A história do Ténis masculino é feita de grandes domínios de vários atletas de excepção, contudo, parece que nunca houve tanto desequilíbrio entre os três melhores da actualidade e a restante concorrência. Federer, Nadal e Djokovic parecem três extra-terrestres no ATP Tour, limpando todos os Grand Slams com grande superioridade. Analisando as 4 maiores provas do Ténis Mundial, durante os últimos 40 anos, verificamos que é nesta última década onde menos tenistas diferentes ganharam um Grand Slam:
Entre 1973 e 1982 – 23 tenistas
Entre 1983 e 1992 – 24 tenistas
Entre 1993 e 2002 – 24 tenistas
Entre 2003 e 2012 – 9 tenistas (falta apenas o US Open)
Também o número de mudanças no topo do ranking ATP diz muito sobre os desequilíbrios da actualidade:
Entre 1973 e 1982 – 19 mudanças de nº1 (5 tenistas diferentes)
Entre 1983 e 1992 – 31 mudanças de nº1 (5 tenistas diferentes)
Entre 1993 e 2002 – 30 mudanças de nº1 (10 tenistas diferentes)
Entre 2003 e 2012 – 11 mudanças de nº1 (5 tenistas diferentes)
Nos últimos 10 anos, apenas por 6 ocasiões é que Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic permitiram a outros tenistas vencer em Grand Slams. Roddick (2003 – US Open), Andre Agassi (2003 – Australian Open), JC Ferrero (2003 – Roland Garros), Gaston Gaudio (2004 – Roland Garros), Marat Safin (2005 – Australian Open) e del Potro (2009 – US Open) foram os seis heróis a intrometer-se entre Federer, Nadal e Djokovic, mas apenas Safin e Potro conseguiram triunfar com pelo menos Federer e Nadal nas suas máximas capacidades.
Se no passado tivemos grandes duelos entre Jimmy Connors, Bjorn Borg, John McEnroe e Ivan Lendl; Mats Wilander, Stefen Edberg, Boris Becker, Ivan Lendl e Jim Courier; Pete Sampras, Andre Agassi, Thomas Muster, Kafelnikov, Patrick Rafter, Safin e Gustavo Kuerten; na actualidade apenas Nadal, Federer e Djokovic conseguem ser rivais deles próprios, pois os restantes tenistas, principalmente nos Grand Slams não conseguem equilibrar as forças com os 3 citados (Murray, Tsonga, Berdych, Del Potro, apresentam muita qualidade e podem vencer Federer, Rafa ou Djokovic em qualquer superfície, mas a verdade é que quando chegam os Grand Slams acabam sempre por ceder).
Resta saber se são Federer, Nadal e Djokovic que estão num nível estratosférico ou são os adversários que não têm a qualidade dos rivais de Sampras, Borg, Lendl, Agassi ou Becker. Qual foi a melhor década do ténis? Melhor jogador de sempre? Quais são as causas para o grande desequilíbrio entre os 3 melhores (Federer, Nadal e Djokovic) e os restantes?


Acredito que o Murray ia dominar se jogasse nos anos 90. Por isso sou dos que defende que estes 3: Federer, Nadal e Djokovic são mesmo os melhores de sempre.
ResponderEliminarObrigado por abordarem outras modalidades. Continuem o bom trabalho VM e não acabem com o blog. Os leitores que valorizem o que fazem com clicks na pub e comentários que vocês merecem.
Sobre a melhor década de sempre não me pronuncio pois apenas assisti a duas (com mais atenção esta ulíma).
ResponderEliminarRelativamente ao melhor tenista de sempre, os números falam por si, e é impressionante como com uma idade de 30 anos Federer consegue bater recordes, ainda para mais quando os adversários são o Djokovic e Nadal.
Penso que não há causas específicas para o maior poderio desses 3 tenistas, apenas nasceram 3 fenomais tenistas enquanto os outros ficam-se por excelentes tenistas. Se houvessem causas as estatísticas jogavam contra a informação dada pelo VM pois é cada vez maior o número de praticantes do ténis e supostamente haveria um maior equilíbrio.
Grande post VM!
Penso que hoje em dia o ténis mudou muito. As características dos jogadores actuais permite-lhes ganhar em qualquer tipo de superfície, mas sem sombra de dúvidas que não há concorrência para Nadal, Federer ou Djokovic.
