"Visão da Leitora": Danças Com Lobos

Ricky Van Wolfswinkel joga amanhã, frente ao Olhanense, o seu último jogo em Alvalade e o penúltimo de leão ao peito. Se fosse em qualquer outro país que não Portugal, o holandês receberia uma ovação de pé; cá, a filosofia é diferente e o reconhecimento menor, a cultura é distinta. O ponta-de-lança vai sair de Alvalade com o rótulo de um dos jogadores mais assobiados esta época.

O que é irónico. O Lobo está perto de completar dois anos em Portugal. Em 86 jogos, marcou 43 golos: um índice de aproveitamento de 50%, uma brutalidade nos dias de hoje e que prova bem os seus dotes de goleador. Na verdade, sempre deu a impressão – até pela ilha em que vivia no ataque leonino – que noutro contexto (um Porto, um Benfica ou um Sporting em melhores tempos) a sua eficácia seria ainda mais contundente. O certo é que com a paupérrima produção atacante da sua equipa, é já um milagre Ricky ter marcado tantos golos, além do trabalho incansável de desgaste da defesa adversária.

Os assobios habituais devem tornar-se no Sábado em aplausos, já que Wolfswinkel foi um dos melhores reforços dos leões na última década – a importância que teve (sem os seus golos o Sporting estava em lugar de descida), os recordes que bateu (depois de Jardel em Alvalade ninguém marcou tanto como o holandês na 1ª época nos últimos 30 anos) e a comparação com as aquisições de Bojinov, Elias, Jeffrén, etc, falam por si – e foi desde o início, como o VM sempre referiu, um exemplo de competitividade e profissionalismo. Apesar de ser o saco de pancada dos adeptos, nunca deixou de dar o máximo pelo clube nem proferiu uma palavra contra aqueles que injustamente o assobiavam, algo fora do normal nos relvados portugueses (recorde-se que Hélton, capitão portista com largos anos de experiência, amuou ao ouvir assobios a si dirigidos vindos da bancada).

No entanto, o mais grave desta venda e da forma como Alvalade o tratou especialmente nesta última época é a lacuna que o holandês vai deixar na frente de ataque verde-e-branca. Golos, atitude e profissionalismo são uma combinação muito difícil de encontrar hoje em dia e se Ricky foi um achado, é pouco provável que o milagre ocorra duas vezes. A sua substituição será a espinhosa tarefa com que Bruno de Carvalho e Augusto Inácio terão de se deparar – resta agora os adeptos sportinguistas aproveitarem os dois jogos que restam do Lobo Ricky Van Wolfswinkel. Como será o novo Sporting sem RVW? Poderão os dirigentes leoninos encontrar nova raridade ou a frente de ataque ficará outra vez órfã de um ponta-de-lança de qualidade? Ricky tem sido, junto a Patrício e Eric Dier, o melhor elemento do Sporting esta época: e agora? Se Viola (como declarou Jesualdo) não é opção, quem o será? Chegou a hora de olhar para dentro e dar oportunidade a Betinho e especialmente Rubio ou Etock?

Visão da Leitora (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Inês Sampaio

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