quinta-feira, Julho 31

Reforços à vista para Paulo Bento? Depois do que se falou acerca da renovação da Selecção Nacional, e da falta de matéria-prima à disposição do seleccionador, eis que o defeso traz boas notícias. Se a lógica das chamadas se mantiver, Eliseu e Bebé são adições ao grupo que irá atacar o Euro 2016. Lembrando tempos passados, vem à memória o caso já aqui discutido de Licá e Josué, dois jogadores que haviam dado nas vistas na época 2012/13, mas que nunca mereceram atenção do seleccionador. Mudada a vestimenta, que é como quem diz, com camisola azul e branca, o seu estatuto mudou imediatamente de invisíveis para opções viáveis. Isto explica-se, ou melhor, "explica-se", com a subida no grau de exigência competitivo a que os jogadores ficaram sujeitos. Por outras palavras, jogadores que se limitem a actuar na Liga Portuguesa, mesmo em clubes no top 5, como eram Paços e Estoril, não possuem capacidade para integrar a Selecção. Ora os dois reforços do Benfica citados encaixam no perfil. É verdade que Eliseu foi, a espaços, chamado a usar a camisola das quinas. Porém, perdeu espaço, e foi completamente ignorado no que respeita às contas do Brasil. Já Bebé, melhor marcador português na Liga em 2013/14, nem sequer mereceu uma única chamada que fosse. Naturalmente, estes jogadores não experimentarão uma brutal evolução de hoje até Setembro, de modo a que passem a tal fasquia competitiva que Bento exige para os seus homens de confiança. No entanto, e se a tal lógica se mantiver, não custa a acreditar que ambos já tenham entrado no radar do seleccionador, e não seria surpresa se fossem opções já no arranque do apuramento. Como surpresa não será se Eliseu se apresentar como natural alternativa a Coentrão, pois tem experiência internacional e capacidade ofensiva, bem como a favorita polivalência, e Bebé traga para a mesa outro tipo de características, tais como a explosão e poder de remate, não existentes no grupo até então. Ou outro tipo de clichés que permitam justificar o injustificável. Esta filosofia, que na realidade não é recente, de menosprezar os jogadores extra-grandes (com excepção do Braga, que mesmo em épocas desastrosas mantém a sua quota) e apenas os considerar quando vestem certas camisolas (antigamente, era ir para o estrangeiro que significava um livre-trânsito para a Selecção, quaisquer que fossem as circunstâncias) prova um de dois pontos (ou se calhar ambos): ou o nosso futebol continua a estar sob a ditadura dos grandes, ou a maior parte das nossas equipas, e seus jogadores, é de uma mediocridade feroz. De qualquer modo, é quase certo que daqui a umas semanas retomaremos este tópico.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Nuno Ranito

quarta-feira, Julho 30

Agora é oficial! O Everton oficializou a contratação de Romelu Lukaku ao Chelsea por 35,5 milhões de euros (mais 5,5 milhões que os 30 inicialmente falados). O avançado belga passa a ser a transferência mais cara de sempre do clube de Liverpool. Mas mesmo assim os adeptos do Chelsea não ficaram propriamente satisfeitos por verem sair uma jovem promessa quando por exemplo Fernando Torres continua no plantel, talvez por isso Mou tenha sido forçado a explicar o negócio. «Lukaku queria ser a primeira opção para ponta de lança e não lhe podíamos garantir isso. Depois queremos estar dentro das regras do Fair Play Financeiro e a proposta do Everton permitia ter um impacto positivo nesse sentido», afirmou o Special One. VM - Já tínhamos esmiuçado a transferência http://visaodemercado.blogspot.pt/2014/07/chelsea-vence-avancado-por-30-milhoes.html, mas deixamos duas ideias depois desta confirmação: 1ª - 35,5 milhões de euros é muito exagerado (Lukaku, apesar de ser novo, e dessa margem de evolução ter peso numa transferência, não justifica este valor, ainda por cima vai auferir quase 400 mil euros por mês); 2ª - Percebe-se a explicação de Mou e este encaixe até lhe pode permitir contratar mais 1 ou 2 reforços (Miranda continua a ser falado), mas já custa mais a perceber o porquê de Lukaku não ter tido uma verdadeira oportunidade o ano passado (tinha feito melhor que Torres, Eto'o ou Demba Ba).

Bom substituto para Luke Shaw - Ryan Bertrand vai jogar até final da época no Southampton por empréstimo do Chelsea. O lateral esquerdo não contava para Mourinho e já na última época tinha sido cedido ao Aston Villa.

O conjunto de Rafa Benitez está a tentar a contratação de Fellaini por 17 milhões de euros - Valon Behrami vai reforçar o Hamburgo numa transferência que permite ao Nápoles encaixar perto de 5 milhões de euros. O médio suíço também era pretendido pelo Inter, mas surpreendentemente vai ingressar na Bundesliga. 

Liga dos Campeões - Derrota do Zenit, de André Villas- Boas, no Chipre, na 1ª mão da 3ª pré-eliminatória (Zezinho foi titular pelo AEL, Witsel viu vermelho direito); Dínamo "português" (Eduardo, Ivo Pinto e Paulo Machado estiveram no 11 titular) bem encaminhado; Celtic foi goleado. Resultados: Aktobe - Steaua Bucareste, 2-2; Qarabag - Salzburgo, 2-1; AEL - Zenit, 1-0; Dnipro - Copenhaga, 0-0; HJK - APOEL, 2-2; Grasshopper - Lille, 0-2; Feyenoord - Besiktas, 1-2; Standard Liège - Panathinaikos, 0-0; Ludogorets - Partizan, 0-0; AaB - Dínamo Zagreb, 0-1; Maribor - Maccabi Telavive, 1-0; Legia Varsóvia - Celtic, 4-1

No ano passado, quando o Mónaco subiu à primeira divisão do futebol francês, uns apontavam-no como maior ameaça ao PSG, enquanto outros diziam que ainda não estavam prontos para tal e iam acabar fora do pódio. A verdade é que a época acabou, e a equipa do Principado terminou o campeonato no 2º lugar com um recorde de pontos, sendo a única equipa a dar luta ao bicampeão francês. Este ano, uma das estrelas da equipa (era a maior?) já mudou de ares, mas permitiu a uma equipa já endinheirada de si, encaixar 80 milhões de euros. O problema é que com James os monegascos iam ter muitas dificuldades para tentar quebrar a hegemonia do PSG e fazer figura na LC, sem ele o cenário é ainda mais complicado. Posto isso, e pese embora a inércia que estão a mostrar neste mercado de transferências (os grandes clubes já têm os plantéis quase montados), parece evidente que Leonardo Jardim tem de reforçar bastante o elenco, até porque este ano já estão inseridos nas provas europeias e com tanto dinheiro investido não podem fazer má figura no panorama internacional, para alcançar os objectivos. Sendo assim apontamos uma possível versão do Mónaco para 2014-15:

