10 mitos no futebol

No futebol quem dita a opinião e cria o estereótipo é o povo. Muitas vezes errada ou não, a opinião é facilmente absorvida pela sociedade que, ditas as verdades, gosta de cair em modas. Discordar da generalidade é querer ser-se esperto, mas por vezes tem mesmo de ser (olá Ramos que não és central para o Real Madrid). Nesse âmbito, apresentam-se 10 mitos que circulam por variadas bocas e fazem disso uma lei quase imaculada... embora não o sejam.

Pepe e Danny foram formados no Sporting - Não corresponde à verdade, o central inclusive nunca pertenceu ao Sporting. Em 2002 o agora defesa do Real Madrid esteve à experiência no clube leonino mas, apesar de ter agradado, o negócio com o Marítimo não se realizou por motivos de ordem financeira. Já Danny, só chegou a Alvalade já depois de ter brilhado na 1.ª época de sénior ao serviço do Marítimo.
Ronaldo é mais forte fisicamente que Messi - Opinião geral das pessoas: Ronaldo é o jogador mais completo do planeta, porque marca de pé direito, pé esquerdo, de cabeça e principalmente por ser mais forte fisicamente que Messi. Na verdade, o astro argentino não só somou mais golos com o pior pé do que o seu "rival" na temporada passada, como é mais forte na vertente física. Bastante mais ágil (o que lhe dá uma capacidade terrível para desequilibrar), mais difícil de travar e com muito mais equilíbrio corporal -  incrivelmente forte nas divididas (ver vídeo "Messi es un perro"), enquanto que o português cai com relativa facilidade.
Dinamarqueses na praia quando foram chamados para substituir a Jugoslávia no Euro'1992, competição que acabaram por vencer (apesar da ausência da estrela Michael Laudrup) - É uma das histórias que marca o futebol mundial. Dez dias antes de começar o Europeu da Suécia a UEFA bane a Jugoslávia da competição, devido à guerra civil que abateu a região. A Dinamarca, que tinha ficado em 2.º na fase de qualificação, foi chamada para substituir a selecção de Savicevic ou Pancev. Na altura o seleccionador dinamarquês passou a ideia que os seus jogadores estavam a relaxar na praia, a beber umas cervejas e nada preparados para o Euro, um mito que ficou até hoje. Mais tarde Richard Møller Nielsen admitiu que quando foram chamados para substituir a Jugoslávia já estavam em preparação e até a realizar alguns jogos de treino.
Yaya Touré é um monstro defensivo, que está em todo o lado - Já não vem desta época, nem de 2014-15. A verdade é que Yaya Touré, que era trinco no Barcelona, não é forte a defender. Um jogador algo passivo, lento na recuperação, que exceptuando o período na Catalunha foi quase sempre mais um 8, até 10, que um 6. Aliás, o próprio City, devido à pouca contribuição do costa-marfinense defensivamente, tem procurado todas as épocas encontrar alguém eu jogue quase por 2, para atenuar essas lacunas do ex-Barça, primeiro foi Javi García, depois Fernandinho, a seguir Fernando e este ano Delph, não sendo raras as vezes que Pellegrini até coloca Yaya como 10.
André Gomes não tem intensidade - Ponto prévio: a intensidade não se vê no quanto mexem as pernas do jogador ou o quão vermelha fica a sua cara. Tão pouco se vê pelas corridas desalmadas que muitos apregoam. A intensidade vê-se no cérebro, no tempo de reação, na antecipação às jogadas do adversário e nisso não falta pingo de intensidade ao craque do Valencia.
1 ano na B e 1 ano emprestado a um clube da I Liga - Culminada a formação é hora de se apostar no jogador na equipa B. Mas um ano volvido de integração e tempo de jogo na equipa secundária, será o empréstimo a um clube da I Liga mesmo o melhor a fazer? Obviamente que não. Primeiro porque nesses clubes vão aprender pouco ou nada, sendo o chutão para a frente uma rotina constante, e os processos de jogo e tempo com posse uma escassez. Segundo porque na equipa B podem treinar e ser chamados a qualquer minuto à equipa principal. E terceiro porque nas equipas secundárias (principalmente as dos grandes) aposta-se num futebol assumido, com vertentes ofensivas e a evolução é outra.
O Sporting é a equipa que melhor trabalha a formação em Portugal e a única que aposta na "prata da casa" - Mais um mito. Já o foi, isso é inegável, mas há muito que permitiu a ultrapassagem quer pelo FC Porto, quer pelo Benfica, cujas formações enchem os quadros das seleções jovens. Neste aspeto, o Caixa Futebol Campus tem trazido uma inovadora evolução na aprendizagens dos "miúdos", não sendo de estranhar as recentes vendas com estes jovens, tal como os elogios de vários coordenadores de formação pelo mundo todo. Por outro lado, os anos recentes, quer com Godinho Lopes quer com Bruno de Carvalho têm demonstrado que a formação em épocas de "vacas gordas" é sempre vista como algo secundário, caso contrário os leões não teriam contratado mais de 30 jogadores nos últimos 2 anos. O que tem acontecido é um 2 em 1: más compras e falta de capacidade em contratar elementos de 1.ª linha ao nível de Gaitán, Jackson, etc, leva a que os jovens da Academia ultrapassem os maus reforços.
Eusébio colocou o Benfica no Topo da Europa - O "Pantera Negra" é o melhor jogador da história do clube da Luz e teve um impacto tremendo no desporto nacional mas, apesar de ter chegado a Portugal no Inverno de 1960, não participou na 1.ª conquista dos encarnados da Taça dos Campeões Europeus, em 1961. O principal responsável por esse feito foi José Águas, melhor marcador da competição com 11 golos e que permitiu ao Benfica ser o 1.º campeão europeu, exceptuando o Real Madrid (que tinha conquistado o penta nos primeiros 5 anos da prova). Eusébio foi determinante na 2.ª conquista das águias, em 1962, mas também nesse ano, apesar do impacto do King na final, voltou a ser José Águas a figura do Benfica com 6 golos. O "King" ajudou isso sim a manter as águias no topo da Europa, mas, apesar das presenças nas finais de 63, 65 e 68 só por uma vez (a tal de 1962 em que José Águas ainda era a referência) conquistou a Taça dos Campeões Europeus.
A Liga italiana está em queda - O Calcio não apresenta a força de outros tempos, mas está em contínua evolução. Tem o finalista vencido da Liga dos Campeões, os colossos históricos de Milão em rejuvenescimento, equipas médias que dão garantias nas provas internacionais e, por outro lado, nunca deixou de investir: o AC Milan, que nem tem ido à Europa, continua a ser das equipas com os salários mais caros na Europa; o Inter tem alguns dos reforços mais caros do último Defeso; e a tudo isto a Série A junta a virtude de ter sempre 6/7 equipas candidatas ao Top 2.
Mourinho quebrou a hegemonia do Barça - O Special One realizou 17 jogos contra o Barça no comando técnico dos merengues: venceu 5, empatou 6 e perdeu 6. A nível de títulos, nos 3 anos de Mou em Madrid o Real venceu uma Taça, uma La Liga e uma Supertaça, nessas 3 épocas os catalães arrecadaram: 2 campeonatos, uma Taça, duas Supertaças, uma Liga dos Campeões, uma Supertaça Europeia e um Mundial de Clubes.

Fábio Teixeira

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