ResponderEliminarPessoalmente era mais fã da época do Agassi, Sampras, Rafter, Rios e por aí fora.
Parabéns pelo vosso site.
Olá!
ResponderEliminarEm relação à melhor década do ténis (do ténis moderno) temos que associar a componente física para distinguir os anos 70 dos últimos 10...! Foram nestas duas décadas que se concentraram os melhores dos melhores (Borg, Connors, McEnroe, Nadal, Djokovic e Federer) aos quais se podem acrescentar Sampras e Agassi mas na década mais equilibrada de todas, a de 90!
Na de 70, tínhamos o ténis mais técnico, mais puro e mais efervescente, equilibrando-se a partir dos anos 80. Na de 90, veio um pouco do romantismo anterior onde surgem Agassi e Sampras que elevaram o nível da modalidade e onde surgem outros jogadores que eram puro talento (Rios, Corretja, Rafter). Depois, houve de facto uma época de transição com a mudança de século até aparecer Federer que incorporou toda a essência do ténis, é ele o melhor de sempre pelas estatísticas, pelos números, pelos troféus e pelo jogo.
Esta é uma época com 3 campeões, três jogadores que acima de tudo mantêm não só uma rivalidade saudável como uma amizade e um respeito incomparáveis em qualquer outro desporto.
Nadal, ao contrário do que dizem, é completo e guerreiro, Djokovic um puro talento e Federer pura classe. Temos sorte de assistir a grandes jogos mas há também outro factor que torna esta década mágica, vejam jogos entre outros top10, entre top20 com top10... são verdadeiros hinos.
Tirando a relva onde há maior homogeneidade e equilíbrio, continuo a achar que nos próximos 3 anos o domínio será deste top3 (talvez com intromissão já merecida de Murray) e depois... logo se verá.
Para mim o melhor tenista de todos os tempos é o Roger Federer, mas o jogador que jogava melhor e dava mais espectáculo era o Patrick Rafter que venceu dois US OPEN seguidos, perdeu duas finais de Wimbledon seguidas, era tremendo e nas melhores jogadas do ano, ele estava sempre presente com 5 ou 6 jogadas votadas como as melhores do ano.
ResponderEliminarAcredito que a geração de Rafter, Agassi, Sampras, Chang, Rusedki, Ivanicevic, Ríos e Sergi Bruguera entre outros fosse mais forte do que esta por isso é que existia uma alternância maior em termos de vencedores dos 4 grandes torneios (grand slams).
Ainda me lembro da última final de Rafter (AUS) contra o Ivanisevic em Wimbledon nunca tinha visto um público tão animado como naquele jogo, simplesmente um dos melhores jogos de sempre, assim como a final entre o Sampras e o Rafter no US OPEN em 1997.
Isto não invalida de mencionar que os 3 homens que ocupam os três primeiros lugares no ranking ATP não sejam dos melhores de sempre.
Já que a temporada de 2011 nunca tinha visto um jogador ganhar tantos torneios seguidos como Novak Djokovic fez por ventura uma das melhores épocas de sempre de um tenista.
Rafael Nadal é indiscutivelmente o melhor jogador de sempre a actuar em Roland Garros e nos recintos de pó de tijolo (vulgo terra batida).
Roger Federer sempre preferiu courts rápidos (hard courts) por isso é que quando tinha 23-28 anos era quase imbatível nessa superfície excepção feita a algumas derrotas contra Rafael Nadal.
Li agora o vosso post de Junho em que se congratulavam com algumas milestones do VM. Quis dar a minha opinião, mas achei que já não leriam os comentários àquele post, por isso é comento neste. Parabéns pelo vosso enorme trabalho. Acho que vocês, melhor que ninguém, têm consciência do que o vosso blog precisa. Deixo três sugestões:
ResponderEliminar1. MOBILE - é a nova bolha da informação, smartphones e tablets. Há milhentos sites online grátis que dão para fazer uma app para iPhone em 15 minutos e pô-la à venda na app store custa 99€ (ou seja 99 imperiais) por ano, não sei quantos voês são, mas isso a dividir por todos por mês, é quase nada. Vejam a da Pipoca Mais Doce (http://itunes.apple.com/us/app/a-pipoca-mais-doce/id514270508?mt=8) que rivaliza convosco como blog mais visto de Portugal. A sério, é mega fácil fazer um app-site ligado com o vosso blog automaticamente. Qualquer utilizador normal da internet faz isso.
