Como diria Einstein, o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário. Isto acontece porque o sucesso só está predestinado àqueles que a uma determinação eloquente juntarem o suor suficiente para dar por realizada qualquer tarefa. E como dizem as leis da vida, sem trabalho nada feito. Por isso mesmo é que António Salvador conseguiu fazer do SC Braga o que ele é hoje.
Em Braga mora a equipa que nos últimos anos mais colocou em causa o monopólio dos três grandes no Futebol Nacional. Parafraseando um pouco a situação, nas últimas cinco épocas, os Arsenalistas somam duas presenças na Liga dos Campeões, uma final europeia, uma Taça da Liga, um título discutido até à última jornada e três classificações no campeonato acima do Sporting e uma à frente do FC Porto. Mas como nem tudo da vida é um mar de rosas, nos últimos dois anos, – e apesar da conquista da Taça da Liga –, o rendimento desportivo e até organizacional do SC Braga tem baixado exponencialmente. Salvador não conseguiu atenuar as saídas de Salino, Amorim, e principalmente de Viana e Mossoró. Nas competições europeias os Gverreiros desiludiram, ao ponto de este ano nem se conseguirem apurar para a fase de grupos da Liga Europa, quando pela frente tinham o modesto Pandurii. No campeonato foram ultrapassados pelo Paços de Ferreira no ano passado e esta época tudo está em crer que pelo menos Estoril e Nacional suplantarão os Arsenalistas. E a tudo isto juntam-se as cinzentas exibições realizadas e o decréscimo no rendimento contra os três grandes (em cinco jogos têm cinco derrotas este ano), algo que até era um dos pontos fortes da equipa nortenha.
Depois de tanto trabalho para colocar o Braga bem acima de todos os clubes portugueses excetuando os três grandes, voltar à mediania não é, definitivamente, uma opção. E 2014-15 vai definir qual é a posição dos minhotos no contexto do futebol português: um lugar no top 4, que só será possível se Salvador repetir o processo que levou os gverreiros a um patamar importante a nível interno, irá manter tudo na mesma; mas uma nova época abaixo das expectativas (a juntar ao 4º lugar da época passada e à má classificação desta), poderá acabar de vez com o ciclo "glorioso" dos minhotos e fazer com que o clube fique a uma distância gigantesca do top3.
Mesmo atendendo que o SC Braga não possui os mesmos argumentos que os crónicos candidatos ao título, a superioridade a vários níveis em relação aos outros clubes nacionais permite aos Gverreiros poderem ambicionar como objetivo mínimo o quarto lugar, lutarem pelas taças e por boas participações na Liga Europa. Mediante isto, a direção tem de arranjar um treinador capacitado e inovador, reduzir o nº de activos (é absurda a quantidade de jogadores que estão noutros clubes por empréstimo dos minhotos que nunca vão ter espaço na equipa principal), ser mais competente na abordagem ao mercado interno. Está a ser ultrapassado na busca dos melhores jogadores dos clubes inferiores do campeonato e se quer voltar a aproximar-se dos 3 grandes tem de, mais do que nunca, trabalhar por antecipação, até porque, o Sporting mudou a sua política de mercado e o próprio Estoril, apesar de ter menos recursos, tem tido a capacidade de construir elencos competitivos com uma boa abordagem ao mercado. Solucionar de vez o problema da substituição de elementos como Alan, Viana e Mossoró, com figuras que tenham a capacidade de juntar a qualidade à experiência. E por último, é necessário uma aposta mais veemente na formação, aproveitando assim a qualidade dos seus jovens e ganhando o estatuto de clube formador (o que poderia levar a que mais jovens se interessassem por ingressar nos seus escalões de formação).
Visão dos Leitores (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Fábio Teixeira e Tiago Martins
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