5: Falsos Réus

Ninguém escapa ao frenesim dos Defesos. Os técnicos de bancada, esses, não hesitam em apontar as lanças. Fazem-no àqueles que supostamente serão os melhores e aos que se especula deixarão a desejar. Os verdadeiros treinadores não fogem ao julgamento público. Existem dois grupos: os bons e os maus. Este último, é composto pelos que receberam novo voto de confiança, teoricamento imerecido, e pelas escolhas que desde bem cedo parecem condenadas ao fracasso. Pellegrini e Ranieri, numa e noutra circunstância, foram também vítimas da crítica. Os indícios revelam que as acusações foram injustas. Em Manchester, o abandono definitivo do 4-4-2 (diante do Palace, duas ausências relevantes implicaram o regresso do modelo) tornou o meio-campo mais compacto, a passagem de Silva para o meio levou maior criatividade à zona e devolveu profundidade e velocidade às alas, sendo que ainda deu tempo para resgatar jogadores importantes que ainda há pouco tempo se arrastavam em campo. Em Leicester, mora um conjunto mutante, que tanto é capaz de se fechar e apostar forte no contragolpe como assumir as rédeas da partida e causar pânico aos defesas adversários, com jogadores medianos a chamar por equipas grandes. Crystal Palace e Aston Villa mostraram-se ossos duros de roer, mas ambos voltaram a vencer, e a convencer com a sua persistência. Embora ainda seja cedo para vereditos finais, a vantagem já cavada para os respetivos rivais diretos fazem crer que o desfecho desta sessão deixará em júbilo Citizens e Foxes.

Nota também para Wenger, Van Gaal e Quique Flores, outros dos mal-amados. Mesmo que a qualidade de jogo ainda seja um ponto algo intermitente, a verdade é que por enquanto vão cumprindo. Cumprir que é um verbo que não cabe nos dicionários de Chelsea e de Liverpool, dois potenciais candidatos, que para além da seca de pontos denotam muitas fragilidades no seu jogo e veem os seus técnicos em cada vez piores lençóis. Os vizinhos dos Reds, com um muro intrasnsponível e um substituto de ouro que transportou o ditado "cada tiro cada melro" para o encontro, reecontrou-se com os triunfos. Assim como o Norwich, que pelos mesmos números, bateu outro dos recém-promovidos num interessantíssimo embate entre dois dos treinadores britânicos do futuro. Levou a melhor, e de forma categórica, o mais jovem. Dos Cherries, assim como de Swans e Potters, esperava-se outra resposta. Quem respondeu surpreendentemente pela positiva foi o Sunderland, que após ir para a paragem de seleções com o rótulo de pior equipa do campeonato, demonstrou outra atitude e concentração na receção ao ainda cinzento Tottenham. Mas nem isso chegou para alcançar qualquer ponto, o que apenas reforça a ideia de estarmos perante o candidato número um à descida. Nordeste inglês que transpira crise por todos os poros. O Newcastle, no fecho da jornada, tombou em Boleyn Ground e que apesar dos sonantes reforços para a frente de ataque, voltou a apresentar uma manobra ofensiva paupérrima, ao passo que o West Ham disse finalmente presente a jogar em casa.

Onze Ideal da jornada 5: Butland (Stoke), Kolarov (Manchester City), Stones (Everton), Blind (Manchester United), Bellerín (Arsenal), Carrick (Manchester United), Mason (Tottenham), Naismith (Everton), Payet (West Ham), Mahrez (Leicester) e Ighalo (Watford)
MVP: Naismith (Everton). É impossível resistir à técnica de Mahrez e Payet, dois autênticos mimos no fantasy, mas um hat trick é sempre um hat trick. Ainda para mais quando constituem por completo os tentos com que a equipa ganha o jogo. Apesar de atuar descaído, foi com relativa facilidade que o escocês perfurou zonas mais centrais do ataque e não poderia ter estado mais inspirado. Voltou a comprovar toda a sua utilidade, apesar da menor exuberância. Curioso, é que nem sequer foi escalado para o onze inicial, e não fosse a lesão de Bešić, e este talvez não tivesse sido um dos melhores fins-de-semana da carreira do atacante dos Toffees. Levou a bola para casa.
Jogador a Seguir: Grealish (Aston Villa). Com as saídas de Delph e Benteke, perderam-se as duas mais cintilantes estrelas dos Villans. Abriram-se espaços para novos talentos, e o prodigioso irlandês é uma das mais valiosas individualidades sub-21 da Premiership. Com bons apontamentos desde a temporada transata, aparece na "pole position" para ganhar maior protagonismo. Não obstante a derrota do seu clube nesta ronda, foi uma das unidades fundamentais na hora louca dos pupilos de Sherwood, chegando mesmo a carimbar um golo de belo efeito. Promete continuar a dar que falar.
Treinador da Jornada: Roberto Martínez (Everton)
Melhor Jogo: Leicester vs Aston Villa (3-2)
A Desilusão: Mourinho e o Chelsea. Por mais que se esteja a bater no ceguinho, ficar indiferente a este péssimo arranque não é tarefa fácil. Os facilitismos a defender dos Blues, a equipa mais equilibrada em 2014/15, são inexplicáveis. O decréscimo abruto de rendimento de certos jogadores é incompreensível. A incapacidade em encontrar espaços na área adversária é inaceitável para uma equipa deste gabarito. O Special, ou mais recentemente Happy One, por esta altura não é nem uma coisa nem outra. Continua a achar, erroneamente, que os resultados não correspondem àquilo que se vem sucedendo em campo, mas sem encontrar a fórmula que permita dar a volta à situação. A motivação parece ter-se igualmente extinguido no campeão em título, embora a psicologia não tenha que explicar tudo quando se possui matéria-prima como esta.
Menção Honrosa: Martial. Os mercados são feitos de bombas e o agora avançado dos Red Devils foi a mais explosiva a falar francês. No entanto, os comentários registados após a confirmação do negócio não foram os mais agradáveis de se seguir. Desde referências relativas ao absurdo que foi pagar tanto por ele ao repentino anonimato do avançado no mundo do futebol. Vindos das cada vez mais virais redes sociais, passando pelos novos colegas e chegando ao seu novo treinador. Se foi ou não fácil lidar com tudo isto, é uma questão à qual só o ex-Mónaco poderá responder. Contudo, os minutos no clássico não se podiam ter traduzido em melhor resposta aos críticos. Um golo só ao alcance dos melhores, e que somente vem confirmar que a evoluir gradualmente como até agora, o internacional gaulês será um caso (ainda mais) sério daqui a uns tempos. A julgar pela reação de Van Gaal, é caso para dizer que este talento não vai querer contaminar.

Visão dos Leitores (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Awesome_Mark, Kacal e Rúben Gomes

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