Alemanha agrava jejum de Portugal

Portugal 0-1 Alemanha (Mukhtar 39')

Não vai ser este ano que Portugal vai colocar um ponto final num jejum de títulos internacionais que dura desde o Europeu sub-17 em 2003. A selecção nacional perdeu frente à Alemanha, de maneira justa diga-se (a 'Mannschaft' até merecia ter goleado), na final do Europeu sub-19 e ainda não foi desta que voltou a erguer um troféu. Mas, apesar da derrota, há 3 ideias que ficam para o futuro: é urgente criar condições para que os jovens lusos tenham mais oportunidades na I Liga (a nossa selecção era das que tinha menos jogos ao nível sénior), ao contrário da equipa que foi finalista no Mundial sub-20 em 2011 esta geração de André Silva, Gelson ou Rafa tem muito mais talento (por isso não há desculpas para a falta de aposta); 2015 pode ser um excelente ano para as selecções nacionais (mas para isso é preciso que estes miúdos tenham mais espaço), já que esta geração vai disputar o Mundial sub-20 (e daqui a um ano, se tiverem mais jogos com outro tipo de exigência, vão estar mais fortes) e os sub-21 tem boas hipóteses de disputar o europeu da categoria (o problema é que também esses ou são suplentes ou estão em equipas B).

Portugal não teve hipóteses perante uma Alemanha superior a todos os níveis. Este era o jogo em que a equipa portuguesa seria verdadeiramente testada (até aqui os adversários estavam perfeitamente ao alcance) e a verdade é que a resposta não foi positiva. Os comandados de Hélio Sousa foram inferiores durante grande parte dos 90', criaram apenas uma ocasião para marcar e se não fosse a falta de eficácia dos alemães (e um André Moreira em bom nível) até poderia ter sido goleado. No final de contas, um desfecho previsível, tendo em conta a superioridade alemã enquanto equipa e a maior experiência em graus de competitividade elevados (a maioria dos jovens lusos só jogou na II Liga). 

Portugal - Jogo fraco da equipa nacional. Nunca houve capacidade para ter a posse de bola e o meio campo não esteve à altura (pouco pressionante). Guzzo nem se viu (a menos que tenha sido por problemas físicos, faria mais sentido que jogasse Francisco Ramos), Podstawski também não esteve ao mesmo nível e Rony pouco participou nas tarefas defensivas. O craque do City foi mesmo uma das desilusões na equipa de Hélio. Esteve pouco em jogo e não conseguiu assumir as despesas ofensivas. Gelson e Ivo Rodrigues desequilibram a espaços, mas sem incomodar verdadeiramente a defensiva alemã. André Moreira terá sido o melhor jogador da equipa, evitando vários golos do adversário.

Alemanha - Mesmo sem Goretzka, Meyer ou Gnabry foi um passeio para os germânicos. Equipa muito evoluída em todos os aspectos, que controlou sempre o jogo e que facilmente criou desequilíbrios no conjunto português. Percebe-se a vontade que há de seguir o modelo de jogo da selecção AA, inclusive no guarda-redes a actuar como líbero. Mukhtar foi o melhor em campo (fez o golo e mostrou pormenores técnicos excelentes), bem acompanhado por Stendera e Brandt, ambos muito dotados do ponto de vista técnico. Oztunali desequilibrou no transporte de bola, enquanto Selke, o goleador, hoje não esteve tão eficaz.

Outros destaques: Num Euro sem a presença de Espanha, Holanda ou França não houve tantos destaques como habitualmente. Na Sérvia Zivkovic, já internacional AA, teve de ir para casa mais cedo, mas é o elemento com maior potencial. Extremo esquerdino que actua pelo lado direito, forte tecnicamente e com grande visão de jogo. Os sérvios apresentaram também vários jogadores talentosos na defesa, como os dois centrais (Jovanovic e Babic), o lateral-esquerdo Antonov e o guarda-redes Rajkovic. Na Áustria, Bytiqi, avançado móvel, Grillitsch, outro avançado, e Michorl, médio centro esquerdino, foram as principais figuras (Blutsch também esteve em bom plano).

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