Benfica demorou mas foi logo com estrondo; Encarnados (que ainda não tinham vencido fora este ano) aplicaram a 1.ª derrota a Simeone no Calderón para a Champions; Gaitán (joga bem em qualquer palco) brilhou com um golo e uma assistência; Menino Guedes resolveu o jogo e passou a ser o português mais jovem de sempre a marcar na LC; Júlio César disse presente; Nélson Semedo não se encolheu; Jackson voltou a estar perdulário frente às águias

Atlético Madrid 1-2 Benfica (Correa 23'; Gaitán 36 e Guedes 51')

O Benfica demorou a vencer fora esta época mas conseguiu-o logo naquele que é, juntamente com o Camp Nou, o palco mais complicado no futebol europeu na actualidade. Um triunfo estrondoso frente a um Atlético que com Simeone ainda não tinha perdido em casa para a Champions (o que reforça bem o feito das águias) e que deixa as águias muito perto da próxima fase, até com boas hipóteses de passar em 1.º (o que pode ser importante). Partida complicada, mas personalizada do conjunto de Rui Vitória. Numa noite mágica para Gaitán (um golo, uma assistência e a deixar novamente a ideia que pode render em qualquer patamar) e principalmente para o menino Gonçalo Guedes, que marcou o golo da vitória e passou a ser (aos 18 anos) o português mais jovem de sempre a marcar na Liga Milionária. Nélson Semedo também deu uma grande resposta, com acerto na defesa e sempre disponível para dar o apoio ao ataque; Júlio César (disse presente), Eliseu também teve nota positiva, assim como André Almeida, que foi sempre um tampão à frente da defesa. Nos Colchoneros mais uma vez não foi a noite de Jackson que, à semelhança do que acontecia no FC Porto contra os encarnados, voltou a estar muito perdulário (duas perdidas quando estava isolado, e em fases onde podia ter mudado de vez o rumo do marcador). Griezmann, à excepção do passe magistral para o 1-0, também pouco apareceu.

O início de jogo, apesar de uma bela iniciativa de Jonas, que acabou com um remate ao lado da baliza de Oblak, trouxe um Atlético a mandar no encontro, embora só ameaçasse de bola parada. Mas assim que Correa e Griezmann foram tendo maior preponderância o Benfica teve dificuldades para travar a dinâmica ofensiva contrária. O 1-0 surge de uma bela jogada, com o francês, dentro da área, a assistir o argentino para o golo. Os minutos seguintes foram de sufoco para os centrais encarnados, com Jackson a ganhar constantemente as costas e a isolar-se perante Júlio César. Valeu o guarda-redes brasileiro e a ineficácia do colombiano para que o resultado não se avolumasse. Quando nada o fazia prever, tendo em conta que a turma de Rui Vitória não estava a chegar com facilidade ao ataque, o Benfica chegou à igualdade. Nélson Semedo subiu pelo flanco e cruzou, com a bola a sobrar para Gaitán bater Oblak. O 1-1 motivou os portugueses, que tiveram ascendente na recta final do primeiro tempo. Na segunda parte, o golo madrugador do Benfica veio alterar completamente o rumo do jogo. Gaitán descobriu Guedes na área e o português colocou os encarnados na frente. Como seria de esperar, o Atlético reagiu e obrigou Júlio César a aplicar-se. Grande defesa do brasileiro a negar o golo a Correa. Mas a partir daqui, apesar das entradas de Ñiguez, Vietto e Torres, a pressão não foi muito intensa e os espanhóis não tiveram grandes oportunidades. O Benfica recuou as linhas, naturalmente, mas conseguiu segurar uma vantagem preciosa que o coloca com grande avanço no grupo.

Benfica - A melhor vitória da época e também a exibição mais personalizada. É certo que o Atlético não esteve particularmente bem, mas há muito mérito dos encarnados, sobretudo pela maturidade com que controlaram o jogo. Houve coesão a defender, excepto no período a seguir ao golo dos espanhóis, a que se juntou uma eficácia assinalável no ataque. Gaitán, quem mais, acabou por ser novamente decisivo, marcando um golo e fazendo uma assistência, para além de outros pormenores que o distinguem dos demais. Guedes, que cada vez vai ganhando mais espaço na equipa, prova que esta aposta tem tudo para dar certo e juntou mais um golo à conta pessoal, sendo que também foi incansável no apoio que deu a Nélson Semedo, outra excelente exibição do lado encarnado. Certinho a defender e a dar projecção ofensiva sempre que possível, bem como Eliseu no flanco contrário. André Almeida continua a dar sinais positivos em jogos de elevada responsabilidade, compensando o facto de Samaris ter ficado condicionado com amarelo desde relativamente cedo. Foi um apoio importante aos centrais, que, à excepção do período que se seguiu ao golo do Atlético, onde deixaram Jackson aparecer isolado em 2/3 lances, também cumpriram. Nota ainda para a partida de Júlio César, com defesas de grande nível, e para a dupla de ataque composta por Jonas e Jiménez, incansável na forma como condicionou a saída de bola contrária e dando-se ao jogo.

Atlético - Estamos habituados a ver o conjunto de Simeone com outra força quando actua no Vicente Calderón (nos últimos 21 jogos em casa para as competições europeias somaram 19 vitórias e 2 empates, apesar de terem defrontado equipas como o Barcelona, Real Madrid ou Chelsea, e já não sofriam golos há mais de 500 minutos). A ligação entre sectores não foi nada consistente, o que fez com que não tenha havido a habitual intensidade no jogo colchonero, nem a atacar nem a defender (basta ver as facilidades concedidas nos golos). Juntando a desinspiração de alguns jogadores fundamentais, com Griezmann à cabeça (fez uma grande assistência e pouco mais), tivemos uma equipa bem longe do nível desejável. A defesa deu pouca segurança, como demonstram os dois golos sofridos. Gaitán fez o que quis de Juanfran, apesar da boa participação ofensiva do lateral, e Filipe Luís também não é o mesmo jogador que foi o melhor lateral da Europa há 2 anos. A dupla Tiago-Gabi não fez um jogo particularmente brilhante, acrescentando pouco ofensivamente e deixando para os homens mais avançados a missão de desequilibrar. Correa foi o mais activo, somando ao golo algumas excelentes iniciativas, mas com Griezmann apagado e Jackson igual a si próprio (excelente na desmarcação mas muito perdulário) a equipa ficou com poucas soluções. 

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