierse), Rivaldinho (Mogi Mirim), Renato Santos (Rio Ave)
Saídas: Daniel Monllor, Beckeles, Pedro Costa, João Dias, Appindangoye, Lucas Rocha, Marek Cech, Ian Pereira, Luis Pimenta, Luís Neves, Fábio Lopes, Julián Montenegro, Diogo Gouveia, Miguel Cid, Brito, Quincy, Wei Shihao, Bobô, Yoro Ly, Douglas Abner, Fary
Objectivo: Manutenção
11 base: Gideão, Inkoom, Paulo Vinícius, Philipe Sampaio, Afonso Figueiredo, Idris, Reuben Gabriel, Diego Lima, Zé Manuel, Luisinho, Uchebo
Ponto Forte: Laterais – Afonso Figueiredo foi uma das boas surpresas no ano passado e deverá continuar a ser uma das melhores unidades dos axadrezados, sendo Anderson Correia, um brasileiro com alguma técnica, uma alternativa interessante. Do outro lado, Beckeles, internacional hondurenho, oferecia garantias, mas saiu e chegou Inkoom, uma antiga grande promessa do futebol mundial e que aos 26 anos poderá acrescentar muita qualidade ao sector. Tiago Mesquita, um dos melhores da 2ª Liga no ano passado, será outro dos concorrentes ao lugar.
Ponto Fraco: Meio-campo – A equipa de Petit claudica pela incapacidade do meio-campo em ter bola e construir jogadas de ataque. Tengarrinha acrescenta posicionamento e leitura de jogo, Reuben Gabriel e Idris um grande poder físico e os médios ofensivos Diego Lima, Anderson Carvalho e Ancelmo Júnior, todos eles brasileiros, não conseguiram ser regulares na temporada transacta e com isso sofreu o futebol ofensivo dos axadrezados. Esta época, Diego Lima tem assumido a batuta com dois guarda-costas atrás, mas sem um bom médio centro o futebol dos comandados de Petit acaba por não ter uma grande ligação e torna-se demasiado directo.
Jogador Chave: Uchebo – O conjunto de Petit acaba por não ter uma unidade que se destaque propriamente dos restantes, mas o avançado Uchebo, apesar de não ser sempre titular, acaba por assumir um peso específico no futebol dos axadrezados. Atacante de 25 anos, internacional nigeriano, alto, possante, móvel e com facilidade de remate. As suas características acabam por ser importantes pela capacidade que tem para dar profundidade a uma equipa com um futebol tão directo, enquanto que a sua combatividade provoca um grande desgaste nos defesas contrários.
Jogador a Seguir: Afonso Figueiredo – Foi um dos resistentes da equipa que entrou na 1ª Liga, proveniente dos escalões secundários, depois de vários anos de ausência. Lateral dotado de um pé esquerdo interessante, capaz de oferecer grande profundidade pelo flanco esquerdo, forte no cruzamento e na meia distância e com alguma capacidade nas bolas paradas. Neste defeso foi associado ao Sporting e ao Benfica e aos 22 anos tem tudo para consolidar o seu estatuto na primeira divisão e aspirar a outros voos no futuro.
Previsão: 13º lugar – Curiosamente a mesma classificação da época passada. O Boavista parte para a nova temporada de uma forma discreta, visto que manteve o treinador e a maioria do plantel, e deverá ter sucesso na sua missão de se fixar na 1ª Liga. A estabilidade, experiência de vários dos seus atletas e o factor casa deverão ser determinantes, sendo que Petit, depois do feito dito impossível por muitos no ano passado, volta a ter a missão de conduzir os axadrezados ao seu objectivo.

Visão do Leitor: Rodrigo Ferreira

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