"Besta negra" castiga (mais um) mau jogo de Portugal

Portugal 0-1 França (Valbuena 85')

Mais do mesmo. Portugal voltou a perder com a França e aumentou assim um jejum sem vitórias frente aos gauleses que dura há 40 anos. Mais do mesmo também ao nível da qualidade de jogo dos comandados de Fernando Santos, que desta vez sem um golo contra a corrente do jogo, ou já perto do fim, não conseguiram escamotear uma má exibição, que até podia ter outros números não fosse a excelente prestação de Rui Patrício. Futebol aos trambolhões, sem qualidade, muito menos criatividade, em que a dificuldade em criar oportunidades de golo resultou em apenas 1 remate à baliza de Lloris, e num livre de muito longe de Ronaldo.

Encontro com os ingredientes habituais de um amigável, algo lento, pouco intenso e que até aos 30 minutos da primeira parte não teve um único lance digno de destaque, a excepção foi a lesão de Carvalho, que ficou a sangrar numa situação com Evra e teve de ser substituído por Fonte. A 15 minutos do fim, a 1.ª oportunidade, com Patricio, com os pés, a negar o golo a Matuidi que ficou em boa posição depois de uma jogada de envolvimento dos gauleses. Portugal tentou responder, mas o melhor que conseguiu foi através de um livre de bastante longe de Ronaldo, que viu Lloris a defender com alguma dificuldade. Curiosamente esse foi o único remate à baliza em todo o jogo. No 2.º tempo a França entrou muito melhor, e logo aos 4 minutos Patrício tirou um golo que parecia certo a Griezmann. Os gauleses estavam por cima, mas com as substituições, Fernando Santos colocou Veloso e Cédric nos lugares de Adrien e Vieirinha, Portugal conseguiu pelo menos agitar a partida. Éder numa situação já com pouco ângulo ter criado algum perigo, e em duas transições Cédric e João Mário definiram mal lances potencialmente perigosos. Mas esse momento durou pouco, com a França a voltar a testar Patrício. Primeiro através de um grande livre de Benzema, tendo o guardião leonino no canto evitado um golo de cabeça de Varane. Já perto do fim, Valbuena, num livre perfeito à entrada da área, desbloqueou mesmo o marcador e colocou alguma justiça no marcador. Nos 5 minutos finais Portugal ainda tentou chegar ao empate mas à excepção de um canto não incomodou Lloris.

Portugal - Com 5 ausências de peso (Tiago, Moutinho, André Gomes, William e Coentrão), Fernando Santos apresentou um meio campo totalmente diferente, composto por Danilo, Adrien e João Mário, e lançou Eliseu no lugar do ex-Real Madrid. Numa primeira parte em que as equipas mostraram algum receio e cautela no momento de chegar à frente, o jogo foi sendo dividido a meio campo, resultando em poucos remates para as balizas de Patrício e Lloris. João Mário ia sendo a unidade em foco na equipa nacional, Danilo foi importante na 1.ª fase de construção e Adrien, apesar das limitações ofensivas, foi útil na pressão que fez um meio campo musculado como o Francês. Mais atrás, Vieirinha melhor que Eliseu, Pepe sempre atento aos movimentos de Benzema e José Fonte (após substituir Carvalho) não mostrou dificuldades em entrar no jogo. Nas unidades da frente, Ronaldo esteve discreto, um pouco à semelhança de Nani e Éder, que mesmo com a forte oposição de Varane e Koscielny, foi conseguindo segurar algum jogo. Por outro lado, no segundo tempo, a equipa nacional foi empurrada para trás pela maior agressividade dos Franceses e o golo surgiu de forma justa. Nem as entradas de Veloso, Bernardo Silva, Cédric, Quaresma e Danny foram suficientes para contornar as debilidades ofensivas da equipa e o jogo demasiado desligado da equipa de Fernando Santos. A nível individual Patrício com 3/4 defesas importantes evitou um resultado mais penoso; Carvalho nos poucos minutos que esteve em campo e Pepe também tiveram positiva, mas o meio campo não esteve à altura: não acrescentou criatividade e acabou engolido pelo maior poderio dos gauleses; Vieirinha pouco se viu na lateral, e na frente nenhuma unidade se evidenciou, Ronaldo esteve sempre desastrado nas ações individuais, Éder lutou mas quase não incomodou e Nani não foi o desequilibrador que se pede.

França - Deschamps entrava na partida algo pressionado (em 2015 perdeu 3 dos 4 jogos realizados) e, por isso, apresentou um onze próximo da máxima força. Um meio campo homogéneo e virado para o contacto físico - Pogba, Sissoko e Matuidi -, entregando o ataque a Benzema e Fekir (deu lugar a Griezmann por lesão). A equipa foi algo passiva no 1.º tempo e dividiu o encontro com a selecção nacional que vivia demasiado do jogo directo. Benzema não teve uma noite feliz - falhou alguns passes e no momento do remate foi displicente - e, da mesma forma, os restantes homens da frente do ataque Francês estavam apagados. No 2.º tempo, a equipa entrou com outra atitude e conseguiu ser dominadora no meio campo adversário. Os laterais (Evra e Sagna) estavam acantonados na frente e a equipa ia circulando a seu belo prazer. Nesse sentido, o golo acabou por surgir numa situação de bola parada (grande execução de Valbuena) e os Gauleses regressam às vitórias depois de duas derrotas frente à Albânia e Bélgica. Para a história fica a 10.ª vitória consecutiva frente à selecção nacional.

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