Um elenco de boa qualidade, conseguido através de uma boa movimentação do mercado, à qual Jorge Mendes não está alheio, permitiu ao Rio Ave atingir um outro patamar na presente temporada. Com uma dimensão inferior à dos bracarenses (tanto a nível de apoio como de infraestruturas), os vilacondenses apresentam sinais de que podem atingir um patamar interessante (quem sabe perto do que o Braga conseguiu nas últimas épocas, depois de ter passado por uma processo semelhante ao dos vilacondenses), o de uma equipa com presença assídua nos seis primeiros lugares da tabela, inclusivamente com condições para lutar pelo quarto posto nos próximos anos, caso este projecto tenha continuidade. E como até à data estamos perante um processo onde se verificam proveitos para todas as partes envolvidas, em receita de sucesso...em princípio não se mexe.
Habituado a águas por vezes agitadas, o clube da cidade de Vila do Conde vive hoje em dia momentos tranquilos. A cumprir a 19ª presença na principal prova do futebol português, o Rio Ave segue num excelente quinto lugar (se o campeonato terminasse neste momento igualaria a melhor classificação da história do clube), bem distante da luta pela fuga à despromoção, o que poderá permitir uma abordagem ao restante terço do campeonato isento de qualquer pressão. Seguem na quinta temporada consecutiva no principal escalão (recorde do clube), os vilacondenses têm beneficiado da ligação estreita efectuada com a Gestifute, empresa de Jorge Mendes, facto que para muito contribuiu a chegada de Nuno Espírito Santo ao comando técnico do clube. Negócios como o de Bebé, Rodriguez ou Filipe Augusto, bem como os empréstimos de Lionn e Edimar, em muito se devem ao referido empresário, no entanto, o sucesso recente do clube vai mais além de Jorge Mendes. Poucos, mas bons adeptos, uma autarquia dedicada ao máximo ao clube, aposta bem sucedida em jogadores de escalões inferiores (Tarantini, Marcelo, entre outros), aliados a bons valores contratados a clubes brasileiros de pouca nomeada, bem como direcções competentes (salários sempre em dia), são bons indicadores para a explicação do actual bom momento do
clube.
Porque nem só o plantel sénior do clube merece destaque. O emblema vilacondense deu um salto, também ao nível da formação e até no futsal. A equipa de juniores é uma das oito que se encontra neste momento a disputar a fase final do campeonato nacional, onde apenas marcam presença os quatro melhores conjuntos de cada zona (Norte e Sul) da fase regular. Após uma primeira volta de bom nível, onde ombreou com FC Porto e SC Braga, os vilacondenses quebraram um pouco, terminando na 3ª posição, logo atrás dos dois referidos. A secção de futsal do clube vive também um excelente momento. Jogadores como Formiga, Coelho, Israel ou Cardinal, bem como novos valores que são Fábio Lima e Julinho, são elementos constituintes de um plantel que segue também ele na terceira posição do escalão máximo do campeonato português, apenas superados por Benfica e Sporting, dois clubes claramente à parte na modalidade.
Jorge Mendes é o parceiro ideal para o Rio Ave? Estamos perante uma situação em que o empresário demonstra, mais uma vez, todo o seu poderio no panorama futebolístico nacional (e até internacional)? Até onde podem chegar os vilacondenses? Vai haver uma continuidade e até evolução nesta boa base que está a ser criada no Futebol, formação e Futsal?
A. Carvalho