GR: Cech (Chelsea), Subasic, Sourzac - Cech disse recentemente que não queria ir para o banco do Chelsea (Courtois vai assumir a titularidade), e o Mónaco precisando de um guarda-redes, não encontra melhor oportunidade de negócio. Subasic será a alternativa, até porque tem-se apresentado bem, completando Sourzac o trio de guardiões.
DD: Dani Alves (Barcelona), Fabinho - Talvez a posição no futebol atual onde a qualidade menos abunda. E o Mónaco tendo já deixado escapar Debuchy para o Arsenal e Aurier para o PSG, também não encontra melhor do que Alves (jogador que o Barça quer colocar, sendo que os monegascos são dos poucos clubes que lhe podem pagar o ordenado). Fabinho tem crescido bastante e voltará a fazer parte do elenco. Raggi é para vender.
DC: Agger (Liverpool), Ricardo Carvalho, Abdennour, Medjani - Abidal tinha renovado contrato, mas entretanto mudou-se para a Grécia. Para o seu lugar, um nome interessante era o do dinamarquês Daniel Agger, que perdeu espaço em Liverpool com a chegada de Sakho (N’Koulou, Kjäer e Rojo seriam mais dispendiosos). Já foi um dos melhores centrais da PL e está no mercado. Para fazer dupla com o jogador do Liverpool, ninguém melhor do que o nosso conhecido Ricardo Carvalho, que aos 36 anos ainda é capaz de ser o patrão da defesa. Abdennour (central que custou cerca de 13 milhões aos monegascos) parte como primeira alternativa aos titulares, sendo que Medjani fecha o quarteto. Isimat-Mirin vai ser vendido.
DE: Kurzawa, Elderson - O francês foi uma das revelações da época passada e despertou o interesse de alguns colossos do futebol mundial, entre eles o Bayern. Este ano tem tudo para voltar a brilhar e mostrar-se na LC. Elderson foi contratado a meio do ano para ir dando descanso a Kurzawa e deverá continuar com esse papel.
MDF: Toulalan, Bakayoko. Toulalan foi talvez o elemento mais regular da equipa, destacando-se sempre nos duelos aéreos, no passe ou até nas interceções e será o médio mais recuado do 11. Bakayoko foi contratado recentemente ao Rennes por 8 milhões e poderá ser importante tanto para fazer descansar Toulalan, como para dar maior liberdade aos elementos da frente, já que faz quase tudo bem defensivamente.
MC: Moutinho, Kondogbia. Dois elementos que certamente não farão pior do que 2013-14 (duas das desilusões do ano) e têm tudo para deixar a sua marca na equipa.
MO: Roberto Firmino (Hoffenheim), Correa (Estudiantes) - Com a saída de James, está é uma posição que precisa de ser bem reforçada e para isso ninguém melhor do que Firmino. O brasileiro fez uma época brutal na Alemanha, marcou 16 golos em 33 jogos, assistiu os seus colegas 11 vezes e foi eleito MoM 9 vezes. É muito forte no drible, nas bolas divididas, na finalização e para além disso, defensivamente é um jogador de eleição, já que também contribui imenso no momento defensivo. Correa, está a ser negociado pelos monegascos e é um médio ofensivo jovem (19 anos), alto (188 cm) e com tempo o seu pé esquerdo podia causar estragos no Stade Louis II.
ED: Shaqiri (Bayern), Ocampos - O suíço que continua tapado e desaproveitado no Bayern tem qualidade para ser figura principal todas as semanas em muitas equipas europeias. É um extremo rápido, bom tecnicamente, com um forte remate e seria um reforço de peso para Leonardo Jardim. O jovem argentino continuará à procura da sua afirmação, dado que tem apenas 20 e uma grande margem de progressão.
EE: Gaitán (Benfica), Ferreira-Carrasco - Gaitán tem sido apontado com insistência aos franceses e a verdade é que tem tudo para dar certo a relação. O argentino na última temporada aliou à sua qualidade habitual uma maior maturidade competitiva e sendo ele um extremo mais interior encaixa muito bem no 11, dado que Kurzawa é um lateral muito ofensivo e está constantemente a subir ao ataque. Ferreira-Carrasco é mais um jovem belga de grande valor individual, e que a partir do banco pode causar estragos com a sua velocidade e técnica.
PL: Falcao, Berbatov, Germain, Martial - "El Tigre" é todos os dias apontado ao Real e em caso de saída o substituto podia ser um compatriota seu, Jackson Martínez do FC Porto. Berbatov chegou em Janeiro e conquistou por mérito próprio a permanência no plantel (6 golos e 4 assistências em 12 jogos na Ligue 1), ficando como primeira alternativa para a posição (pode também ser chamado ao 11 num sistema de 2 avançados). Os franceses Germain e Martial completam o leque de opções, esperando-se que depois da venda de Riviere ao Newcastle, possam ter mais espaço para mostrar o seu valor (principalmente Martial que tem apenas 18 anos). Lacina Traoré ganhará mais em ser novamente emprestado.

Saídas: Chabbert, Caillard, Isimat-Mirin, Borja López, Labor, Raggi, Phojo, Pandor, Dirar, Salli, Lacina Traoré e Monachello.

Visão dos Leitores (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Fábio Teixeira e Luís Nascimento

Para uma direcção que afirma à boca cheia que agora o Sporting não vende jogadores por tostões, apesar de ainda não ter feito nenhuma transferência significativa, este arrisca-se a ser o pior negócio dos últimos anos no futebol português. Pela idade do jogador (apenas 20 anos), situação contratual (à semelhança de Carrillo ainda tem mais 2 anos de contrato, não há propriamente o risco de sair daqui a uns meses a custo zero), potencial (capacidade para ser dos melhores da Europa), e até nacionalidade (o jogador inglês é o mais caro no futebol actual). Em 1º lugar não faz nenhum sentido os leões abdicarem já do seu melhor central, e em 2º os números da transferência chegam a ser patéticos.

O Sporting está a negociar Eric Dier com o Tottenham por valores a rondar os 5 milhões de euros. O central inglês de 20 anos sempre demonstrou querer ficar em Alvalade, mas nunca recebeu uma proposta da direcção leonina para renovar e apesar de ainda ter mais 2 anos de contrato tem sido negociado com clubes ingleses como o Everton ou Newcastle. Caso as negociações cheguem a bom porto o Sporting perde assim mais uma jovem promessa, à semelhança do que aconteceu com Ilori e Bruma, que optou por maltratar (época a suplente de Maurício e alguns conflitos desnecessários) em vez de o valorizar.

