Cinco noites, cinco filmes

O Verão está a terminar, e com o regresso do fresquinho, um bom filme é um programa a considerar. Este defeso foi rico em fitas, algumas com final feliz, outras nem por isso, sendo que alguns dos episódios parecem autênticas adaptações de películas hollywoodescas.

A Jóia do Nilo
Género: comédia
Com: Shikabala, Bruno de Carvalho, Jesualdo Ferreira

Michael Douglas e seus pares procuravam uma gema que afinal era o salvador da pátria, já o Sporting procurava minimizar as perdas de um negócio que tinha tudo para dar errado. A escolha do egípcio já de si era estranha, pois Bruno de Carvalho fizera questão de limpar o balneário de jogadores que ele considerava maus profissionais ou nocivos para o bem-estar colectivo, e Shikabala trazia atrelado um rótulo de desordeiro e cabeça oca. Ainda assim, uns vídeos do Youtube fizeram os adeptos acreditarem que ali estava o fantasista que faltava a Jardim. A realidade foi bem diferente... Nem Jardim ou Marco Silva (acusado de ser pouco profissional) deram qualquer chance a Shikabala, que foi entretanto brindando o clube com peripécias várias, que culminaram num súbito desaparecimento. O final foi assim como que feliz, o Sporting recuperou a sua jóia, e entregou-a a quem de direito, conseguindo pelo meio um retorno financeiro positivo, mas que não compensa as dores de cabeça que o jogador deu, e a imagem desprestigiante que este tipo de episódios dão.

Doc Hollywood
Género: épico
Com: Casillas, Lopetegui, FC Porto

Se o chavão da bomba alguma vez fez sentido, certamente é na transferência de Casillas. Portugal já teve grandes nomes do futebol mundial (Schemeichel veio logo após vencer a Liga dos Campeões), mas nenhum deles combina o currículo e mediatismo do espanhol, que ainda por cima é um símbolo do Real Madrid, e da própria super-vencedora selecção espanhola. Claro que todo o negócio foi envolto na devida polémica, com cenas dignas de uma novela cor-de-rosa, com pais e esposa indignados com o facto do filho abandonar a vida da grande cidade e optar pela ruralidade. Pelo meio discutiu-se, ao de leve, a diferença de fiscalidade entre Portugal e Espanha, e o seu impacto na competitivade do negócio futebol, mas no fim o herói ficou com a amada (que ameçara ficar em casa), e agora defende as cores do Futebol Clube do Porto.

O Feitiço do Tempo
Género: comédia/drama
Com: Nico Gaitan, Jorge Mendes, Manchester United

O argumento passa por um jogador que, invariavelmente, acorda de manhã e lê no jornal a sua transferência para um clube estrangeiro, apenas para continuar a jogar no Benfica, como de há cinco anos a esta parte. A história remete-se, e nem a entrada em cena do Deus das Transferências quebrou o feitiço. O nome do argentino foi falado diariamente como estando no mercado, e sendo pretendido por meio mundo, mas o facto é que as propostas concretas não agradaram ao jogador, ou ficaram aquém do exigível pelos encarnados. O facto é que, pese a grande qualidade de Gaitan, e mesmo considerando o mercado inflaccionado, não é fácil dar 35 milhões por um elemento cuja experiência europeia se resume ao campeonato português e que não é presença assídua na selecção. Mas Janeiro está aí à porta, e é possível que Gaitan se destaque o suficiente na Liga dos Campeões (até porque, na ausência de Sálvio cabe-lhe quase em exclusivo a tarefa de desequilibrar) para aguçar o apetite de tubarões.

Morrer em Las Vegas
Género: drama
Com: Fábio Coentrão

Ir jogar para o Mónaco não equivale a esperar pela lenta morte de uma carreira, mas há que convir que saltar do Real Madrid para uma equipa de segundo plano de França é um tombo dos grandes. O caxineiro sempre teve sobre os seus ombros um pesado fardo, pois foi aposta pessoal de Mourinho (que nunca foi consensual), custou um balúrdio e tinha como objetivo tirar o lugar a um dos melhores do mundo. O seu rendimento, que nunca foi proporcional ao valor da sua transferência (algo impossível, pois nunca seria indiscutível perante Marcelo), tem vindo a cair, sendo acompanhado de sucessivas lesões e acusações de laxismo e falta de profissionalismo. Esta temporada serve para aferir se o lateral vai aproveitar para se relançar, ou se apenas se conforma em alinhar numa equipa com poucas pretensões numa liga pouco competitiva.

Papillon
Género: acção
Com: David de Gea, Van Gaal

Esta é a história de um jovem aprisionado numa ilha, contra a sua vontade e injustamente. Ao contrário do clássico de 1973, a fuga não é bem sucedida, por uma questão de minutos. O espanhol tentou tudo para fugir, mas o seu carcereiro, um holandês de mau feitio, não lhe facilitou a vida. Verdade seja dita, ficámos perante (mais) um caso em que um jogador não pretendia cumprir o seu contrato, só que desta vez o clube em causa não era daqueles que precise de dinheiro, podendo perfeitamente dar-se ao luxo de aplicar correctivos a insurrectos. O final teve um volte-face digno de um Shyamalan, United e Real entenderam-se, parecia haver negócio, mas eis que novo twist ending termina a história como esta começara.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno R.

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