6: Sem estofo

Ninguém duvida que um campeonato é uma prova de regularidade. Usualmente comparado a uma maratona, devido ao esforço prolongado e regularidade que exige, há, no entanto, certos momentos de um campeonato que se apresentam mais relevantes que outros. Alturas em que, por uma razão ou outra, uma vitória pode valer mais do que a mera soma de 3 pontos. Conseguir ter sucesso nas mesmas é, muitas vezes, chamado de "estofo". Uma dessas circunstâncias é após a vitória num jogo ante um rival directo, já que a mesma pode permitir confirmar o ascendente conseguido e embalar rumo ao objectivo. Outra dessas situações é após um despiste de um contendor, de forma a cavar um fosso e não desperdiçar a oportunidade gerada por tal tropeção. Ora, esta jornada 6 continha uma dessas situações para 2 dos candidatos ao título, mas os mesmos acabaram por revelar falta do tal estofo de campeão. Desde logo, o FC Porto queria vencer para dar continuidade ao sempre importante triunfo perante o Benfica. No entanto, os Dragões não conseguiram passar o teste de Moreira de Cónegos, tropeçando pela segunda vez fora de casa. Perante o empate do conjunto de Lopetegui, abriu-se a oportunidade para o Sporting assumir a liderança isolada da Liga (uma raridade na história recente dos Leões). No entanto, no regresso de William Carvalho aos relvados o conjunto de JJ voltou a apresentar um futebol pobre, não indo além do empate no Bessa. Quem ficou a esfregar as mãos foi o Benfica, que derrotou o Paços e reduziu para 2 pontos a desvantagem para os rivais. Jonas voltou a ser destaque na Luz, bem secundado por um Gonçalo Guedes com lugar cada vez mais consolidado no onze. Com os mesmos 12 pontos dos Encarnados encontram-se o Sporting de Braga, que bateu o Vitória no Derby minhoto, e o Estoril, a surpresa deste arranque de competição, já que os homens da linha só não ganharam no Dragão e na Luz, cimentando o nome de Leo Bonatini como referência do conjunto. Num belo duelo, Belenenses e Arouca empataram a 2, com os Azuis a voltaram a desperdiçar uma vantagem de dois golos, tendo Hugo Basto assinado o empate naquele que é talvez o melhor golo da prova até agora. Quem voltou a sair com um amargo de boca foi o Tondela, que depois de ter visto escapar o empate com o Sporting com uma grande penalidade nos descontos e tendo falhado um castigo máximo na parte final do embate frente ao Estoril que daria igualmente um ponto, não conseguiu materializar a superioridade numérica frente ao Marítimo, vendo Marega dar os 3 pontos aos Insulares ao minuto 90+3. Também na Pérola do Atlântico, Nacional e Vitória de Setúbal empataram a 1, com o golo dos Sadinos a ser apontado por Suk, que se isolou na segunda posição da lista dos artilheiros, com 5 golos (a 2 de Jonas). Finalmente, no fecho da jornada, Gouveia não obteve a estreia que queria, tendo a Académica perdido por 1-0 frente ao Rio Ave e continuando sem somar pontos.

Equipa da semana - Benfica - A turma de Rui Vitória respondeu ao desaire no Clássico com uma esclarecedora vitória frente ao Paços. Os Encarnados fazem da Luz uma fortaleza, tendo já apontado 16 golos em casa, sendo que esta jornada serviu para ganhar 2 pontos para os rivais directos e minimizar o que se passou no Dragão.

Equipa desilusão - Sporting - Futebol insuficiente para dizer presente num jogo que podia dar a liderança isolada na Liga. Os leões, que começaram a época em grande, continuam a criar pouco, ainda não realizaram uma exibição convincente para o campeonato e falharam num momento em que podiam ganhar margem aos principais adversários.

Melhor Onze - Cássio (Rio Ave), Nélson Semedo (Benfica), Hugo Basto (Arouca), Rui Correia (Nacional), Djavan (Sp. Braga), André Sousa (Belenenses), Nuno Valente (Arouca), Bressan (Rio Ave), Gonçalo Guedes (Benfica), Rafa (Sp. Braga) e Jonas (Benfica).

Jogador da Semana - Jonas (Benfica) - Não há como fugir ao óbvio. Jonas é um tremendo jogador, um Ponta-de-lança que faz tudo bem, que melhora quem joga ao pé de si, que não só marca muitos golos (leva já 7) como combina, baixa no terreno para criar dificuldades ao adversário, enfim, o Brasileiro é super completo e voltou a ser essencial para a vitória Encarnada.

Jogador a seguir - Leo Bonatini (Estoril) - Após uma época de estreia algo discreta, o jovem Brasileiro de 21 anos começou 2015-16 de forma fantástica, liderando os Canarinhos rumo a uma posição de destaque na tabela. Tendo marcado 4 dos 6 golos da equipa, Bonatini é o homem para quem o Estoril olha para prolongar este bom início.

Jogador desilusão - Hector Herrera (FC Porto) - Praticamente só se notou a sua presença quando foi substituído aos 59 minutos em Moreira de Cónegos. O médio, depois de uma temporada pouco conseguida, continua sem justificar os 8 milhões de euros que custou aos azuis e brancos e agora até parece ser a 5.ª (ou 6.ª) opção no meio campo depois de Neves, Danilo, André André, Imbula e Corona (ou Brahimi).

Pedro Barata

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