Sion 0-2 Benfica (Jara 15' e João Teixeira 50') - O conjunto de Jesus interrompeu um ciclo de 3 derrotas consecutivas ao bater o Sion por 2-0. Jara marcou no 1º tempo, João Teixeira ampliou na 2ª parte, mas foi um amigável sem grande história. O conjunto suíço, já com a liga a decorrer, além de ser fraco ainda utilizou um misto de suplentes e jogadores das reservas, e como tal, não deu perceber se houve uma evolução no Benfica tendo como comparação os últimos jogos. Mesmo assim Artur ainda foi protagonista na 1ª parte (algumas defesas interessantes), e no 2º tempo a velocidade e vontade de Derley, João Teixeira, Ola John e Nélson Oliveira fizeram-se notar (demonstraram que querem ser opções).

O Borussia Dortmund foi, pelo 3º ano consecutivo, o clube com mais espectadores no estádio a nível mundial. De acordo com um estudo da empresa brasileira "Pluri Consultoria" o vice-campeão alemão registou uma média de 80,3 mil pessoas por jogo, com 100% de ocupação do estádio. Manchester United (75,2 mil/jogo - 99% de ocupação) e Barcelona, com (72,1 mil/jogo), completam o pódio. No entanto, o clube catalão "só" conseguiu 73% de ocupação do Camp Nou, na última época. Destaque ainda para a presença de 6 clubes alemães no Top 10. No que diz respeito às equipas portuguesas, só os "grandes" aparecem no Top100. O Benfica ficou em 26º (43,6 mil/jogo) em 2013-14; o Sporting surge na 54ª posição (33,7mil/jogo); e o FC Porto é 72º (28,6mil/jogo).

E em Portugal? - O spray utilizado pelos árbitros durante o Mundial'2014, para assinalar o local exacto das faltas e o local das barreiras, será utilizado na Premier League já a partir da época 2014/15. A La Liga e Série A também adoptaram este sistema.

Mercado - Gerso (que muito prometia mas fez uma época apagada) foi emprestado pelo Estoril ao Moreirense; O ex-selecionador do Brasil, Luiz Felipe Scolari, vai treinar o Grémio de Porto Alegre, clube que deixou há 18 anos; Granero deixa o QPR e assina em definitivo pela Real Sociedad; Jordan Ayew (Marselha) assinou pelo Lorient.

Volta a Portugal - Victor de la Parte é o primeiro camisola amarela. O espanhol da Efapel foi o mais forte no prólogo em Fafe que abriu esta 76.ª edição da "Grandíssima". 

O FC Porto continua a ter esta capacidade de colocar bem os seus excedentários. Ainda por cima os jogadores vão ser orientados por Paco Jémez, um dos melhores treinadores da La Liga.

Licá e Abdoulaye vão jogar no Rayo Vallecano até ao final da temporada por empréstimo do FC Porto. Os dois jogadores tinham sido dispensados por Lopetegui e vão ter assim a oportunidade de ganharem cotação na I Liga espanhola. VM - Melhor local para os jogadores valorizarem era quase impossível. As equipas de Paco Jémez praticam um futebol positivo e a La Liga é uma excelente montra.

Mourinho pode ter alguns defeitos mas neste momento ninguém vende tão bem como o português.

Romelu Lukaku vai assinar pelo Everton até 2019. De acordo com a imprensa belga e inglesa, o avançado belga deixa o Chelsea por 30 milhões de euros e junta-se aos Toffees, clube que representou na última época, em definitivo. VM - Excelente para as 3 partes: Mou faz mais um grande encaixe com um jogador que não queria (já tinha acontecido o mesmo com Mata e David Luiz) e ainda por cima não o vê sair para um rival directo (interno ou externo); o Everton consegue uma super mais-valia para o ataque (clube que contrata pouco, mas que faz sempre aquisições cirúrgicas e com mais um extremo deve fechar o plantel); e o avançado, que já anda nisto há algum tempo mas ainda só tem 21 anos, vai poder continuar a ser a figura de uma equipa e assim continuar a evoluir (ainda tem de melhorar para ser Top Mundial e em Liverpool vai ter mais espaço para isso).

13º reforço dos dragões neste defeso, 7º proveniente da La Liga, e 5º de nacionalidade espanhola. 

Andrés Fernández é oficialmente reforço do FC Porto, assinou até 2018 com cláusula de 30 milhões. O guarda-redes espanhol de 27 anos e 1m84 chega ao Dragão proveniente do Osasuna, e passa a ser o 13º reforço portista para 2014-15 depois de Ricardo, Opare, Evandro, Sami, Lichnovsky, Indi, Óliver, Adrián, Brahimi, Tello, José Angél e Casemiro. VM - Aquisição já esmiuçada aqui: http://visaodemercado.blogspot.pt/2014/07/andres-fernandez-e-o-escolhido-de.html, e parece claro que está encontrado o nº1 portista para 2014-15, apesar da presença de Fabiano, da contratação de Ricardo, e de Helton ainda continuar no clube, Lopetegui não ia obrigar a SAD a fazer um investimento em mais um guardião para depois o "sentar" no banco. Veremos qual será a resposta de  Andrés Fernández, sendo certo que vai encontrar uma realidade completamente distinta (é diferente ser guardião de uma equipa "pequena") e pode mesmo deparar-se com um clima de alguma adversidade. Fabiano (apesar de ter lacunas) tinha ganho algum prestígio perante os adeptos e por outro lado não é fácil perceber como é que um clube tem esta obsessão em contratar guarda-redes (só neste defeso já foram 2, o que demonstra que há uma política de mercado da estrutura e outra de Lopetegui, e nos últimos 4/5 anos foram adquiridos quase 10).

Não deixa de ser curioso que no ano em que se cumpre o 40º aniversário de um dos mais famosos acrónimos da nossa língua (PREC) tenha irrompido em força algo que justificará o baptismo de um novo acrónimo: o PAEC (Processo de Ajustamento Em Curso) do futebol português.

Não que ele não tenha dado em anos anteriores alguns sinais fracos da sua inevitabilidade. Todos estamos recordados da complexa operação que nos idos de 2009 (?) conduziu a que o estádio da Luz passasse do chapéu do clube para o chapéu da SAD. De qualquer das formas é preciso recuar ao ano de 2013 para situar o verdadeiro nascimento do PAEC do futebol português. Mais precisamente à eleição de Bruno de Carvalho como presidente do SCP. Confrontado com o abismo não teve BdC receio de meter mãos à obra, desenvolvendo uma estratégia que podemos situar em 2 níveis: Um interno que se traduziu numa revolução do Sporting (simplificação de estruturas directivas e num corte radical de gastos com o futebol). Um segundo na negociação de uma reestruturação do seu passivo com o sistema financeiro. Do primeiro não parecem surgir grandes dúvidas sobre a sua implementação. Já no segundo (e após um período inicial em que houve divulgação pública dos seus contornos) não tem havido grandes notícias sobre a sua implementação (e já lá vai quase um ano e meio desde a eleição de BdC).