2. ENTREVISTAS - entrevistem alguém, quem quer que seja. Não vão conseguir entrevistar o Lucho (embora devam tentar, tentar) mas vão de certeza conseguir entrevistar um qualquer jogador sub-18 do Sporting no fim de um jogo com o Benfica (que pode ser o próximo Ronaldo), um tenista português jovem promissor qualquer, arranjem contactos. Tal como vocês adoro a NBA e o Draft é qualquer coisa de brutal! Já que nós cá não temos nada disso (ainda) talvez gente jovem como nós consigamos promover jogadores jovens! A sério, entreviste alguém!
3. DESIGN - aposto que 95% das sugestões que recebem são neste sentido, não se zanguem com o facto de ser tão repetitivo, mas melhorem. O design não corresponde à qualidade dos posts.
Se precisarem de contactos de futebolistas, tenistas jovens, webdesigners respondam-me a esta mensagem, ou através do facebook, procurem na vossa rede de contactos, de certeza que conhecem alguém, que conhece alguém, que conhece alguém que vos podia ajudar.
Grande abraço!
Muito bom post. Parabens mais uma vez!
ResponderEliminarUma única dúvida: entre 2002 e 2012 terão sido 17 ou apenas 9 os tenistas diferentes? 17 não seria assim tão impressionante e tal como especificaram abaixo, penso serem apenas 9.
Outro facto a frisar é que nos últimos 7 anos apenas del potro quebrou a hegemonia deste fabuloso top3 (apesar de acreditar que o Murray até ao final de 2013 possa intrometer-se na luta, ou mesmo o del potro se retomar a forma de 2009)
Atentem também às boas (e construtivas) soluções do Francisco Cabral.
Por motivos etários começei a ver tennis quando os americanos dominavam (sampras, agassi, seles,davenport...) mas logo apareceram os europeus que tem dominado a modalidade (sobretudo no masculino porque ainda ha a serena). è dificil fazer uma comparação mas hoje em dia temos "rivalidades" fantásticas entre os 3 primeiros (o murray esta um patamar a baixo do djo,nadal e federer) mas ao mesmo tempo ha uma enorme dificuldade em vermos jogadores nas meias-finais que nao sejam estes 4. dito isto acho que como alguem ja disse o "big three" pode nao agradar a toda a gente pois torna a competiçao mais monótona mas sempre temos o tenis feminino é que é sempre uma confusão desgraçada.
ResponderEliminarSem duvida que são 3 tenistas incríveis, são diferentes mas quando jogam uns contra os outros, é uma delicia ver esses jogos!
ResponderEliminarObrigado VM por dares atenção a todas a modalidades.
Continuação do excelente trabalho!
A melhor década foi claramente a primeira citada a de Borg e McEnroe, pois não é por acaso que ficaram para a história, no entanto, para mim o melhor da história é e será por muitos anos Roger Federer, simplesmente por ser o tenista mais completo de sempre além de fazer tudo com classe, no entanto pode parecer contraditório, mas Federer é o melhor da história mas não é o melhor da actualidade pois já passou o seu auge...
ResponderEliminarA razão do desiquilíbrio entre o trio principal está não só na capacidade psicológica, (por exemplo Djokovic é especialista a salvar match-points enquanto que o Nadal se se apanha em vantagem nunca mais perde), mas também na intensidade de jogo que apresentam pois no início qualquer um do top 10 consegue fazer frente aos 3 citados mas não passa daí porque não conseguem imprimir uma intensidade a top durante o encontro todo pelo que começam a claudicar a partir do 2 set...
Estas são as grandes diferenças pois a nível tecnicos as diferenças não são tão evidentes (tirando Federer que técnicamente é perfeito em tudo) inclusive, Murray a nível técnico é superior a Djokovic e a Nadal...
Natan disse...
ResponderEliminarEstá acontecendo o mesmo que acontece no futebol, faltam TALENTOS!
Ou vcs por acaso acham que C.Ronaldo e Messi conseguiriam ser tão grandes se jogasse na epoca em que Ronaldo, Ronaldinho, Zidane, Henry,Shevishenco, Figo e etc... estavam no auge?
Hoje C.Ronaldo e Messi alem de jogarem contra jogadores menos talentosos, joga em uma liga que esta em decadencia onde somente dois clubes conseguem contratar, nós anos 90 e começo dos anos 2000 LA LIGA era super forte.
