Portugal sem grandes dificuldades (o resultado até podia ter sido mais expressivo não fosse algum individualismo) derrotou a Estónia (equipa muito limitada) na estreia do Euro'2012 de Sub-19. Este triunfo permite à selecção nacional liderar o Grupo A e praticamente garantir a presença no Mundial sub-20 (era o objectivo mínimo).
Domínio total (Edgar Borges apresentou o 11 que o VM perspectivou e os jogadores demonstraram o futebol que prevíamos,
ler aqui), boas perspectivas para o resto da competição (é importante não entrar em euforias, pois a Estónia é a selecção mais fraca do Euro) e principalmente a garantia que muitos dos elementos que compõe este elenco podem ser figuras (do futebol português) no futuro.
A partida começou da melhor maneira, com um auto-golo de um jogador da Estónia, no seguimento de um pontapé de canto. Portugal estava sobre o meio campo do seu rival e, sem surpresas, chegou ao 2-0, por Betinho. O avançado português aproveitou novo brinde da defensiva contrária. As oportunidades de golos foram surgindo, mas o último passe, toque ou remate raramente saiu com a direcção desejada. No segundo tempo, a selecção nacional relaxou por momentos e a Estónia esteve perto do golo (Tiago Ferreira cortou sobre a linha). Na última meia hora, Portugal voltou a tomar conta do jogo e chegou novamente ao golo. Daniel Martins cobrou de forma exemplar um livre directo e marcou o golo da noite. Até final, novas jogadas de perigo, mas o resultado não se alteraria mais.
Destaques:
Portugal - Uma exibição positiva frente a um adversário que não mostrou qualidade para disputar um europeu. A selecção nacional terá ainda que melhorar o seu colectivo (muitas jogadas individuais) para fazer frente às nações mais perigosas.
Estónia - Selecção que só está presente no Euro, porque são os organizadores. Os dois primeiros golos de Portugal foram ofertas e o ataque construiu apenas uma jogada perigosa (curiosamente saiu de um pontapé do seu guarda-redes para as costas da defesa de Portugal).
João Mário - A jogar a 2º médio espalhou técnica, visão de jogo e capacidade de decisão. A qualidade que exibiu fez dele a figura da partida.
Agostinho Cá - Tem alcunha de Deschamps mas é uma fotocopia de Lass Diarra. Encheu o campo com a sua capacidade de recuperação de bola, reagir à perda de bola e jogo simples (passes curtos ou longos e sempre disponível para receber e dar linhas de passe). Depois de João Mário o elemento em maior destaque.
João Cancelo - Um dos melhores. Muita profundidade, desequilibrou com a sua técnica individual e pecou apenas no momento de decisão.
Daniel Martins/Betinho - Apontaram os golos de Portugal. O lateral deu menos profundidade (também não tem técnica para isso) ao seu flanco que Cancelo, mas apontou um golaço de livre directo. Já o avançado, praticamente na única vez que tocou na bola, finalizou para a baliza adversária.
Tiago Ilori/Tiago Ferreira - Os dois centrais portugueses tiveram uma actuação impecável e sem grandes dificuldades perante o ataque da Estónia. Na única distracção, Tiago Ferreira, salvou o golo da Estónia perto da linha de golo.
R. Esgaio/Bruma - O primeiro esteve discreto com bola, mas tacticamente e em termos de capacidade de decisão está a um nível superior; enquanto Bruma tentou desequilibrar, mas o jogo também não exigia muito.
André Gomes/Ivan Cavaleiro - O médio centro esteve bastante activo, mas pecou no capítulo do passe e do remate, enquanto Cavaleiro entrou bem na partida e criou grandes desequilíbrios pelo seu flanco.