Já em 2014 o PAEC do futebol português conheceu um súbito aumento de velocidade com a entrada em cena do Benfica. No início do ano (Janeiro de 2014) não pareceu que o SLB se estivesse a juntar ao referido PAEC. Contudo os acontecimentos do actual defeso não parecem deixar grandes dúvidas sobre a sua adesão ao mesmo. Ao contrário do que alguns entendidos que apregoavam (o descalabro de um dos concorrentes por contraponto com a excelência da situação do seu clube de eleição), eis que o SLB procede a um abrupto desmantelamento da sua equipa de futebol. Da equipa habitualmente utilizada por JJ na última época já saíram 5 jogadores. E a fazer fé nas notícias que todos os dias saem nos jornais estarão mais 2 na porta de saída.

O único que tem vindo a resistir à adesão a este PAEC é o FC Porto. Sem total sucesso como a gestão do plantel tem vindo a demonstrar. O surgimento dos empréstimos com opção de compra é um claro exemplo do que atrás afirmei. Parece claro que mais tarde ou mais cedo (daqui a um ano?) também o FCP terá que se tornar sócio de pleno direito deste PAEC.

Um desafio interessente é tentar ver o que vem a seguir à curva (findo o PAEC) para cada um dos 3 grandes e para o futebol português.

Comecemos pelo Sporting. 2 notas. A 1ª é que como se perspectiva, se o SCP não tiver capacidade para reembolsar os VMOC alinhavados na reestruturação financeira em curso podermos ter uma situação em que os bancos passem a ser donos da respectiva SAD. Passemos à 2ª nota. Neste ponto deixem-me introduzir uma dúvida (cujo esclarecimento solicito a quem esteja por dentro do assunto): na reestruturação em curso está previsto que à semelhança do que sucedeu no caso do SLB o estádio passe para o “chapéu” da SAD? É que se tal vier a acontecer (e num cenário mais negro em que a SAD não venha no final do processo a ser solvente) o destino do principal activo (o estádio) fica nas mãos dos credores. Bem sei que estamos em Portugal e consequentemente provavelmente nada se vai passar mas não deixa de ser um cenário pouco agradável. No caso do SCP sinceramente (e dado o valor do seu passivo) parece-me que o cenário é bem negro.

No caso do SLB (e não obstante um valor do passivo que aparentemente é superior ao do Sporting) a situação parece-me bem melhor. A capacidade de geração de receitas (induzida pela dimensão do clube) confere-lhe uma maior capacidade de no final do processo estar em melhor situação do que o SCP. Contudo não deixa de ser aplicável ao Benfica o que acima foi dito sobre a possibilidade do principal activo (o estádio) ficar nas mãos dos credores. Ainda por cima dado que neste caso (e fruto do descalabro verificado há uns anos atrás nas contas da SAD) o estádio já está no “chapéu “ da SAD.

Fica a faltar analisar o caso do FC Porto. O caminho que o FCP tem vindo a trilhar nos últimos anos vai apressar o fim de um modelo de negócio que compartilha com o SLB (e que assenta na realização de mais valias para financiar a actividade operacional). Com efeito o avolumar dos custos operacionais (a que não será alheia a aventura televisiva do clube) vai antecipar aquilo que os factores externos (apertar do crédito por parte do sistema financeiro e as implicações do fair-play financeiro imposto pela UEFA)) inevitavelmente vão impor. Em favor do Porto dois aspectos. O primeiro é de que o principal activo ainda não está no chapéu da SAD e consequentemente está fora das mãos dos credores. O segundo é que o valor do seu passivo nada tem a ver com o valor do passivo dos seus concorrentes.

Uma coisa parece-me inevitável. No curto prazo a competitividade das equipas apresentadas pelo FCP e SLB vai sofrer um acentuado retrocesso (fazendo um downsizing que as vai aproximar do SCP), fruto da queda da qualidade dos jogadores que vierem a ser comprados.

No meio de tantas perspectivas negativas há contudo um aspecto claramente positivo. No fim do processo (e mesmo que a contra gosto) os clubes vão ser forçados a apostar nos jovens vindos da formação. As selecções vão agradecer. E provavelmente os bancos também, porque provavelmente só assim é que conseguirão reaver os dinheiros que tão ligeiros foram a emprestar aos 3 grandes…

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Luís Cunha

terça-feira, Julho 29

A Grandíssima está aí para voltar a colorir as estradas nacionais. De 30 de Julho a 10 Agosto a Volta a Portugal decorre mais uma vez no centro e norte do país com partida em Fafe e chegada a Lisboa. O percurso deste ano é especialmente marcado pela montanha, favorecendo portanto os trepadores, e para além da habitual dupla Sra. da Graça/Torre destaca-se a chegada à Serra do Larouco e a complicada chegada a Braga com passagem tripla pelo Bom Jesus. Um esforço meritório da organização em tentar diversificar o panorama de montanha da Volta (o percurso é determinado em função do apoio dos Municípios) num país repleto de belíssimas e duras subidas raramente ou nunca visitadas pela competição. Infelizmente, uma situação que se tem agravado nos últimos, o nível da prova vai estar nivelado por baixo. O vencedor do ano passado, Alejandro Marque, foi afastado, os melhores ciclistas nacionais estão no estrangeiro e as equipas convidadas são de "5ª categoria". 

Nas equipas lusas o destaque vai para a OFM - Quinta da Lixa, pela positiva porque fizeram a dobradinha em 2013 e o vice-campeão Gustavo Veloso era tido como o principal candidato este ano, mas também, pela negativa, porque é uma equipa que terá desde o início do ano salários em atraso, tendo até tido a sua inscrição suspensa pela substituição do Diretor Desportivo. Para os ciclistas que não recebem há tanto tempo e que vão aguentando a situação com vista a procurar dar nas vistas na Volta para aí garantir um novo contrato, a não participação da equipa seria uma tremenda infelicidade. Caso alinhe à partida, o percurso montanhoso e/ou a pouca disponibilidade de gregários dificultará a tarefa dos líderes Veloso e Nuno Ribeiro. Aí, provavelmente o corredor com mais condições de brilhar será mesmo Ricardo Vilela; A Rádio Popular - Boavista contará este ano com um misto de experiência e juventude, onde se destacam Rui Sousa que depois de vários pódios procura ainda a sua primeira Volta, Daniel Silva e ainda dois dos jovens mais entusiasmantes do panorama nacional, Frederico Figueiredo e Nuno Bico; Vitor Gamito, depois de um interregno de 10 anos no profissionalismo é uma das figuras da corrida e da LA Alumínios - Antarte. Acabar a corrida seria um objetivo audacioso para qualquer ciclista nas suas condições mas a sua competência no treino e o facto de ter mantido alguma actividade nestes anos poderão valer uma gracinha do corredor do Oeste nesta Volta. No entanto, as aspirações da equipa deverão cair sobre Hugo Sabido e Edgar Pinto. Nenhum deles um trepador puro mas ambos agressivos e muito completos. Quanto às equipas algarvias, no Louletano - Dunas Douradas Hernâni Broco tem aqui um percurso bem à sua medida e deverá apontar, pelo menos, a uma posição no pódio, enquanto no Banco BIC - Carmim Manuel Cardoso é o principal nome na corrida no que respeita ao sprint. Já a Efapel - Glassdrive atacará a amarela com o campeão de 2011 Ricardo Mestre enquanto Víctor de la Parte será provavelmente o seu plano B. Na equipa que corre com as cores nacionais, dirigida pela FPC/UVP, Portugal, e que normalmente dá espaço a alguns corredores sub 23 destaque para o recente vencedor da Volta a Portugal do Futuro, Ruben Guerreiro, mas principalmente para o profissional na equipa francesa La Pomme que vem de um 6º lugar numa prova HC na China, José Gonçalves.

