E agora, Braga?

E agora? Não se pode dizer que a época do Sp. Braga tenha sido um fracasso. No entanto, também seria tolice afirmar que foi um sucesso. Os minhotos foram eliminados da Taça, conquistaram a Taça da Liga, despediram-se da Europa na fase de grupos da Champions e terminaram o campeonato no quarto lugar. E não foi um quarto lugar com os três grandes no pódio. Nada disso. Foi um quarto lugar atrás de um “pequeno” Paços de Ferreira que, apesar de ter feito um campeonato hercúleo, é (e continuará a ser) considerado inferior à equipa que bateu pela última vaga na Liga dos Campeões.

E agora? O grande problema de ter saído tão cedo das competições europeias e de não ter chegado à liga milionária é a falta de milhões. No caso do Braga, para haver um crescimento sustentado, é preciso que o dinheiro continue a entrar – cada ano mais que no ano anterior. E com um grupo acessível e uma conjuntura aparentemente fácil – Sporting em péssimo momento, logo via aberta para o terceiro lugar –, o Braga tinha a obrigação de ter assegurado a Champions. No entanto, não o conseguiu.

E agora? Prevê-se que haja um corte no orçamento e, por isso, que a distância para os grandes volte a alargar-se. O poder de atracção que o Braga começava a conquistar em relação a jogadores diminuirá – a montra da Liga Europa é bem menos apetecível que a da Champions – e os sonhos terão de ser cravados de menor ambição. Em vez de entrarem milhões, entram milhares; e no futebol moderno, isso conta até mais não.

E agora? Peseiro, apesar de ter conquistado o primeiro troféu da era António Salvador, deverá ser despedido. Se é verdade que perdeu Lima de repente e que Éder se lesionou durante demasiado tempo, não menos o é que tinha a obrigação de fazer um trabalho mais consistente, imprimir maior regularidade à equipa. Se um clube quer cimentar uma posição no futebol nacional, tem de ser capaz de derrotar os seus adversários directos na demanda por esse objectivo – coisa que os minhotos não foram capazes de fazer, perdendo das duas vezes que defrontaram o Paços de Ferreira. Assim, a solução natural será a saída de Peseiro, sendo que se fala em Jesualdo Ferreira e Paulo Fonseca para o lugar do técnico de Coruche, mas ainda sem quaisquer certezas.

E agora? O que é certo é que o Braga falhou a maior parte dos objectivos a que se propôs esta época (mínimo terceiro lugar, lutar pelo título, fazer boa figura na Champions) e, embora tenha obtido um título (o mais desvalorizado do panorama nacional, acrescente-se, mas mesmo assim é um título), podia ter feito também melhor campanha na Taça de Portugal (após eliminar o Porto, exigia-se a final). Sendo assim, a próxima época poderá servir de tira-teimas para o clube minhoto: conseguirão manter o nível demonstrado nas últimas épocas ou a ausência da Champions será um fardo demasiado complicado de suportar? Esperemos para ver.

Visão da Leitora (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Inês Sampaio 

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