Joao. ja está alterado. Os 17 era entre 2000 e 2012, mas alterei as datas para 2003-2012.
ResponderEliminarSem duvida tanto Federer como Nadal e Djokovic são de um nivel secalhar nunca antes visto...agassi para mim está numa segunda linha mas quem eu mais gostei de ver jogar foi sem duvida Gustavo Kuerten, nunca teve no topo do mundo, mas jogava que se fartava...
ResponderEliminarNão vim comentar bem pelo ténis, foi mais em prol das modalidades. Já que costumam comentar todas as modalidades, era bom que começasse haver análise também de andebol. Eu até não me importava de colaborar no que fosse preciso, já agora o meu mail é mixabuh@sapo.pt, por fim dizer que a nossa selecção sub-20 foi vice-campeã da europa no ultimo europeu e agora já passou a main-round batendo a croácia e polónia, empatando com a rússia ficando em 1º no grupo B do campeonato da europa sub-20 de andebol masculino.
ResponderEliminarHoje em dia o tenis está, como todos os desportos, super-evoluído fisicamente. É quase impossível um atleta viver exclusivamente de "talento"...
ResponderEliminarNadal, tecnicamente, nem é dos melhores, mas é de longe o melhor espécime do ponto de vista físico.
Depois temos a bateria de apoios ao atleta: nutricionistas, médicos, fisioterapeutas, psicólogos, quiropatas, sem falar nas análises que se fazem sobre os advrsários.
E já agora, juntem-se equipamentos... a 1ª vez que joguei ténis foi com uma raquete de madeira, que pesava 10 vezes mais que uma actual de carbono...
Por tudo isto, é impossível "comparar" décadas... como não podemos comparar o Spitz com o Phelps, ou o Hinault com o Contador...
Ainda assim, pelas rivalidades, e pela técnica "pura", não há nada como os 80... Borg, Lendl, McEnroe, Connors, Edberg, eram mestres da arte; não eram atletas, eram mesmo artistas.
Não acompanho tenis à tempo suficiente para fazer comparações com gerações anteriores. No entanto, parece claro que o 3 referidos são muito superiores aos restantes tenistas. Na minha opinião o que acontece é que existem os tais 3 de nível muito elevado, e depois a 2 linha é de um nível baixo de mais para competir com estes 3. (Um pouco o que se passa no futebol, onde dois se destacam dos demais, pelos mesmo motivos, são os dois muito fortes, mas depois a 2ª linha não chega sequer perto).
ResponderEliminarCumprimentos,
Ricardo Silva
Bem vindos os posts sobre as Modalidades, em particular o Tenis, numa altura tao importante do Tenis Mundial...
ResponderEliminarA minha opiniao é que estes 3, sao mesmos uns extra terrestres, e na minha opiniao, venceriam e adaptariam-se a qualquer adversarios dos supracitados (Borgs, McEnroes, Beckers, Agassis, e afins)..
Têm os 3 um nivel absurdo, contudo o Federer tem 30 anos, e bate-se com estes 2 monstros, Nadal e Djoker, e ainda lhes ganha... simplesmente estes 2 tiveram azar de aparecer na Geraçao do maior Mago do Tenis de sempre...
Murray, grande jogador, 4 finais de Grand Slams perdidas, senao me engano, 3 para Federer e 1 para Djokovic... espero que ganhe pelo menos um Grand Slam, a desmotivaçao perante estes craques deve ser tremenda, para nao falar da frustaçao...
Parabens VM.
Sem dúvida que o Federer é o melhor tenista de sempre e é a verdade é que mesmo não tendo acompanhado as outras décadas de excelentes tenistas, por tudo o que consegui ver dos outros tenistas e por tudo o que sei dos tenistas de hoje, acredito que os 3 melhores tenistas do momento bateriam-se muito bem e acho que até conseguiriam ser melhores...
ResponderEliminarA verdade é que temos 3 brilhantes tenistas que são extremamente difíceis de derrotar por outros tenistas, mas que nesses 3 existe um tal de Federer que é o melhor tenista de sempre! :D
Espero que o Murray consiga vencer um Grand Slam porque ele é dos principais prejudicados de existirem assim estes 3 tenistas que conseguem ganhar os Grand Slams todos...