Entre as equipas estrangeiras, o destaque vai para a formação espanhola Caja Rural, a única com estatuto Profissional Continental em prova. Traz Luis Leon Sanchez, sem dúvida o corredor presente com mais estatuto e que em 2015 defenderá as cores da Astana. Sendo a nossa Volta tão dura nem sempre as equipas estrangeiras conseguem disputá-la mas esta formação espanhola tem muita qualidade contando ainda com Ruben Fernandez, uma das maiores promessas espanholas, Francesco Lasca, muito bom finalizador que passa bem a média montanha, ou o talentoso trepador colombiano Heiner Parra. Precisamente da Colômbia estará presente a equipa de formação 4-72 Colombia com o vice-campeão do Tour de l'Avenir 2012 Juan Chamorro. A Movistar - Team Ecuador terá no jovem espanhol em forma Jordi Simón o seu melhor trunfo, a Burgos - BH contará com o ex Euskaltel Juan Oroz e David Belda, ambos com bons resultados nesta época. Por fim a dinamarquesa Christina Watches - Kuma, a equipa de Michael Rasmussen que tem no veterano Stefan Schumacher o seu maior nome. Lokosphinx, Team Stuttgart, Team UKYO e a Team Stölting terão alguma dificuldade em ter impacto na corrida.

Quem vai suceder a Alejandro Marque? Terá alguma equipa capacidade para controlar a corrida? Das subidas que conhece, qual gostaria de ver incluída no percurso da Volta a Portugal?

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Luís Oliveira

Algumas notas: 
O Sporting vai entrar numa nova "dimensão", e logo a triplicar: mais jogos (na época passada bastava ter 12/13 elementos competentes já que o tempo de descanso, ainda por cima os leões saíram cedo das taças, permitia ter sempre a equipa a 100%); desgaste pela presença da Liga dos Campeões (é uma prova que tem um impacto emocional importante nos jogadores, e num elenco jovem isso poderá fazer ainda mais diferença), e pressão acrescida pelo facto de serem assumidamente candidatos ao título (em 2013-14 tudo o que fosse um lugar no Top 4 era bem aceite); Três cenários complicados, mas:
- Também ninguém esperava que depois da pior época de sempre o Sporting conseguisse terminar no 2º lugar. E as indicações para este ano até são positivas: os leões conseguiram criar uma base e demonstraram que os orçamentos não são tudo no futebol (este ano, considerando o que Porto e Benfica já investiram, o clube leonino vai ter de voltar a conseguir mais com menos);
- Mesmo assim parece evidente não será fácil chegar ao título. A diferença para os rivais a nível individual ainda é grande (não só em termos técnicos mas igualmente ao nível da maturidade competitiva) e os leões vão ter de realizar alguns encaixes financeiros com a venda de jogadores. Neste capítulo há duas ideias:
- Um clube que gasta dinheiro em Heldon e que bateu o recorde de transferências num jogador que parece ser uma aposta a longo prazo (Gauld) tem de ter capacidade financeira para investir em pelo menos um extremo acima da média;
- No que diz respeito às saídas, Slimani, Capel, André Martins e Maurício deviam, caso tenham mercado, ser os candidatos. Slimani porque está cotado, os leões detém quase a totalidade do seu passe, e a sua transferência podia equilibrar o orçamento (se houvesse uma escolha era preferível vender o argelino e manter William e Rojo), e Maurício, Capel e André Martins por não demonstrarem ter capacidade para ultrapassar este nível (e há alternativas para os mesmos). Por outro lado, Shikabala e Heldon não parecem contar para Marco Silva.
- Em suma, considerando os objectivos (acabar com o jejum de títulos que dura desde 2008 principalmente conquistando o campeonato), as limitações financeiras, e a necessidade de ter no máximo um plantel de 24 elementos (até para criar condições para os jovens da B irem ganhando espaço). O Visão de Mercado apresenta, tendo como base os reforços já conhecidos, as movimentações do mercado, a filtragem necessária e os condicionalismos orçamentais, uma possível versão do Sporting 2014-15:

GR: Rui Patrício e Marcelo Boeck - Este era um bom timing para Patrício sair, o seu ciclo em Alvalade já acabou e a transferência do guardião podia permitir segurar elementos mais difíceis de substituir, mas nada indica que seja negociado. Como tal, continuará a ser o nº1 com Boeck como uma alternativa bastante válida. Caso o internacional português seja transferido e considerando que Kapino deu uma nega ao Sporting num negócio avaliado em 2,5 milhões, Loris Karius (Mainz) era uma boa opção (na teoria vai estar tapado este ano e termina contrato em 2015).
Laterais: Cédric, Geraldes, Jefferson e Jonathan Silva - O Sporting já contratou uma alternativa para o lado direito e ao que tudo indica o argentino vem dar concorrência a Jefferson (e quem sabe se não lhe rouba o lugar). Um dos laterais mais promissores da América do Sul e que certamente vem "espicaçar" o brasileiro. Do outro lado, Geraldes não parece ter o suficiente para ser uma mais-valia num clube grande, como tal (já na época passada os leões contrataram 2 laterais direitos), caso se confirme o ingresso de Miguel Lopes no Tottenham, os leões podiam tentar incluir Ryan Fredericks no negócio (um jogador que nem na II divisão inglesa foi indiscutível mas que, também joga a extremo, tem uma velocidade e técnica que na Liga portuguesa podia fazer estragos). 
Centrais: Rojo, Dier, Tobias Figueiredo e Paulo Oliveira - Os leões deviam tentar manter Rojo, além de ser o líder da defesa, o clube leonino só têm 25% do passe, o que não permite grande encaixe, e na teoria não vai perder mercado se ficar mais um ano em Alvalade (a direcção leonina só o devia negociar quando conseguisse mais uma percentagem do passe). Mas com as entradas de Sarr, Paulo Oliveira e provavelmente Rabia, alguém vai ter de sair, e Maurício é o candidato ideal (resta saber se tem mercado). Apesar da boa época que fez em momentos de maior exigência falhou quase sempre - e a próxima época vai ter mais momentos desse -, e por outro lado Dier (ainda por cima com mais 2 anos de contrato) tem a todo o custo de ganhar o seu espaço. Por ter capacidade para ser um super-central como pelo encaixe que poderá permitir no futuro. Tobias, Sarr e Rabia (que também pode jogar a médio defensivo), "lutavam" com Paulo Oliveira pelo posto de 3º e 4º central.
MDEF: William Rosell - Nesta posição o Sporting está bem servido. Mantemos a ideia que William é bom mas não é um fenómeno (tem lacunas evidentes como a lentidão, leitura, posicionamento, e mau jogo aéreo), e como tal se os leões tivessem uma proposta na ordem dos 30 milhões não deviam hesitar, mas a seu favor joga o facto de ser um dos médios defensivos com melhor 1º toque no Mundo e a sua idade permitir-lhe corrigir os defeitos que apresenta. Rosell tem dado boas indicações e além de funcionar como alternativa pode mesmo jogar ao lado de WC num duplo pivot.
MC: Adrien, Slavchev, Esgaio - Adrien foi um dos melhores na época passada e os leões esperam que o médio mantenha o nível nesta época. Slavchev pode ser uma boa alternativa, mas veio de um campeonato pouco exigente e precisará de algum tempo de adaptação. Como já defendemos há algum tempo, pelas suas características Esgaio poderia ser um elemento muito útil a actuar no meio campo e pelo que tem mostrado na II Liga já merece fazer parte do plantel principal, podendo inclusive ser opção para as laterais e para as alas. 
MO: João Mário  e Gauld - Não será descabido se Adrien passar a ser o Evandro de Marco Silva com Rosell e William no duplo pivot. Ou seja, com João Mário, que regressou depois da boa metade de temporada em Setúbal para agarrar definitivamente um lugar na equipa leonina, e Gauld (contratação mais cara desta direcção leonina), há soluções suficientes para o meio campo ofensivo (Mané e Montero também podem ser utilizados nesta posição). Como tal, a saída de André Martins (caso tenha mercado) até equilibrava o plantel. O médio esteve manifestamente mal em 2013-14 e apesar de alguns golos nesta pré (Wilson também marcou e saiu na mesma) nunca demonstrou ser a mais-valia que os leões precisam. Vítor já foi descartado.
Extremos: Carrillo, Mané, Vitinho e Saito/Bahouli - O sucesso do Sporting passará muito pelo nível que Carrillo conseguir apresentar. É titular indiscutível à direita, mas do outro lado falta um "reforço bomba", que poderia ser Vitinho. É um craque, teria um impacto enorme no campeonato português e quer sair da Rússia (não se adaptou no CSKA e podia chegar a Alvalade por um valor semelhante do de Kostic, e na nossa opinião o brasileiro tem mais futebol que o esquerdino do Groningen). Capel deve ser vendido, Heldon e Shikabala não demonstraram nada para serem opções de maneira regular e nem parecem contar para Marco Silva. Sobra Mané, que este ano vai ter de aumentar o patamar (já não bastam algumas acções individuais), mas neste caso faltaria um extremo. Como o Sporting não tem liquidez para contratar dois craques para as alas, o ideal seria apostar num jogador de uma liga secundária. Manabu Saito, ala japonês do Yokohama Marinos que actua do lado esquerdo e que esteve no Mundial 2014, seria uma opção interessante. Em alternativa, Nabil Bahoui, que joga no AIK Solna, do campeonato sueco, tem potencial e características excelentes para a liga portuguesa (rápido, forte e desequilibrador). Convém não esquecer que Esgaio e Gauld também podem actuar pelos flancos.  
Avançados: Montero, Tanaka e Łukasz Teodorczyk - Não será fácil segurar Slimani e as boas opções no mercado (ainda para mais com as limitações financeiras dos leões) para o ataque não abundam. Um dos poucos que parece ter o necessário para ser uma mais-valia é Łukasz Teodorczyk, avançado polaco do Lech que apesar de ser diferente de Slimani, menos agressivo na área e muito menos forte no jogo aéreo (o argelino também é dos melhores do Mundo neste capítulo) tem uma técnica individual (estilo parecido ao de Lewandowski) que se enquadra mais na dinâmica ofensiva dos leões. Caso a ideia seja continuar com um "pinheiro", Kim Shin-Wook, sul-coreano do Ulsan Hyundai, era o ideal. Montero (tecnicamente um dos mais evoluídos do Sporting), tem tudo para fazer uma boa época (este ano estará menos desgastado e é um dos protegidos de Marco Silva, algo que certamente não se deve ao facto de terem o mesmo empresário), e Tanaka completam o trio. 

Bom substituto para Rodrigo? Na Europa ainda não demonstrou o que pode e sabe, mas voltou a demonstrar a sua qualidade no Mundial, a jogar a avançado centro, e tem o perfil que falta ao ataque encarnado.

De acordo com a imprensa italiana, o Benfica ofereceu dez milhões de euros ao Nápoles por Eduardo Vargas, avançado chileno de 24 anos, que em 2013-14 esteve cedido ao Valencia e que volta a não fazer parte dos planos de Benitez para esta época.

Política de mercado peculiar - O FC Porto não revelou os pormenores do negócio que envolveu a aquisição de  José Angél, apenas mencionou que o espanhol assinou até 2018. Mas a AS Roma informou que libertou o lateral esquerdo a título definitivo e de maneira gratuita, ficando apenas com 50% do passe. VM - Uma posição invulgar, ainda para mais quando o espanhol de 24 anos, apesar de não ser indiscutível, tinha feito alguns jogos pela Real Sociedad, mas que demonstra que a Roma tem a convicção que o lateral se vai valorizar no Dragão (o Porto por norma potencia muitos activos, e Lopetegui poderá ter dado indicações que vai apostar em José Angél).

Uma cedência que obriga Rodgers a contratar pelo menos mais um avançado (o negócio Rémy também foi cancelado).

Agora é oficial! O Liverpool garantiu a aquisição de Divock Origi por 15 milhões de euros. No entanto, o promissor avançado belga de 19 anos vai continuar no Lille em 2014-15 por empréstimo dos Reds. VM - Aposta a pensar no longo prazo como demonstra esta cedência, mas o Liverpool está a reunir as condições para voltar a ser uma potência. Markovic, Sterling, Origi tem potencial para serem figuras no futebol mundial e a base que foi construída na época passada permite sonhar. Vamos ver é que avançado se vai juntar a Sturridge e Lambert esta época (Origi e Rémy tinham sido boas opções), sendo certo que as opções de Top no mercado não abundam.

Mais uma "bomba" no futebol português - A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) terá de organizar novamente eleições, na sequência da anulação do ato que reelegeu Mário Figueiredo, a 11 de julho último, por parte do Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). A decisão de obrigar a novo ato eleitoral no organismo decorre do deferimento parcial do recurso apresentado por Vitória de Guimarães e Estoril-Praia, por unanimidade do CJ da FPF, considerando como admitida a candidatura de Fernando Seara, ex-presidente da Câmara Municipal de Sintra e atual vereador do Município de Lisboa. O órgão federativo, que não analisou o recurso de Rui Alves, cuja candidatura também não foi aceite e está dependente dessa deliberação, considerou ainda que a lista apresentada por Mário Figueiredo detinha “vícios formais”, salvaguardando que poderia ser admitida caso os mesmos fossem “sanados”. Mário Figueiredo, que preside à LPFP desde janeiro de 2012, foi reeleito para o organismo com votos de sete clubes, casos de Sporting, Paços de Ferreira e Boavista, da I Liga, Leixões, Farense, Santa Clara e Atlético, da II Liga. Fonte: Agência Lusa

Lopetegui pede, Lopetegui tem. Ao contrário do que acontecia no passado, este plantel portista foi claramente construído pelo treinador.

José Angél, lateral esquerdo de 24 anos, é oficialmente reforço do FC Porto (assinou até 2018 com cláusula de 30 milhões). O espanhol, que nas últimas duas épocas esteve na Real Sociedad, chega ao Dragão proveniente da Roma e irá fazer concorrência a Alex Sandro. VM - Além da transferência, que anteriomente: www.visaodemercado.blogspot.pt/2014/07/jose-angel-dado-como-certo-no-fc-porto.html já tínhamos esmiuçado, importa aqui a destacar o peso que Lopetegui tem tido na construção deste plantel. Isto é quase inédito na história do FC Porto, Mourinho também teve um papel importante na elaboração dos seus elencos (Pedroto no passado igualmente), mas por norma, apesar dos treinadores terem a opção de dar alguns palpites, 90% das aquisições eram da responsabilidade da estrutura. Este ano o cenário é diferente, Ricardo, Evandro, Opare e Sami foram adquiridos pela direcção, e como tal nem será surpreendente se alguns forem cedidos, mas a grande maioria dos reforços é da responsabilidade de Lopetegui. Veremos se esta mudança de política será benéfica, sendo certo que pelo menos na teoria o treinador espanhol tem um plantel recheado de boas soluções, em quase todas as posições, exceptuando baliza e meio campo defensivo, conta com dois jogadores de bom nível.

segunda-feira, Julho 28

Portugal 0-0 (4-3 nas g.p.) Sérvia

Desta vez a sorte sorriu a Portugal. Ao contrário do que aconteceu há um ano a selecção nacional de sub-19 bateu a Sérvia nos penaltis (Tiago Sá defendeu o decisivo), e vai agora defrontar a Alemanha na final. Encontro complicado (poucas oportunidades de golo), os sérvios estiveram imperiais no aspecto defensivo e com astúcia foram criando algum perigo, mas a geração de Rony, Podstawski, Gelson Martins, Ivo e André Silva está apenas a uma vitória de acabar com o jejum que Portugal alimenta desde 2003, ano da última conquista internacional de uma selecção nacional (na altura Veloso, Paulo Machado, Maradona, etc, venceram o Europeu sub-17 em Viseu).

Portugal - Não foi fácil, apesar de a selecção ter tido mais posse (consentida pelo adversário) nunca conseguiu arranjar maneira de ultrapassar a organização dos sérvios (grandes exibições de Babic, Jovanovic e Antonov). André Silva (bem isolado por Rafa) podia ter marcado na 1ª parte, Ivo e Rony com 2 bons remates no 2º tempo também estiveram perto do 1-0, e Domingos Duarte numa bola parada no prolongamento por pouco não inaugurou o marcador, no entanto, praticamente todos os ataques esbarraram na defesa Sérvia. E a decisão nos penaltis acabou por ser justa, a Sérvia também criou algum perigo (André Moreira, que foi substituído por Tiago Sá no prolongamento devido a lesão, fez 3/4 boas defesas), e teve o mérito de saber condicionar ao máximo o jogo de Portugal (sempre muitos elementos na zona da bola, principalmente quando a mesma estava nos pés de Rony). A nível individual, não foi um jogo com grandes destaques. André Silva correu km's na frente, mas foi quase sempre mal servido, Gelson Martins fez um encontro à Di Maria (até tem um estilo semelhante) com as devidas diferenças, fartou-se de recuperar bolas e em posse tentava sempre esticar o jogo mas à semelhança do argentino essa vontade toda também resultou muitas vezes em perdas de bolas e má decisões; Rony e Ivo nas poucas vezes que tiveram espaço conseguiram criar desequilíbrios, Rafa voltou a acrescentar muita qualidade com bola, e os centrais (Domingos e João Nunes) cumpriram, mas no geral houve essencialmente muita vontade. Para a final é esperar que este desgaste não se note, e que Portugal consiga aproveitar os espaços (favorece mais o nosso jogo) para contrariar o favoritismo (até por hoje frente à Áustria terem passeado) da geração de Brandt, Öztunali, Stendera, Stark, Mukhtar e Belke.

Twente 2-0 Sporting (Castaignos 5' e Promes 90')
O Sporting interrompeu uma série de 6 vitórias consecutivas na pré-época ao ser derrotado pelo Twente, um jogo que marcou o fim do estágio leonino em solo holandês. Luc Castaignos, de cabeça, praticamente logo a abrir a partida, e Quincy Promes, com um remate fora da área, no último lance do jogo, fizeram os golos.

Encontro manifestamente pobre dos leões, no 1º tempo nenhum lance digno de registo (apenas Carrillo tentou "remar contra a maré") e apesar de uma boa reacção nos minutos iniciais da 2ª parte (Adrien falhou uma boa oportunidade) rapidamente a equipa leonina voltou à posse de bola pouco produtiva (demasiados passes para o lado e para trás), e com a expulsão de Maurício (tentou marcar com a mão) a missão do Sporting ficou comprometida (mesmo assim, fruto de uma oferta do guardião contrário, os leões ainda podiam ter empatado perto do fim). 

Sporting - Mantemos a ideia que não se podem tirar grandes ilações destes jogos da pré-época, o conjunto de Marco Silva não era o mais forte candidato ao título antes deste jogo nem agora vai passar a ser o mais fraco, ainda para mais quando o desgaste físico dos leões foi evidente. Mesmo assim surpreendeu a falta de rotatividade (depois de um jogo no sábado esperava-se que hoje o Sporting apresentasse outros elementos), a menos que esses jogadores não contem. E a nível individual foi evidente que William ainda está demasiado pesado (sempre foi lento mas hoje esteve parado e falhou demasiados passes), e que Mané continua a apresentar um nível medíocre (ainda não fez uma exibição digna nesta pré-época). Martins (muito apagado), Tanaka (mais ausente que nos outros jogos), Geraldes (muitos erros na decisão), Maurício (expulso de maneira infantil) também estiveram em destaque pela negativa.

Ryan Gauld - À excepção de alguns minutos frente a equipas amadoras praticamente ainda não foi utilizado nesta pré-época. Uma situação estranha já que é a transferência mais cara desta direcção leonina, e os leões até precisam de dinheiro para resolver algumas lacunas. 

O Moreirense assegurou a contratação do internacional paraguaio Ramón Cardozo, avançado que na última época se destacou ao serviço do Vitória de Setúbal (8 golos na Liga) e, agora, assina um compromisso válido para 2014/15, com opção de compra, pelo conjunto de Moreira de Cónegos. VM - Uma das movimentações mais surpreendentes no defeso nacional, "Tacuarita" chegou a ser mesmo dado como certo no Vit. Guimarães e durante a época passada motivou o interesse de clubes com "aspirações". 

O Southamtpon já arrecadou 120 milhões de euros com a venda de apenas 5 jogadores - Calum Chambers foi oficialmente confirmado pelo Arsenal (4º reforço para 2014-15 depois de Alexis, Debúchy e Ospina). O defesa, que também pode jogar a médio, de 19 anos, deixou o Southampton por um valor a rondar os 20 milhões de euros e junta-se a Rickie Lambert, Adam Lallana, Luke Shaw e Dejan Lovren nas vendas dos Saints neste defeso. VM - Já esmiuçámos anteriormente este negócio (ler aqui), mas esta confirmação deixa duas ideias: - Defendida pelo próprio Wengèr, que o jogador inglês é exageradamente caro; - Confirmada por Lees Reed, director dos Saints, o Southampton vai agitar muito este defeso. Apesar do elenco continuar com alguma qualidade, Clyne, Fonte, Cork (excelente médio), Schneiderlin (ainda pode sair), Wanyama, Gastón Ramírez, Ward-Prowse (o próximo jovem a ser cobiçado), Tadic, Jay Rodriguez e Graziano Pellè na nossa opinião permitem fazer uma época tranquila, é natural que o Southampton canalize os 130 milhões de euros para aumentar a qualidade do plantel, há pressão dos adeptos nesse sentido e por norma os clubes ingleses gostam de movimentar o dinheiro, e a curiosidade é perceber como o vão fazer (as equipas portuguesas, todas vendedoras, podem beneficiar com isso, apesar de Koeman não ter propriamente uma grande visão de mercado).

Stefan de Vrij vai reforçar a Lazio a troco de 8,5 milhões de euros. O internacional holandês de 22 anos do Feyenoord também era pretendido pelo Man Utd, Dortmund e Southampton, mas o clube italiano já tinha "apalavrado" o central, um dos melhores no Brasil 2014 (os laziale até o apresentaram como tendo sido o melhor da competição), antes do Mundial. VM - Considerando a qualidade que o central exibiu no Mundial 2014 e a sua idade, apenas 22 anos, é uma "pechincha" para a Lazio. E de certa maneira acaba por ser uma vitória para a Série A, cada vez menos "atraente" para os bons jogadores, que consegue um elemento com algum estatuto que era pretendido por Ligas mais fortes. Nota ainda para o Feyenoord que, apesar de perder mais um elemento, se continuar com esta política de aposta na formação (a selecção holandesa agradece) a curto prazo vai certamente colocar mais 3 ou 4 jovens na "montra" (Kongolo deve ser o próximo a suscitar interesse dos "tubarões").

Junta-se a Moya, Oblak, Siqueira, Mandzukic e Griezmann - O Atlético Madrid também apresentou Cristian Ansaldi como reforço para a temporada 2014/15. O defesa argentino que estava no Zenit foi um pedido expresso de Simeone e pode funcionar como alternativa a Siqueira na esquerda e a Juanfran no lado direito.

Benfica - A Emirates vai estar em todas camisolas de equipas de Formação dos encarnados. A parceria é válida para as próximas três épocas desportivas. O acordo prevê ainda que a companhia aérea apareça em todas as plataformas de comunicação do Clube.

Numa altura em que se fala insistentemente na falta de verdadeiros desequilibradores em Alvalade e parecendo claro que a direcção está empenhada em alcançar esse elemento no mercado (Kostic é o nome mais falado), poderá existir já alguém no seio do grupo capaz de assumir as rédeas da equipa e de se tornar no homem capaz de resolver os problemas da mesma no último terço de terreno. Não falo de Carrillo e muito menos de Mané, Capel ou Héldon. Refiro-me a Mahmoud Abdel Razek Fadlallah. Shikabala no mundo do futebol.

Quando chegou ao Sporting proveniente do Zamalek SC do Egipto, a meio da época transacta, pareceu claro que seria difícil entrar na equipa. Vinha de um período de ausência competitiva (o campeonato egípcio esteve parado) e de um continente diferente, algo que levaria a um processo de adaptação e limitaria as suas ambições de integrar uma equipa a lutar pelo título, até porque Leonardo Jardim sempre deu a ideia de não simpatizar com esta aposta pessoal do presidente Bruno de Carvalho. Passados 6 meses, Shikabala tem nova oportunidade com Marco Silva. No meio-campo ofensivo ou nas alas (posição em que tem sido utilizado nesta pré-época) o egípcio poderá oferecer muito à equipa, já que é notória a sua inata capacidade para desequilibrar (é muito forte no um contra um) através da sua qualidade técnica e criatividade, tendo ainda uma excelente capacidade de remate como cartão-de-visita. O leque de fintas poderá entusiasmar o adepto na bancada, mas será preciso mais para Shikabala se afirmar no futebol português. Será necessário que o “faraó” coloque a sua qualidade individual ao serviço do colectivo, que tenha qualidade no momento da decisão e que não caia em vedetismos. Parece evidente que Shikabala gosta de liderar as tropas, gosta de ser o homem que decide, a estrela, mas terá de conseguir conciliar esse objectivo pessoal com as ambições da equipa.

Por outro lado, é conhecido o feitio peculiar deste jogador de 28 anos. Na última temporada foi visível que não gostou de ter sido utilizado apenas na última jornada do campeonato e já este ano existem relatos de que não lidou bem com a ausência de minutos na Taça de Honra da AFL. O facto de ser suplente poderá levar a alguma instabilidade emocional e, por consequência, levá-lo a tornar-se num foco de perturbação do grupo de trabalho, algo que Marco Silva terá de conseguir gerir da melhor maneira. A sua presença activa nas redes sociais também permite perceber que é alguém que não esconde a insatisfação quando ela existe, factor que terá de ser controlado, de modo a não se transformar um activo importante num rebelde de balneário.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Rodrigo Ferreira